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>>> Doenças >>> Doença
do Sono |
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A
Doença do Sono ou Tripanossomíase
Africana é uma doença frequentemente fatal
causada pelo parasita unicelular Trypanosoma brucei. Há
duas formas: uma na África Ocidental, incluindo
Angola e Guiné-Bissau, causada pela subespécie
T.brucei gambiense, que assume forma crónica, e
outra na África Oriental, incluindo Moçambique,
causada pelo T.brucei rhodesiense, forma aguda. Ambos
os parasitas são transmitidos pela picada da mosca
tsétsé (moscas do género Glossina).
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* Reino: Protista
* Filo: Euglenozoa
* Classe: Kinetoplastea
* Ordem: Trypanosomatida
* Género: Trypanosoma
O
T.brucei é um parasita eucariota unicelular cujo
género inclui ainda o T.cruzi, que causa a doença
de Chagas.
O
tripomastigota (comprimento de 20 micrómetros),
a forma activa no sangue do Homem, tem núcleo central,
uma única grande mitocôndria alongada, que
contém o cinetoplasto,zona com o DNA mitocondrial.
Tem ainda um flagelo que lhe dá mobilidade. A sua
membrana celular ondulante (devido aos movimentos flagelares)
é recoberta de glicoproteínas pouco imunogénicas,
permitindo-lhe passar despercebido. As formas epimastigota
e promastigota (formas na mosca tsétsé)
são mais condensadas. Contêm ainda glicossoma,
grânulos ricos em glicogénio.
O
T.brucei gambiense causa a variante ocidental e é
menos virulento que o T.brucei rhodesiense que causa a
variante oriental. O T.brucei brucei não causa
doença em seres humanos, mas causa a doença
nagana em alguns animais domésticos.
A
glicoproteína que o parasita exprime na sua membrana
é reciclado continuamente com outros tipos de glicoproteína
(codificados pela família de mais de mil genes
VSSA, dos quais em um momento apenas um está a
ser transcrito). A mudança dos antigénios
externos permite-lhe escapar largamente ao sistema imunitário,
pois quando anticorpos especificos contra um tipo de glicoproteína
já estão fabricados, ele já mudou
o gene que exprime e a glicoproteína já
é outra.
Ciclo
de Vida
O
parasita existe na saliva das moscas tsétsé
e é injectado quando estas se alimentam de sangue
humano. Ao contrário do seu primo americano, o
tripomastigota T.brucei não invade as células
(nem assume forma de amastigota), alimentando-se e multiplicando-se
enquanto tripomastigota nos fluidos corporais, incluindo
sangue e fluido extracelular nos tecidos. Uma nova mosca
Glossina é infectada quando se alimenta de individuo
contaminado. Ao longo de cerca de um mês, o parasita
assume várias formas (epimastigota principalmente)
enquanto se multiplica no corpo da mosca, invadindo finalmente
as glândulas salivares do insecto (as moscas vivem
cerca de 6 meses).
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A
Doença do Sono ocorre apenas em África, nas
zonas onde existe o seu vector, a mosca tsétsé.
Não existe na África do Sul nem a norte do
deserto Saara. Haverá cerca de meio milhão
de pessoas infectadas em cerca de 40 países africanos.
A
subespécie gambiense existe apenas a oeste do vale
do grande rift africano, nas florestas tropicais, sendo
um problema grave em países como os Congos (antigo
Zaire), Camarões e Norte de Angola. A transmissão
é principalmente de humano para humano, com menor
importancia dos reservatórios animais. As moscas
transmissoras são as Glossina palpalis, que se
concentram junto aos rios, lagos e poços.
A
subespécie rodesiense existe a leste do grande
rift, principalmente na região dos grandes lagos,
nas savanas: Tanzânia, Quénia, Uganda e Norte
de Moçambique. Os antilopes, gazelas e animais
domésticos são reservatórios importantes
do parasita. Transmitido pelas moscas Glossina morsitans.
