MOEDAS CIRENAICAS DO CORVO (AÇORES)
Moedas Cirenaicas do Corvo (Açores) é a designação dada pela historiografia açoriana a um conjunto de moedas antigas que em 1749 terão sido encontradas na sequência de uma forte tempestade que revolveu os sedimentos depositados junto à costa da ilha do Corvo, Açores. Essas moedas foram identificadas por especialistas da época (e mais tarde reconfirmadas) como sendo de origem cartaginesa e cirenaica e datadas dos anos 300 a 320 a.C. O assunto tem merecido escassa atenção nos Açores, pelo menos nos tempos mais recentes, mas continua a suscitar interesse entre os especialistas dadas as implicações de tal achado para a história das navegações no Atlântico. Para além das moedas, no corvo terá sido encontrada uma misteriosa estátua equestre, que se perdeu sem rasto quando, por ordem real, foi quebrada e levada para Lisboa.
O ARTIGO DE JOHANN FRANS PODOLYN
A primeira publicação de carácter científico referindo as moedas encontradas na ilha do Corvo deve-se a Johann Frans Podolyn, um numismata sueco que publicou no Göteborgske Wetenskap og Witterhets Samlingar (1778, vol. I, p.106) uma notícia intitulada Algumas anotações sobre as viagens dos antigos, derivadas de várias moedas cartaginesas e cirenaicas que foram encontradas em 1749 numa das ilhas dos Açores (em tradução inglesa: Some Annotations to the Voyages of the Ancient, Derived from Several Carthaginian and Cyrenian Coins Which Were Found on One of the Azores’ Islands).
Naquele artigo Podolyn afirma que em 1749, depois de vários dias de mar tempestuoso de oeste, que expôs parte da fundação das ruínas de um edifício de pedra existente numa praia da ilha do Corvo, foi descoberto um vaso de barro negro, quebrado, contendo no seu interior um grande número de moedas desconhecidas. As moedas foram levadas a um convento (provavelmente o convento franciscano de São Boaventura, em Santa Cruz das Flores) a partir do qual foram distribuídas por vários curiosos.
Parte das moedas foi enviada para Lisboa e daí ao padre Enrique Flórez, em Madrid. O padre Enrique Flórez de Setién y Huidobro (*1701 – †1773), da Ordem de Santo Agostinho, foi um conhecido historiador e numismata espanhol, à época o mais conhecido numismata ibérico.
Desconhece-se o número de moedas existente no vaso e quantas foram enviadas para Lisboa. O Padre Flórez recebeu 9 moedas, depois por ele descritas e estudadas. As moedas recebidas em Madrid eram duas moedas cartaginesas de ouro, cinco moedas, também cartaginesas, de cobre e duas moedas cirenaicas, também de cobre. O padre Flórez cedeu as moedas a Podolyn quando este visitou Madrid em 1761, dizendo-lhe que as moedas “representavam todos os tipos encontrados no Corvo” e que eram as melhor preservadas da colecção.
Na notícia publicada, acompanhada por imagem das moedas, Podolyn afirma que as mesmas, com excepção das de ouro, não são raras, sendo apenas notável o sítio onde foram encontradas, já que não se conhece notícia da presença de cartagineses nos Açores, embora seja possível ligar essa presença à famosa estátua equestre e inscrição que teriam sido encontradas no Corvo à época do povoamento.
ESTUDOS POSTERIORES
A partir da notícia de Podolyn e dos desenhos publicados, diversos estudiosos se têm pronunciado sobre o achado e as suas consequências para a história da navegação no Atlântico.
Atingiram notoriedade os estudos de Stechow-Münich, de Richard Hennig e de Jenkins e Lewis (Numisma, 1962). Deles se conclui pelo elevado grau de probalidade do achado das moedas ser genuíno, já que à época não existiam conhecimentos que permitissem seleccionar um grupo de moedas oriundas de um período tão curto (aprox. 340 a 320 .a C.). Resta saber se estas opiniões são finais e encontrar confirmação plena do percurso feito pelas moedas entre o Corvo e Gotemburgo, Suécia.
Licenciado sob a GNU Free Documentation License. Fonte de Wikipédia Moedas Cirenaicas do Corvo (Açores).