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>>> Doenças >>> Tétano |
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O
Tétano é uma doença
infecciosa grave que frequentemente mata. É causada
pela neurotoxina tetanospasmina que é produzida
pela bactéria anaeróbica Clostridium tetani.
A primeira notícia que se tem da doença
é de autoria de Hipócrates, que escreve
no século V a.C., dando inúmeras descrições
clínicas da doença. Contudo a sua etiologia
(causa) foi descoberta somente em 1884, por Carle e Rattone.
A primeira imunização passiva contra a doença
foi implementada durante a Primeira Guerra Mundial.
Durante
muitos anos o antídoto era feito por injecção
de toxina em cavalos, e o seu soro rico em anticorpos
antitoxina era administrado aos doentes. Contudo este
processo gerava reacções imunitárias
contra os anticorpos do cavalo, um problema denominado
de doença do soro. Por essa razão, cada
pessoa só podia receber antídoto uma vez
na vida, pois a reacção do seu sistema imunitário
contra o anticorpo de cavalo era quase sempre fatal à
segunda toma.
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Bacilo
de C. tetani podem ser encontrados no solo (especialmente
aquele utilizado para agricultura), nos intestinos e fezes
de cavalos, carneiros, gado, ratos, cachorros, gatos, porquinhos
da Índia e galinhas. Os esporos são encontrados
também em solos tratados com adubo animal, na superfície
da pele e heroína contaminada.
Hoje
em dia, com os programas de vacinação universais,
o tétano é raro nos países desenvolvidos.
Há contudo 300000 casos mundiais por ano, com mortalidade
de 50%.
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A
contaminação de feridas com esporos leva ao
desenvolvimento e multiplicação local de bacilos.
Eles não são invasivos e não invadem
outros orgãos, permanecendo junto à ferida.
Aí formam as suas toxinas, que são responsáveis
pela doença e por todos os sintomas.
O
período de incubação pode variar
de 3 a 21 dias (sendo o mais comum 8 dias). Em casos de
recém-nascidos, o período de incubação
é de 4 a 14 dias, sendo 7 o mais comum. Na maioria
dos casos, quanto mais afastada do sistema nervoso estiver
a ferida, mais longo é o período de incubação.
O período de incubação e a probabilidade
de morte são inversamente proporcionais.
O
tétano caracteriza-se pelos espasmos musculares
e suas complicações. Eles são provocados
pelos mais pequenos impulsos, como barulhos e luzes, e
continuam durante períodos prolongados. O primeiro
sinal de Tétano é (trismus), ou seja contracção
dos músculos mandibulares, não permitindo
a abertura da boca. Isto é seguido pela rigidez
do pescoço, costas, risus sardonicus (riso causado
pelo espasmo dos músculos em volta da boca), dificuldade
de deglutição, rigidez muscular do abdômen.
O paciente permanece lúcido e sem febre. A rigidez
e espasmos dos músculos estendem-se de cima para
baixo no corpo. Sinais típicos de tétano
incluem uma elevação da temperatura corporal
de entre 2 a 4°C, diaforese (suor excessivo), aumento
da tensão arterial, taquicardia (batida rápida
do coração). Os espasmos duram de 3 a 4
semanas, e recuperação completa pode levar
meses. Cerca de 30% dos casos são fatais, por asfixia
devido a espasmos contínuos do diafragma. A maioria
das mortes ocorre com pacientes idosos. Em países
em vias de desenvolvimnto este número pode ser
até 60%.
Complicações
da doença incluem espasmos da laringe (cordas vocais),
músculos secundários (aqueles do peito usados
para respiração), e diafragma (o músculo
primário usado na respiração); fraturas
de ossos longos por causa de espasmos violentos; e hiperatividade
do sistema nervoso autónomo.
Há
três formas clínicas distintas de tétano:
local (incomum), cefálico (raro), e generalizado
(o mais comum). Tétano generalizado ocorre em 80%
dos casos.
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A
ferida deve ser limpa. É administrado antídoto,
um anticorpo que se liga à toxina e inibe a sua função.
São também administrados fármacos relaxantes
musculares, como curare. A Penicilina e metronidazol eliminam
as bactérias mas não têm efeito no agente
tóxico produzido por ela. Os depressores do sistema
nervoso central, Diazepam e DTP também são
dados, reduzindo a ansiedade e resposta espásmica
aos estímulos.
O
tétano pode ser prevenido através de vacinação.
A vacina de reforço é recomendada a cada
10 anos. A ação mais comum em caso de tratamento
é dar uma vacina de reforço a todo paciente
incerto de quando recebeu a vacina pela última
vez. A vacina é constituída por uma molécula
semelhante à toxina mas sem acção
tóxica. O sistema imunitário produz anticorpos
contra a toxina, e células memória que sabem
produzir esses anticorpos são geradas. Caso haja
infecção futura a resposta imunitária
é rápida, decisiva e eficaz.
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