Em
1909 mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.
Em 1915, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes.
Viajou pela Europa em 1920, tendo freqüentado a Academia
Julian, em Paris.
De
volta ao Brasil, trabalhou em arquitetura no Patrimônio
Nacional do Ministério da Fazenda, onde conheceu
o poeta Murilo Mendes que se tornaria seu grande amigo.
Em
1922, casou-se com a poetisa Adalgisa Ferreira. Nessa
época realizou obras de tendência expressionista.
Em 1926, deu início ao seu sistema filosófico
de fundamentação católica e neotomista,
denominado de Essencialismo.
Em
1927 fez nova viagem a Europa, onde entrou em contato
com Chagall e outros surrealistas. Sua obra sofreu, também,
a influência metafísica de Giorgio de Chirico
e do cubismo de Picasso.
Seus
temas remetem-se sempre à figura humana: retratos,
auto-retratos e nus. Não se interessou pelos temas
nacionais, indígenas e afro-brasileiros, que considerava
regionalistas e limitados.
Dedicou-se
a várias técnicas aplicadas em desenhos
e ilustrações de livros. Foi, também,
cenógrafo.
Em
1929, depois de uma viagem à Argentina e Uruguai,
um diagnóstico revelou que ele era portador de
tuberculose, o que o levou a internar-se num sanatório
pelo período de dois anos. Saiu de lá aparentemente
curado porém, em 1933, a doença voltou de
forma irreversível.
A
partir daí, suas figuras tornaram-se mais viscerais
e mutiladas. Morreu em 1934, aos trinta e três anos
de idade, no Rio de Janeiro. Foi enterrado vestindo um
hábito dos franciscanos, numa homenagem dos frades
à sua ardorosa fé católica.
Costuma-se
dividir a obra de Ismael Nery em três fases: de
1922 a 1923, a Expressionista; de 1924 a 1927, a Cubista,
com evidente influência da fase azul de Pablo Picasso;
finalmente, de 1927 a 1934, adotou o Surrealismo, sua
fase mais importante e promissora.
A
obra de Nery permaneceu ignorada do público e da
crítica até 1965, quando teve seu nome inscrito
na 8ª Bienal de São Paulo, na Sala Especial
de Surrealismo e Arte Fantástica.
Suas
obras foram expostas também na 10ª Bienal
de São Paulo. Foram feitas retrospectivas em 1966,
no Rio de Janeiro, e em 1984, no MAC-USP (Retrospectiva
Ismael Nery - 50 Anos Depois).