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>>> Doenças >>> Cólera |
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A
Cólera (ou cólera asiática)
é uma doença causada pelo vibrião
colérico (Vibrio cholerae), uma bactéria
em forma de vírgula ou bastonete que se multiplica
rapidamente no intestino humano produzindo potente toxina
que provoca diarréia intensa. Ela afecta apenas
os seres humanos e a sua transmissão é directamente
dos dejectos fecais de doentes por ingestão oral,
principalmente em água contaminada.
A cólera provavelmente originou-se no vale do rio
Ganges, Índia. As epidemias surgiam invariavelmente
durante os festivais hindus realizados no rio, em que
grande numero de pessoas se banhava em más condições
de higiene. O vibrião vive naturalmente na água
e infectava os banhantes que depois o transmitiam por
toda a India nas suas comunidades de origem. Algumas epidemias
também surgiram devido a peregrinos nos países
vizinhos com aderentes da religião hindu, como
Indonésia, Birmânia e China.
Foi
descrita pela primeira vez no século XVI pelo português
Garcia da Orta, trabalhando na sua propriedade, Bombaim,
no Estado da Índia Português. Foi o inglês
John Snow que descobriu a relação entre
água suja e cólera em 1854. A bactéria
Vibrio cholerae foi identificada pelo célebre microbiologista
Robert Koch em 1883.
Foi
só em 1817, com o estabelecimento do Raj britânico
na India, e particularmente na região de Calcutá,
espalhou-se a cólera pela pimeira vez para fora
da região da India e paises vizinhos. Ela foi transportada
por militares ingleses nos seus navios para uma série
de portos e a sua disseminação tra-la-ia
à Europa e Médio Oriente, onde até
então era desconhecida. Em 1833 chegou aos EUA
e México, tornando-se uma doença global.
Numa
das primeiras epidemias no Cairo, matou 13% da população.
Estabeleceu-se em Meca e Medina, onde as peregrinações
religiosas muçulmanas do Hajj permitiam concentrações
suficientes de seres humanos para se dar a cadeia de trasnmissão
da epidemia, assim como nas cidades grandes da Europa.
Na Arábia foi endémica até ao século
XX, matando inúmeros peregrinos, tendo sido aí
que surgiu o agora disseminado serovar eltor. A disseminação
pelos peregrinos, vindos de todo o mundo muçulmano
de Marrocos até às Indonésia, foi
importante na sua globalização assim como
os navios comerciais europeus.
Durante
o século XIX, surgiram abruptamente várias
epidemias nas cidades europeias, matando milhares em epidemias
em Londres, Paris, Lisboa e outras grandes cidades. Uma
dessas epidemias em Londres, 1854 levou ao estabelecimento
das primeiras medidas de saúde pública,
após constatação que poços
contaminados estavam na origem da doença, pelo
médico John Snow.
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O
vibrião da cólera é Gram-negativo e
tem a fomra de uma virgula com cerca de 1-2 micrómetros.
Possui flagelo locomotor terminal. Estes vibrios, tal como
todos os outros, vivem naturalmente na água dos oceânos,
mas aí o seu numero é tão pequeno que
não causam infecções. Há casos
anedoticos de transmissão em ostras, que concentram
os organismos serão extremamente raros.
O
vibrio é ingerido com água suja e multiplica-se
localmente no intestino delgado proximal. Causa diarreia
aquosa intensa devido aos efeitos da sua poderosa enterotoxina.
Esta toxina tem duas proções A e B (toxina
AB). A porção B é especifica para
receptores presentes na membrana do enterócito,
causando a sua endocitose (englobamento e internalização
pela célula). A porção A, é
a toxina propriamente dita, ligando-se à enzima
adenilato ciclase e provocando súbida abrupta dos
niveis de AMPc intracelulares. O AMPc é um mediador
que se liga à proteína cinase A, que por
sua vez activa outras proteínas que afectam os
canais de cloro, provocando a secreção de
cloro, sódio e água associada descontrolada
pela célula no lúmen intestinal. O vibrião
não é invasivo e permanece no lúmen
do intestino durante toda a progressão da doença.
O
factor que transforma uma estirpe de vibrião não
virulenta numa altamente perigosa parece ser a infecção
da bactéria por um fago (espécie de virus
que infecta bactérias). Esse fago, o CTX-fí,
contém os genes da toxina (ctxA e ctxB) que injecta
aquando da sua infecção à bactéria.
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A
cólera é transmitida através da ingestão
de água ou alimentos contaminados com fezes humanas.
