Já
foi dito que “nada pode parar o fluxo de imagens,
palavras, sons e idéias contidos numa obra de Arthur
Omar" (Paulo Herkenhoff). Fluxo torrencial e velocidade
são também suas marcas pessoais. Arthur
Omar é um artista brasileiro múltiplo, com
presença de destaque em várias áreas
da produção artística contemporânea.
Realizou o longa-metragem Triste Trópico em 1974
e mais de 30 filmes e vídeos.
Trabalha
com cinema, vídeo, fotografia, instalações,
música, poesia, desenho, além de ensaios
e reflexões teóricas sobre o processo de
criação e a natureza da imagem. Em todos
os campos, Arthur Omar introduziu novas maneiras de pensar,
e contribuições radicais a uma renovação
das linguagens e das técnicas.
Temas
como o êxtase estético, a violência
sensorial e social e a construção de metáforas
visuais marcam toda sua obra, voltada para busca de uma
nova iconografia da realidade brasileira. Documentário
experimental, fotografia, vídeo-arte, moda, filme
de ficção e vídeo-instalações,
suas imagens migram e se transformam através dos
meios, suportes, linguagens.
Em
1999, teve retrospectiva completa de sua obra em filme
e vídeo no MOMA, Museu de Arte Moderna de Nova
York, e em 2001 no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)
do Rio e de São Paulo.
Na
Bienal de São Paulo de 1997, apresentou a instalação
fotográfica Antropologia da Face Gloriosa, painel
com 99 fotografias preto e branco em grande formato, parte
da um estudo do rosto e do êxtase fotográfico
como dimensão transcendental, série hoje
reconhecida como um clássico da fotografia brasileira.
Algumas dessas imagens vão dar origem a atual série
colorida A Pele Mecânica.
Foi
destaque na Bienal de São Paulo de 2002 com a série
Viagem ao Afeganistão, conjunto de 30 fotografias
em grandes dimensões compondo paisagens paradoxais
e perspectivas impossíveis, onde as imagens realizadas
na zona de catástrofe, entre Cabul e Bamyan, desconstroem
o olhar jornalístico, apontando para um realismo
pós-contemporâneo.
Em
2001 foi premiado por duas exposições individuais
pela Associação Paulista de Críticos
de Arte: O Esplendor dos Contrários (Centro Cultural
Banco do Brasil-SP), série de fotografias de paisagens
amazônicas, em que reinventa o espaço e a
luz e trabalha com efeitos em 3D e a exposição
Frações da Luz (Galeria Nara Roesler), série
de caixas de luz em que explora a serialidade e a luminosidade
"interna" de imagens vindas de diferentes suportes.
Sua
produção contemporânea em vídeo
traz uma linguagem extremamente sofisticada, com a criação
de metáforas visuais e relações inusitadas
entre imagens e sons (Atos do Diamante, Pânico Sutil,
A Lógica do Êxtase e o longa-metragem em
vídeo Sonhos e Histórias de Fantasmas, com
desdobramentos no campo das vídeo-instalações,
suporte para o qual desenvolveu uma linguagem própria
de forte impacto sensorial e marcada pela imersão
do espectador (Inferno, Fluxos).
Publicou
os livros de fotografias Antropologia da Face Gloriosa,
O Zen e a Arte Gloriosa da Fotografia, e O Esplendor dos
Contrários . A Lógica do Êxtase é
o livro de referência sobre sua obra em filme e
vídeo. Participa de mostras de Arte dentro e fora
do Brasil: Bienal de Valência 2000, Bienal do Mercosul
1999, Bienal de Havana em 2000, Babel-Museu de Arte Contemporânea
da Coréia 2002, ARCO 2000 e 2003, Foto Arte Brasília
2003, e LisboaPhoto 2003, onde ocupou a totalidade do
Pavilhão de Portugal da Expo com uma grande retrospectiva
de suas fotografias em preto e branco.