HEBE CAMARGO
Hebe Camargo (Taubaté, 8 de março de 1929) é apresentadora de televisão e cantora brasileira.
É filha de Ester e Fego Camargo, violinista na época do cinema mudo, mas que foi demitido com a chegada do cinema falado, o que fez com que Hebe tivesse uma infância humilde. A história da vida de Hebe Camargo está ligada diretamente a história da implantação da televisão no Brasil.
CARREIRA ARTÍSTICA
Na década de 1940, Hebe formou com sua irmã Estela, uma dupla caipira chamada “Rosalinda e Florisbela”. Seguiu na carreira de cantora com apresentações de sambas e boleros em boates, quando abandonou a carreira musical para se dedicar mais ao rádio e à televisão.
Ela estava no grupo que foi ao porto da cidade de Santos buscar os primeiros equipamentos de televisão, para a formação da primeira rede brasileira, a TV Tupi. Foi convidada por Assis Chateaubriand para participar da primeira transmissão ao vivo da televisão brasileira, no bairro do Sumaré, em São Paulo, em 1950. No primeiro dia de transmissões da TV Tupi, Hebe Camargo deveria cantar logo no início das transmissões o “Hino da Televisão”, mas alegou estar doente doente e faltou ao evento, sendo substituída por Lolita Rodrigues. Até hoje as duas, que são amigas desde aquela época, não admitem se Hebe deixou de cantar o Hino porque estava doente ou se foi por causa de um encontro amoroso.
O programa Rancho Alegre (1950) foi um dos primeiros programas em que Hebe participou na TV Tupi, Canal 3, de São Paulo: Hebe fez um dueto com o cantor Ivon Curi, sentada em um balanço de parquinho infantil. Estas imagens estão gravadas em filme e são consideradas relíquias da televisão brasileira, que na época não guardava a programação em acervos, como atualmente.
Em 1957, Hebe muda radicalmente o seu visual, de cabelos pretos para loiros e começou a apresentar o programa de televisão O mundo é das Mulheres, de direção e produção do então galã Walter Forster na TV Paulista, Canal 5, antecessora da Rede Globo. A partir daí, Hebe Camargo teve um impulso na sua carreira televisiva.
Em 10 de abril de 1966, vai ao ar, pela primeira vez, o programa dominical de Hebe Camargo, pela TV Record (Canal 7 de São Paulo, atual Rede Record); o programa a consagra como entrevistadora e ela se torna líder absoluta de audiência, acompanhada do músico Caçulinha e seu Regional.
Durante a Jovem Guarda, Hebe deu espaço a novos talentos, como Roberto Carlos, Martinha, Wanderléa e Ronnie Von, a quem apelidou de Príncipe.
Logo depois, a apresentadora Cidinha Campos veio ajudá-la nas entrevistas. Hebe também arranjava tempo para o seu programa diário na Jovem Pan - Rádio Panamericana.
Hebe passou por quase todas as emissoras de TV do Brasil, entre elas a Record e a Bandeirantes, nas décadas de 1970 e 1980.
Desde 1986 Hebe está no SBT, onde já apresentou três programas: Hebe, que ainda está no ar, Hebe por Elas e Fora do Ar, além de participar do Teleton e em especiais humorísticos, como um quadro do espetáculo da entrega do prêmio Roquete Pinto, Romeu e Julieta, em que contracenou com Ronald Golias, já falecido e Nair Bello, falecida em abril de 2007, artistas que foram grandes amigos da apresentadora.
O programa Hebe, no ar desde Março de 1986, atualmente nas noites de segunda-feira, e durante algum tempo nas noites de terça-feira e sábados, a apresentadora recebe convidados para pequenos debates e apresentações musicais: todos se sentam em um confortável sofá, que é quase uma instituição da televisão brasileira.
O programa é ao vivo, e às vezes surgem gafes, enganos e atitudes politicamente incorretas da apresentadora, muitas percebidas de imediato pelos telespectadores, que parecem conformados com as mesmas. Talvez um dos trunfos do programa seja essa naturalidade da apresentadora e intimidade com o público.
