Djanira
da Motta e Silva (Avaré, 20 de junho de
1914 — Rio de Janeiro, 31 de maio de 1979) foi uma
pintora, desenhista, ilustradora, cartazista, cenógrafa
e gravadora brasileira.
Biografia
Nasceu
em Avaré, filha de Oscar Paiva e Pia Job Paiva
foi registrada inicialmente como Dijanira e que mais tarde
retificado pela artista em ação judicial.
Seus familiares a tratavam como Dja. Na década
de 1930 casou-se com Bartolomeu Gomes Pereira, um oficial
da Marinha Mercante, que morre na Segunda Guerra Mundial.
Aos
23 anos, é internada com tuberculose no Sanatório
Dória, em São José dos Campos onde
fez seu primeiro desenho: um Cristo no Gólgota.
Com a melhora, continua o tratamento no Rio de Janeiro,
e reside em Santa Teresa, por causa do seu ar puro. Em
1930, aluga uma pequena casa no bairro e instala uma pensão
familiar. Um de seus hóspedes, o pintor Emeric
Marcier, a incentiva e lhe dá aulas de pintura.
Djanira também freqüenta, à noite,
o curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios,
Nesse período trava contato com o casal Árpád
Szenes e Maria Helena Vieira da Silva, com Milton Dacosta,
Carlos Scliar, e outros que vivem em Santa Teresa e freqüentam
o meio artístico.
No
fim da década de 1930, na capital fluminense, tem
suas primeiras instruções de arte em curso
noturno de desenho no Liceu de Artes Ofícios e
com o pintor Emeric Marcier, hóspede da pensão
que Djanira instala no bairro de Santa Teresa. Os contatos
com os artistas Carlos Scliar, Milton Dacosta, Árpád
Szenes, Maria Helena Vieira da Silva e Jean-Pierre Chabolz,
freqüentadores da pensão, proporcionam um
ambiente estimulador que a leva a expor no 48º Salão
Nacional de Belas Artes, em 1942. No ano seguinte, realiza
sua primeira mostra individual, na Associação
Brasileira de Imprensa (ABI). Em 1945, viaja para Nova
York, onde conhece a obra de Pieter Bruegel e entra em
contato com Fernand Léger, Joan Miró e Marc
Chagall. De volta ao Brasil, realiza o mural Candomblé
para a residência do escritor Jorge Amado, em Salvador,
e painel para o Liceu Municipal de Petrópolis.
Entre 1953 e 1954, viaja a estudo para a União
Soviética. A sua pintura dos anos 40 é geralmente
sombria, utiliza tons rebaixados, como cinza, marrom e
negro, mas já apresenta o gosto pela disciplina
geométrica das formas. Na década seguinte,
sua palheta se diversifica, com uso de cores vibrantes,
e em algumas obras trabalha com gradações
tonais que vão do branco ao cinza-claro. Apresenta
em seus tipos humanos uma expressão de solene dignidade.
A
artista sempre busca aproximar-se dos temas de suas obras:
no fim da década de 1950, após convivência
de seis meses, pinta os índios Canela, do Maranhão.
Em 1950 em sua estada em Salvador ela conhece José
Shaw da Motta e Silva, o Motinha e com ele se casa no
Rio de Janeiro em 1952.
De
volta ao Rio de Janeiro, torna-se uma das líderes
do movimento pelo Salão Preto e Branco, um protesto
de artistas contra os altos preços do material
para pintura. Realiza em 1963, o painel de azulejos Santa
Bárbara, para a capela do túnel Santa Bárbara,
Laranjeiras, Rio de Janeiro. No ano de 1966, a editora
Cultrix publica um álbum com poemas e serigrafias
de sua autoria. Em 1977, o Museu Nacional de Belas Artes,
realiza uma grande retrospectiva de sua obra. Na década
de 1970, desce às minas de carvão de Santa
Catarina para sentir de perto a vida dos mineiros e viaja
para Itabira para conhecer o serviço de extração
de ferro.
Djanira
trabalha ainda com xilogravura, gravura em metal, e faz
desenhos para tapeçaria e azulejaria. Em sua produção,
destaca-se o painel monumental de azulejos para a capela
do túnel Santa Bárbara (1958) no Rio de
Janeiro. Inicialmente nomeada como “primitiva”,
gradualmente sua obra alcança maior reconhecimento
da crítica. Como aponta o crítico de arte
Mário Pedrosa (1900-1981), Djanira é uma
artista que não improvisa, não se deixa
arrebatar, e, embora possuam uma aparência ingênua
e instintiva, seus trabalhos são conseqüência
de cuidadosa elaboração para chegar à
solução final.
Luto
em Avaré pela morte da artista
“O
prefeito Fernando Cruz Pimentel, decretou luto oficial
por três dias em homenagem póstuma à
Djanira da Motta e Silva, falecida em 31 de maio de 1979
(quinta-feira) às 11h25 min., no Hospital Silvestre,
no Rio de Janeiro, vítima de enfarte. Contava com
65 anos. Seu médico particular era Dr. Nataliel
Rodrigues. A pintora manifestou em vida o desejo de ser
enterrada descalça e com o hábito de irmã
da Ordem Terceira do Carmo, instituição
religiosa a que estava ligada nos últimos anos.”
Em
sua memória, é criado em 31 de maio de 2000
o Centro Cultural Djanira da Motta, instalado em meio
a um bosque na área urbana, onde funcionou no passado
a estatal agrícola CAIC. O local recebeu o nome
da pintora Djanira, significando o tributo da cidade de
Avaré à “maior artista avareense de
todos os tempos”, cujas telas ficaram mundialmente
conhecidas por retratarem de forma genuína as cores
do Brasil. O espaço abriga a Biblioteca Municipal
“Prof. Francisco Rodrigues dos Santos”.
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Obras
mais conhecidas
* Painel de Santa Bárbara, 1958 (acervo do Museu
Nacional de Belas Artes MNBA – RJ)
* Festa do Divino em Parati, 1962 (acervo do Palácio
dos Bandeirantes)
* O circo, 1944 (acervo da FUNARTE)
* Senhora Sant'Ana de Pé (acervo do Museu de Arte
Moderna do Vaticano)
* Inconfidência, 1975 (acervo do Governo do Estado
de Minas Gerais)
* Serradores, 1959 (coleção Roberto Marinho)
* Anjo com Acordeão, 1962 (Coleção
Gilberto Chateaubriand – Museu Arte Moderna RJ).
* Pescadores, 1956 (Coleção Embaixador Taylor)
Obras
da artista em Avaré
(acervo
do Museu Histórico e Pedagógico Anita Ferreira
de Maria):
* Embarque de Bananas, 1957 (óleo sobre tela)
* Sem título, dec. 40 (óleo sobre tela)
* Viagem, 1967 (poema ilustrado)
* Canção, 1967 (poema ilustrado)
* Acalanto, 1967 (partitura musical para órgão)
* O Corvo, 1967 (poema ilustrado)
* Prelúdio para o Motta, 1967 (partitura musical
para órgão)
* Fabrico do açúcar, 1966 (serigrafia)