O
sarampo pode causar complicações como otite,
pneumonia (oriunda do próprio vírus do sarampo
ou secundariamente, por bactérias) e encefalite.
O sarampo geralmente é mais grave em desnutridos,
gestantes, recém-nascidos e pessoas portadoras
de imunodeficiências. Em gestantes, pode causar
abortos espontâneos e parto prematuro, embora não
sejam conhecidos casos de malformações congênitas
associadas à infecção pelo sarampo.
A doença também pode agravar a tuberculose,
em pessoas ainda não tratadas dessa doença
pulmonar.
A
encefalite geralmente ocorrem em 15% dos casos (0,5% resultam
em morte) e surge uma semana depois do inicio da doença.
Outra forma de encefalite, pós infecciosa, será
de natureza auto-imune. A pneumonia por bactérias
oportunistas é responsável por 60% das mortes
por sarampo.
A
infecção por vírus mutante pode dar
origem a um terceiro tipo de encefalite muito grave, encefalite
esclerosante sub-aguda, numa pequena minoria de doentes
(7 em um milhão), ocorrendo vários anos
após o episódio agudo, com distúrbios
nas funções intelectuais (memória,
personalidade, comportamento).
A
mortalidade é de 0,1% em crianças de boa
saúde e nutrição, mas pode subir
até 25% em crianças subnutridas.
Diagnóstico
e Tratamento
O
diagnóstico é clinico devido às caracteristicas
muito típicas, especialmente as manchas de Koplik.
Pode ser feita detecção de antigénios
em amostra de soro.
Não
há cura. A prevenção é por
vacina de virus vivo de baixa virulência.
História
O
Sarampo hoje é uma doença de infância
pouco perigosa mas não terá sido sempre
assim. A alta mortalidade que provocou nos ameríndios
sem defesas imunitárias ou genéticas quando
foi introduzido na América no seguimento da descoberta
de Colombo, indica que a sua introdução
na Europa poderá ster sido igualmente traumática,
e terá provavelmente ocorrido nos últimos
séculos da existência do Império romano,
em cujo declínio e queda as suas epidemias combinadas
com as da varíola terão tido importância
significativa.
A
doença era desconhecida antes da era cristã,
Hipócrates não descreve nada parecido. A
epidemia terá surgido na Europa nos séculos
II e III dC, matando grande proporção da
população totalmente não imune do
Império romano, como mais tarde faria na América,
e sendo um factor principal do declínio dessa civilização.
Segundo alguns autores conceituados (o historiador William
McNeil entre outros) terá sido a queda da população
de Roma e do seu império devido às doenças
antes desconhecidas varíola, sarampo e varicela
que diminuiu a população do império
ao ponto de leis serem decretadas da herediteriedade das
profissões, postos oficiais e redução
à servidão dos agricultores antes livres,
dando origem ao feudalismo. Nesta situação
de debilidade, os povos germânicos e outros terão
encontrado a oportunidade de se estabelecer nas terras
quase vazias devido à epidemia no império,
de inicio com a aquisciência dos oficiais romanos,
desesperados com a queda dos rendimentos fiscais. Só
depois desta época teram sido a varíola
e o sarampo frequentes na Europa, e naturalmente atingindo
as crianças não imunes, ao contrário
das epidemias raras, que matam os adultos. A infecção
das crianças, com morte das susceptiveis mas imunidade
para as sobreviventes, é menos danosa para uma
civilização que a de adultos já ensinados,
donde se explica os graves problemas criados em Roma pela
morte de adultos que não tinham encontrado a doença
nas suas infâncias.
Na
China o panorama terá sido semelhante, e também
aí caiu pela mesma altura o Império Han.
Julga-se que estas doenças terão sido importadas
simultaneamente nessa altura da Índia para as duas
grandes civilizações dos extremos da Eurásia,
e não será talvez coincidência que
foi precisamente nos século I e século II
dC que as rotas comerciais para a India e a rota da seda
para a China foram estabelecidas pela primeira vez, ligando
as três regiões com grande débito
de mercadorias e comerciantes.
O
sarampo foi um dos principais responsáveis pela
destruição das populações
nativas da América após a sua importação
da Europa com Colombo. Juntamente com a Varíola,
Varicela e outras doenças, ela matou mais de 90%
da população do continente, derrotando e
destruindo as civilizações Asteca e Inca
muito mais que Hernán Cortéz e Francisco
Pizarro alguma vez seriam capazes.
A
primeira descrição reconhecivel do sarampo
é atribuida ao médico árabe Ibn Razi
(860-932) (conhecido como Rhazes na Europa). O virus foi
isolado apenas em 1954, e a vacina foi desenvolvida em
1963.