JOÃO DE CASTILHO
João de Castilho (nascido cerca de 1475) foi um arquitecto que realizou a sua obra quase só em Portugal, apesar de ser natural de Castillo, junto a Santander na Cantábria.
Sabe-se que começou por trabalhar na Catedral de Burgos, seguindo depois para a Catedral de Sevilha. É de Sevilha que é chamado, pelo arcebispo D. Diogo de Sousa, para Braga, em 1509, para fazer a capela-mor da Sé. Vai depois para a Igreja Matriz de Vila do Conde.
Deve-se ter em conta que esta cidade vivia então um período glorioso, devido aos seus marinheiros e ao seu movimentado porto. Certo é que, de Vila do Conde, há-de ir João de Castilho para o Convento de Cristo de Tomar. Aí faz a celebrada porta da Igreja, como resposta famosa janela de Diogo de Arruda. Em breve porém lhe é entregue a direcção superior das obras do Convento, que irá manter até ao fim da vida (cerca de 1553).
Em breve também sucederá a Diogo Boitaca na direcção das obras do Mosteiro dos Jerónimos, onde ralizará obra do mais notável que a Europa do seu tempo produziu. Considerem-se o extraordinário pórtico sul (onde terá tido a colaboração de Gil Vicente, autor da Custódia de Belém - com que o portal ostenta tão visíveis afinidades), as colunas em palmeira que sustentam o tecto da igreja, o fantástico transepto, etc. O seu nome está ainda ligado conclusão do Claustro, onde parece possível ver também influência vicentina, sacristia, etc.
Mas não ficou por aqui a obra de João de Castilho. Reconhecido o seu génio criativo e a sua capacidade empreendedora, é chamado a fazer outra extraordinária e gigantesca obra, a Fortaleza de Mazagão.
O contacto com mestres de várias nacionalidades vai levá-lo a superar o Manuelino das suas realizações de Tomar e dos Jerónimos e a caminhar decididamente na direcção da Renascença. São de grande pureza clássica algumas criações que têm a sua assinatura em Tomar, quer no Convento quer na pequena Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
João de Castilho foi o maior arquitecto português do século XVI e um dos grandes da Europa do seu tempo.
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