MÁRCIA PINHEIRO DE OLIVEIRA

Márcia Pinheiro de Oliveira (Rio de Janeiro RJ 1959 - idem 2005) é artista plástica brasileira.

Márcia XEstudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage, Rio de Janeiro, no início dos anos 1980, tendo adotado o “X” ao seu nome após o desentendimento com a estilista carioca Márcia Pinheiro, já que a artista havia desfilado com “não roupas”, uma capa preta e uma outra transparente e sem nada por baixo. Seu companheiro de geração, Ricardo Basbaum resume o acontecimento:

A partícula-X foi adicionada ao nome de Márcia Pinheiro em conseqüência da performance Cellofane Motel Suite, apresentada em parceria com o polipoeta Alex Hamburger na Feira Internacional do Livro do Rio de Janeiro, naquele momento (1985) montada no Shoppping Fashion Mall, no bairro de São Conrado. Márcia vestia e demonstrava uma dupla camada de Não-Roupas, construídas a partir de sacos plásticos: uma não-roupa preta, sobre uma não-roupa transparente. Enquanto lia um poema (de sua autoria), Alex (vestido como homem-sanduíche) ia cortando a primeira camada de não-roupa (preta), revelando aos poucos a segunda camada (transparente): uma não-roupa que cobria mas não ocultava o corpo de Márcia, visível sob o plástico, em sua nudez performática. A presença de tal performance não autorizada num templo comercial da literatura (por mais culta que fosse a postura ultra-informada da dupla performática de vanguarda, ali não haveria espaço para eles) acabou por despertar a fúria do serviço de segurança do evento, culminando com um revólver apontado para a artista quase nua e seu partner, o poeta experimental; no dia seguinte, o acontecimento foi registrado nas páginas dos jornais, como mais uma daquelas efemérides exóticas que divertem leitores cansados. Acontece que a estilista homônima Márcia Pinheiro não gostou de ver um nome como o seu envolvido em fato tão escandaloso e tratou de enviar nota às colunas sociais, em que dizia: “Enquanto eu visto as pessoas, esta outra [notem o tom de desprezo blasé com que a socialite refere-se à artista avançada, afinada com seu tempo] tira a roupa”. Claro: para evitar ter sua imagem associada à da famosa estilista, Márcia então realiza a operação de anexar um “x” ao nome, acoplando-se definitivamente à partícula indicadora de movimentação contínua, sempre atenta a alguma coisa não feita, a mais uma coisa para se fazer. (artigo retirado da revista Concinittas, do Instituto de Artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)

Utilizando objetos eróticos, brinquedos infantis e objetos religiosos, suas performances e instalações são marcadas pela relação sexo/infância, em que objetos pornográficos são transformados em brinquedos infantis e estes em objetos eróticos. O movimento em suas peças evidencia a percepção do objeto como um corpo vivo. Sua perspectiva é subjetiva, o que confere a sua obra um caráter quase autobiográfico.

Márcia X destacou-se nos últimos 20 anos como uma grande batalhadora pela arte contemporânea experimental no país, utilizando-se com freqüência da performance como meio de expressão.

Em abril de 2006, sua obra “Desenhando com terços” (apresentada pela primeira vez em 2000) foi retirada da exposição “Erótica - Os sentidos da arte”, promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil, após denúncia de um empresário, por entender que a obra ofende o catolicismo. O grupo Opus Christi pressiona o Banco para que mantenha a exclusão da obra, que foi selecionada por Tadeu Chiarelli, do próximo destino da exposição em Brasília. O próprio Ministro da Cultura, Gilberto Gil, condenou o ato de censura. Finalmente, a direção do Banco decidiu que a exposição não seguiria para Brasília por apresentar ameaças à marca e aos negócios.

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