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Após
a picada infecciosa, o parasita multiplica-se localmente
durante cerca de 3 dias, desenvolvendo-se por vezes uma
induração ou inchaço edematoso, denominado
de cancro tripanossómico, que desaparece após
três semanas, em média. O inchaço não
surge na grande maioria dos casos de infecção
pelo T. gambiense e apenas em 50% dos casos de infecção
com T. rodesiense.
O
parasita dissemina-se durante 1-2 semanas (T. gambiense)
ou 2-3 semanas (T.rodesiense) da picada pelo corpo do
doente. O T. gambiense produz muito mais alta parasitemia
que o T. rodesiense. Os sintomas são todos durante
as fases de replicação ou parasitémia.
Os parasitas multiplicam-se no sangue, a maioria com uma
mesma glicoproteina de membrana. No entanto alguns poucos
trocam a glicoproteina por outra de dentro do seu leque
de 1000 genes para essas proteínas, num processo
aleatório. Quando o sistema imunitário produz
anticorpos especificos contra a glicoproteína dominante,
a maioria dos parasitas é destruida, mas não
os poucos que, por acaso já tinham trocado a glicoproteina
que usam. Os sintomas cessam, mas os parasitas com a glicoproteína
diferente não são afectados pelos anticorpos
produzidos e multiplicam-se, gerando nova onda parasitémica
e de sintomas. Então são produzidos novos
anticorpos contra a nova glicoproteína dominante,
que mais tarde são eficazes em destruir a maioria
dos parasitas excepto aqueles poucos que já trocaram
novamente a glicoproteína que usam, e assim por
diante. O resultado são ondas de multiplicação
e sintomas agudos que vão aumentando até
originar sintomas do tipo crónico, após
muitos danos. A grande quantidade de anticorpos produzidos
leva à formação de complexos dessas
proteínas, que activam o complemento e causam também
directamente danos nos endotélios dos vasos e nos
rins. Os danos nos vasos geram os edemas, e microenfartes
no cérebro, enquanto a anemia é devida à
destruição acidental pelo complemento dos
eritrócitos.
Os
sintomas iniciais e recorrentes são a febre, tremores,
dores musculares e articulares, linfadenopatia (ganglios
linfáticos aumentados), mal estar, perda de peso,
anemia e trombocitopenia. Na infecção por
T.rodesiense pode haver danos cardiacos com insuficiencia
desse orgão. Há frequentemente hiperactividade
na fase aguda.
Mais
tarde surgem sintomas neurológicos e meningoencefalite
com retardação mental. Na infecção
por T.gambiense a invasão do cérebro é
geralmente após seis meses de progressão,
enquanto o T.rodesiense pode invadi-lo após algumas
semanas apenas. Sintomas típicos deste processo
são as convulsões epilépticas, sonolência
e apatia progredindo para o coma. A morte segue-se entre
seis meses a seis anos após a infecção
para o T.gambiense, e quase sempre antes de seis meses
para o T.rodesiense.
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O
diagnóstico é geralmente pela detecção
microscópica dos parasitas no sangue ou liquido cefalo-raquidiano.
Também se utiliza a inoculação do sangue
em animais de laboratório, se a parasitémia
for baixa, ou a detecção do seu DNA pela PCR.
Na
fase aguda, o tratamento com pentamidina é eficaz
contra Tgambiense, e a suramina contra T.rodesiense. No
entanto a resistência é crescente a estes
fármacos. Na fase cerebral, já poderá
haver danos irreversiveis. É necessário
usar o tóxico melarsoprol, que mata sem ajuda do
parasita 1-10% dos doentes, ou no caso do T.gambiense
eflornitina.
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As
Glossina, ao contrário de quase todos os outros insectos
que picam humanos são mais activas de dia, logo dormir
em redes apesar de aconselhado, não protege tanto
como protege contra malária, cujo mosquito é
nocturno. É necessário usar roupas que cobrem
a maioria da pele e sprays repelentes de insectos. O uso
de aparelhos coloridos eléctricos que atraem e matam
as moscas é útil. A destruição
das populações de moscas é eficaz para
a erradicação da doença. |
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| O CASTELO
ANIMADO é tão maravilhoso quanto A VIAGEM DE CHIHIRO. |
Mais um grande
sucesso em animação da parceria Disney/Pixar. |
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