São necessários em média 100 milhões
de vibrios (e no mínimo um milhão) ingeridos
para se estabelecer a infecção, uma vez que
não são resistentes à acidez gástrica
e morrem em grandes numeros na passagem pelo estômago. |
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A
incubação é de cerca de cinco dias.
Após esse período começa abruptamente
a diarreia aquosa e serosa, tipo água de arroz.
As
perdas de água podem atingir os 20 litros por dia,
com desidratação intensa e risco de morte,
particularmente em crianças. Como são perdidos
na diarreia sais assim como água, beber água
doce ajuda mas não é tão eficaz como
beber água com um pouco de sal. Todos os sintomas
resultam da perda de água e electrólitos:
* Diarreia volumosa e aquosa, sempre sem sangue ou muco
(se contiver estes elementos trata-se de disenteria).
* Dores abdominais tipo cólicas.
* Nauseas e vómitos.
* Hipotensão com risco de choque hipovolémico
(perda de volume sanguineo) mortal, é a principal
causa de morte na cólera.
* Taquicardia: aceleração do coração
para responder às necessidades dos tecidos, com
menos volume sanguineo.
* Anuria: diminuição da micção,
devido à perda de liquido.
* Hipotermia: a água é um bom isolante térmico
e a sua perda leva a maiores flutuações
perigosas da temperatura corporal.
O
risco de morte é de 50% se não tratada,
sendo muito mais alto em crianças pequenas. A morte
é particularmente impressionante: o doente fica
por vezes completamente mirrado pela desidratação,
enquanto a pele fica cheia de coágulos verde-azulados
devido à ruptura dos capilares cutâneos.
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A
cólera é uma doença de notificação
obrigatória às autoridades sanitárias.
A
cólera é uma doença que existe em
todos os países em que medidas de saúde
pública não são eficazes para a eliminar.
Ela já existiu na Europa mas com os altos niveis
de saúde pública dos países europeus,
foi já eliminada no inicio do século XX,
com excepção de pequeno numero de casos.
A
região da América do Sul é hoje a
mais frequentemente afectada por epidemias de cólera,
juntamente com a India. Neste último país,
as grandes concentrações pouco higiénicas
de multidões durante os rituais religiosos hindus
no rio Ganges, são todos os anos ocasião
para nova epidemia do vibrião. Também existe
de forma endémica na África e outras regiões
trocpicais da Ásia.
Os
seres humanos e os seus dejectos são a única
fonte de infecção. Só quando água
ou comida suja com fezes humanas é ingerida podem
suficientes quantidades de bactérias ser ingeridas
para causar a doença. As crianças, que têm
a tendência para pôr tudo na boca, são
mais atingidas. As pessoas infectadas eliminam nas suas
fezes quantidades extremamente altas de bactérias,
sendo os portadores (individuos que possuem o vibrio no
intestino mas que não desenvolvem a doença)
muito raros. Há alguns casos ratrissimos em que
individuos contrairam a doença após comerem
ostras contaminadas.
Existem
vários serovars ou estirpes de vibrião da
cólera. O eltor tem uma virulência menor
e tem se tornado importante desde o seu surgimento em
1961, na Arábia.
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O
diagnóstico é por cultura em meio especializado
alcalino de amostras fecais. A identificação
é por microscopia e bioquimica.
Tratamento
O
tratamento imediato é o soro fisiológico
ou soro caseiro para repor a água e os sais minerais:
uma pitada de sal, meia xícara de açúcar
e meio litro de água tratada. No hospital, é
administrada de emrgência por via intravenosa solução
salina. A causa é adicionalmente eliminada com
doses de antibióticos, dos quais o primeiro a ser
usado é a tetraciclina, e depois o cotrimexazole.
A
higiene e o tratamento da água e do esgoto são
as principais formas de prevenção. A fervura
da água de consumo é eficaz na destruição
da bactéria.
A
vacina existente é de baixa eficácia (50%
de imunização), o seu efeito dura apenas
de 3 a 6 meses após a administração.
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| EFEITOS
GENÉTICOS NAS POPULAÇÕES
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Os
individuos com a doença genética ou estatuto
de portador do gene da fibrose cística, são
parcialmente resistentes aos efeitos da coléra. Nas
regiões mais afectadas desde tempos imemoriais (India),
a frequencia deste gene é muito superior ao de outras
regiões. |
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| O CASTELO
ANIMADO é tão maravilhoso quanto A VIAGEM DE CHIHIRO. |
Mais um grande
sucesso em animação da parceria Disney/Pixar. |
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