Hebe em seu programa de auditório também tinha a ajuda de um assistente de palco, o Antônio, que com um figurino de garçom, além de segurar microfone e fichas da apresentadora no início de cada programa, servia os convidados e exibia os produtos de merchandising para as câmeras, sempre sorrindo, enquanto Hebe fala das vantagens e virtudes dos produtos. A voz de Antônio nunca foi ouvida no programa - 1986.
Em 1995, a gravadora EMI lançou um CD com os maiores sucessos de Hebe. Em 1999 voltou a lançar um CD. Em 22 de abril de 2006 comemorou o 1.000º programa pelo SBT.
Atualmente, Hebe tem como repórter de externas a drag queen Nanny People.
ESTILO DE VIDA
Hebe tem um estilo de vida chique, freqüentando a alta sociedade da cidade de São Paulo, festas e eventos, onde vai sempre bem vestida com roupas de grife, carregada de jóias brilhantes e douradas, e dirigindo um de seus vários carros importados, principalmente da marca Mercedes-Benz, sua preferida.
Apesar de ser um figura cultuada e querida pelas classes populares, Hebe também tem seus admiradores entre as classes média e alta e circula com desenvoltura entre as socialites e colunistas sociais paulistanos, onde também é muito admirada.
Em função dessa facilidade de trânsito com todas as classes sociais, já foi convidada a participar de inúmeras propagandas, tanto de jóias caras como de produtos populares, como sabão em pó ou amaciantes.
POSIÇÕES POLÍTICAS E IDEOLÓGICAS
Hebe sempre se apresenta com uma visão política de cunho conservador e de direita, apoiando candidatos com estas características. Ultimamente, tem chamado para seus programas o governador de São Paulo José Serra. Antigamente, o ex-prefeito Paulo Maluf também era recebido no programa e elogiado. Hebe chegou a participar de comícios e campanhas de Paulo Maluf: mas a gestão do seu sucessor Celso Pitta e as frequentes e sucessivas suspeitas de corrupção certamente ajudaram a afastar Hebe de Maluf com o tempo.
Hebe também em muitos programas falou mal de políticos e governantes. Na década de 1980, era comum, no encerramento de seus programas, a leitura indignada de editoriais com profundas críticas aos políticos, principalmente parlamentares, à corrupção e à violência generalizada, com as luzes do programa se desligando, sem trilha sonora, reforçando o caráter de protesto, convidando o telespectador a refletir depois do programa.
Uma vez, na década de 1990, foi assaltada em sua casa, no Morumbi, o que rendeu um editorial na semana seguinte criticando a polícia e a impunidade reinante no país.
Os seus últimos comentários mais polêmicos foram em 2003, contra o assassino Champinha, que matou os casal de jovens namorados Liana Friedenbaum e Felipe Caffé a sangue-frio, durante uma viagem de lazer: Hebe ameaçou se vingar do assassino, que é menor de idade, o que provocou repercussão em organizações de direitos humanos e na imprensa.
Por outro lado, Hebe declarou em entrevistas que é a favor da legalização do aborto, e que já se submeteu ao procedimento. Outra de suas marcas registradas é o fato de distribuir selinhos às celebridades, independente de ser homem ou mulher.
CASAMENTOS E FILHOS
Casou-se em 1966 com Décio Capuano, tendo como padrinho de casamento o governador do estado, Ademar de Barros. Teve um único filho chamado Marcello.
Como seu marido Décio Capuano era muito ciumento, logo veio a separação. Casou-se posteriormente com o empresário Lélio Ravagnani, com quem não teve filhos, mas teve convivência com os enteados, filhos de Lélio e filhos dos enteados, a quem chama de netos. Não tem netos legítimos, pois Marcello não se casou nem teve filhos. Em 2000, ficou viúva de Lélio.
PARÓDIAS E IMITAÇÕES
O jeito de falar de Hebe Camargo, com os dentes superiores muito próximos um do outro, os mesmos bordões repetitivos (”que gracinha”, “não é uma gracinha?”, “muito gracinha”, “lindo de viver”, “Boa noite São Paulo, boa noite Brasil”) fizeram a festa de humoristas de rádio e televisão nos últimos 30 anos, como Serginho Leite, Tatá e Escova, sem falar de inúmeros humoristas anônimos: essas falas e bordões fazem parte do inconsciente coletivo do brasileiro médio.
Licenciado sob a GNU Free Documentation License. Fonte de Wikipédia Hebe Camargo.
