O
que acontece com a pessoa que opera da vesícula
(extrai a vesícula)? Terá algum problema
digestivo?
Não.
O Fígado de um adulto produz diariamente em torno
de 900 ml de bile (quase 1 litro). Mesmo sem a vesícula,
a bile produzida pelo fígado alcançará
seu destino final que é o intestino, percorrendo
um trajeto normal que é a via biliar principal.
Os canais biliares passarão a desempenhar o papel
da vesícula.
Podemos
comparar a liberação de bile com o fornecimento
de água para uma casa. A vesícula desempenharia
o papel de uma caixa d'água. No caso de um paciente
operado (sem vesícula), corresponderia à
uma casa sem caixa d'água, na qual nunca faltaria
o fornecimento de água da rede (pois a produção
de bile pelo fígado nunca para). A água
das torneiras da casa viria direto da água da rua
e não da caixa d'água. Como esta casa sempre
tem água quando precisa, assim também um
paciente operado não teria prejuízo no processo
digestivo.
O
que pode acontecer com pessoas com cálculos que
não são operadas?
Isso
depende do estado de saúde do paciente e do tamanho
dos cálculos.
De
uma maneira geral os cálculos podem bloquear a
saída de bile da vesícula biliar promovendo
um aumento de pressão da mesma, causando crises
de Cólica Biliar que podem cessar, repetindo de
tempos em tempos.
No
entanto pode evoluir com inflamação e possivelmente
uma infecção. Esse quadro é chamado
Colecistite Aguda.
A
colecistite aguda pode evoluir com necrose da parede da
vesícula e consequentemente perfuração.
Muitas
vezes evolui para empiema (secreção purulenta
no interior da vesícula).
Pode
evoluir para infecções graves com risco
de sepses (infecção generalizada), sendo
mais grave nos diabéticos e idosos.
A
colecistite aguda pode ainda evoluir para uma forma crônica
com possibilidade de períodos de agudização.
Quando
os cálculos são menores estes podem migrar
para dentro do canal biliar principal (colédoco)
provocando obstrução do fluxo de bile e
consequentemente icterícia (cor amarelada da pele
e dos olhos, semelhante a quem tem hepatite), ou algumas
vezes podem ocluir também o ducto pancreático
ao nível da papila podendo apresentar pancreatite
desde uma forma leve (edematosa) até uma forma
grave (necro-hemorrágica), muitas vezes fatal.
Quando
a vesícula está inflamada (Colecistite),
ela pode ser bloqueada por uma alça intestinal
que adere a parede da mesma, e uma fístula (comunicação)
entre estas duas estruturas pode ocorrer. Os cálculos
existentes mesmo de grande tamanho podem migrar para o
intestino. Estes cálculos maiores podem causar
uma obstrução intestinal (íleo biliar).
A
maioria das pessoas com câncer de vesícula
biliar possui cálculos de vesícula biliar,
sendo raro pessoas com câncer de vesícula
sem cálculos. Portanto a litísase é
considerada um fator predisponente ao câncer de
vesícula.
Como
podem ser diagnosticados estes cálculos?
A
ultra-sonografia abdominal é o método de
escolha, pois além de um método simples,
indolor e de baixo custo, faz o diagnóstico na
maioria dos casos.
Os
cálculos de vesícula podem desaparecer sem
cirurgia?
Dificilmente.
Em
algumas situações, pequenos cálculos
podem migrar para a via biliar principal (colédoco),
atravessar a papila e atingir o intestino. No entanto
existe possibilidade destes cálculos pararem no
colédoco, causando obstrução biliar.
Ou ainda pior, podem encravar na papila ocluindo também
o fluxo de suco pancreático, ocorrendo assim a
pancreatite.
Por
que as pessoas apresentam cálculos?
Varios
fatores podem estar envolvidos na etiologia dos cálculos
biliares entre eles citamos:
* Genéticos
* Ambientais
* Idade
* Sexo e Hormônios
* Paridade
* Obesidade
* Hiperlipidemias
* Diabetes
* Doenças intestinais
* Cirrose
* Doenças hemolíticas
* Infecção biliar ou parasitose
* Hiperparatireoidismo
* Cirurgias Gástricas
* Porfiria
* Estenose do ducto biliar principal
* Pancreatite
* Câncer de vesícula