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LEISHMANIOSE
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A Leishmaniose ou Leishmaníase é a doença provocada pelos parasitas unicelulares do género Leishmania. Há dois tipos de leishmaníase: visceral, que ataca os orgãos internos e mucocutânea, que ataca as mucosas e a pele. No Brasil existem ambas as formas, enquanto em Portugal existem apenas alguns casos raros, mas endémicos em algumas regiões, de leishmaníase visceral. As Leishmania são transmitidas pelos mosquitos fêmeas dos géneros Phlebotomus (velho mundo) ou Lutzomyia (novo mundo).

LEISHMANIA
* Reino: Protista
* Filo: Euglenozoa
* Classe: Kinetoplastea
* Ordem: Trypanosomatida
* Género: Leishmania

As Leishmania são protozoários que são parasitas intracelulares das células humanas, especialmente dos macrófagos. São capazes de resistir à destruição após a fagocitose. As formas promastigotas (infecciosas) possuem um flagelo locomotor, que utilizam nas fases extracelulares do seu ciclo de vida. O amastigota (reprodutivo) não tem flagelo.

Há 14 espécies patogénicas para o ser humano. As mais importantes são:

* As espécies L.donovani, L.infantum, e L.chagasi que podem produzir a leishmaniose visceral, mas em casos leves apenas manifestações cutâneas.

* As espécies L.major, L.tropica, L.aethiopica, L.mexicana, L.braziliensis e L.peruviana que produzem a Leishmaniose cutânea ou a mais grave mucocutânea.

Ciclo de Vida

O ciclo de vida das espécies é ligeiramente diferente mas há pontos comuns. São libertados no sangue pela picada de dois géneros atípicos de mosquitos (noutras linguas como inglês nem são denominados mosquitos, mas antes sandflies). As leishmanias na forma de promastigotas e ligam-se por receptores especificos aos macrófagos, pelos quais são fagocitadas. Elas são imunes aos ácidos e enzimas dos lisossomas com que os macrofagos tentam digeri-las e transformam-se nas formas amastigotas após algumas horas (cerca de 12h). Então começam a multiplicar-se por divisão binária, saindo para o sangue ou linfa por exocitose e por fim destruição da célula, e invadindo mais macrófagos. Os amastigotas ingeridos pelos insectos transmissores demoram oito dias ou mais a transformarem-se em promastigotas e multiplicarem-se no seu intestino, migrando depois para as probóscides.

EPIDEMIOLOGIA
Os parasitas são transmitidos pela picada dos mosquitos Phlebotomus no velho mundo e Lutzomyia no novo. Em Portugal a leishmaníase visceral por L.infantum não é rara, sendo transmitida pelo Phlebotomus perniciosus.

1. Leishmaniose principalmente visceral (organismos mais agressivos):
* A L.donovani é a mais frequente causa de leishmaniose visceral. É transmitida pelo Phlebotomo e existe no subcontinente indiano e na África equatorial (rara em Angola e Moçambique). O reservatório são os seres humanos e os cães.

* A L.infantum provoca uma variante menos grave da leishmaniose visceral e existe na região mediterrânica, incluindo países do Norte de África, Turquia, Israel, Grécia, Itália, sul da França, Portugal e Espanha e ainda nos Balcãs, Irão, algumas regiões da China e Ásia central. É transmitida pelo Phlebotomus e o seu reservatório são os cães, lobos e raposas. Em Portugal é mais frequente em regiões como Coimbra e a Beira Litoral e na região do rio Sado.

* A L.chagasi existe na América Latina, incluindo Brasil. O insecto transmissor é o mosquito Lutzmyia. Reservatórios nos cães e gambiás.

2. Leishmaniose principalmente cutânea (organismos de virulência baixa):

* L.major: Norte de África, Médio Oriente e Ásia central. Transmitida pelo Phlebotomus. Reservatório em roedores.

* L.aethiopica: Esiste na Etiópia e no Quénia. Phlebotomus. Reservatório nos Hyrax, espécies de pequenos mamiferos.

3. Leishmaniose principalmente mucocutânea (virulência intermédia):
* L.mexicana: América central, e Sul dos EUA (especialmente no Texas). Transmissão pelo Lutzomyia. O reservatório são os roedores.

* L.braziliensis: existe em todo o Brasil, Venezuela, Colômbia e Guianas. Lutzomyia. Reservatório em roedores e gambiás.

* L.peruviana: predomina nos paises andinos. Reservatório nos cães.

PROGRESSÃO E SINTOMAS
O resultado de uma infecção com leishmanias pode tomar dois cursos. Na maioria dos casos o sistema imunitário reage eficazmente pela produção de uma resposta citotóxica (resposta TH1) que destroi os macrófagos portadores de leishmanias. Nestes casos a infecção é controlada e os sintomas leves ou inexistentes, curando-se o doente ou desenvolvendo apenas manifestações cutâneas. No entanto se o sistema imunitário escolher antes uma resposta (humoral ou TH2) com produção de anticorpos, não será eficaz a destruir as leishmanias que se escondem no interior dos macrófagos, fora do alcance dos anticorpos. Nestes casos a infecção progride para a leishmaniose visceral, uma doença grave, ou no caso das espécies menos virulentas para manifestações mucocutâneas mais agressivas e crónicas. Naturalmente que um individuo imunodeprimido não reage com nenhuma resposta imunitária vigorosa, e estes, especialmente os doentes com SIDA/AIDS, desenvolvem progressões muito mais perigosas e rápidas com qualquer dos patogénios. Em Portugal, Espanha, Itália e França este grupo têm ultimamente formado uma percentagem grande dos doentes com formas de leishmaniose graves.

A leishmaniose visceral, também conhecida por kala-azar ou febre dumdum, tem um periodo de incubação de vários meses a vários anos. As leishmanias danificam os orgãos ricos em macrofagos, como o baço, o fígado, e a medula óssea. Caracteriza-se na minoria de individuos que desenvolvem sintomas por inicio insidioso de febre, tremores violentos, diarreia, suores, mal estar, fatiga, hepatoesplenomegália, anemia, leucopenia e por vezes manifestações cutâneas como úlceras e zonas de pele escura (denominado kala azar, doença preta em hindi e persa), em adultos principalmente. Se não tratada é mortal num periodo curto ou após danos crónicos durante alguns anos, especialmente em doentes com SIDA/AIDS.

A leishmaniose cutânea tem uma incubação de algumas semanas a alguns meses após o que surgem sintomas como surgimento de pápulas ulcerantes extremamente irritantes nas zonas picadas pelo mosquito, que progridem para crostas com liquido seroso. Há também escurecimento por hiperpigmentação da pele, com resolução das lesões em alguns meses com formação de cicatrizes inestéticas. A leishmaniose mucocutânea é semelhante mas com maiores e mais profundas lesões, que se estendem às mucosas da boca, nariz ou genitais.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
O diagnóstico é pela observação directa microscópica dos parasitas em amostras de linfa ou sanguineas; após cultura ou por detecção do seu DNA por PCR.

O tratamento é por administração de compostos antimóniais, pentamidina, anfotericina ou miltefosina. A prevenção é por redes ou repelentes de insectos, e pela erradicação dos Phlebotomus/Lutzomyia.

O CASTELO ANIMADO é tão maravilhoso quanto A VIAGEM DE CHIHIRO. Mais um grande sucesso em animação da parceria Disney/Pixar.
 
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