CANNABIS SATIVA
Cannabis sativa é uma planta herbácea da família das Canabiáceas (Cannabaceae), amplamente cultivada em muitas partes do mundo. As folhas são finamente recortadas em segmentos lineares; as flores, unissexuais e inconspícuas, têm pêlos granulosos que, nas femininas, segregam uma resina; o caule possui fibras industrialmente importantes, conhecidas como cânhamo; e a resina tem propriedades estupefacientes (sensações semelhantes s produzidas pelo ópio).
A substância psicoativa presente na maconha e no haxixe é o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC). Geralmente a maconha e o haxixe contêm até 8% de THC, mas algumas variedades de maconha, (cruzamentos entre a espécie sativa e indica, comumente conhecidas como Skunk (”Gambá” em português, nome dado devido ao forte cheiro proveniente da queima da espécie em questão) produzem recordes na marca de 33% de THC. Em tempos passados a maconha somente poderia ser “colhida” na Europa e em regiões circunvizinhas no período entre setembro e dezembro. Na década de 90 iniciou-se o cultivo artificial da maconha, quando foi introduzida uma nova técnica, utilizando luzes artificiais como as de vapores de sódio e as multi-vapores (mercúrio e outros gases componentes). Durante este período (década de 90), os estudos e investimentos na cannabis cresceram tanto que hoje existem milhares de empresas no mundo que se dedicam dia a dia no melhoramento genético desta planta. Ação esta que proporcionou a existência de uma infinidade de tipos de cannabis, centenas de Híbridos, Sativas, Índicas.
Geralmente é consumida sob a forma de baseados (cigarros), mas há outras formas de consumi-la, como cachimbos, narguilés e outros. Também é consumida na forma oral, na mistura a receitas culinárias etc.
História
Os primeiros registros históricos do uso da Cannabis sativa para fabricação de papel, datam de 8000 anos a.C, na China. Depois os chineses descobriram e desenvolveram outras formas de uso da planta, principalmente para produção de artigos textêis e medicina. Mais tarde, outras sociedades, como os gregos, romanos, africanos, indianos e árabes também aproveitaram as qualidades da planta, fosse ela consumida como alimento, medicina, combustível, fibras ou fumo. Entre os anos de 1000 a.C. até meados do século XIX, a maconha (incluindo cânhamo) foi a maior agricultura do mundo, produzindo a maior parte dos papéis, combustíveis, artigos textêis e sendo, dependendo da cultura que a utilizava, a primeira, segunda ou terceira medicina mais usada. Sua grande importância histórica se deve ao fato da maconha ter a fibra natural mais resistênte e forte do que todas as outras, podendo ser cultivada em praticamente qualquer tipo de solo, além de ser uma das medicinas mais importantes e uma das maiores fontes de inspiração religiosa entre povos nativos da africa e do oriente.
Carolus Linnaeus classificou-a em 1753, chamando-a de de Cannabis sativa L., onde o L vem do seu sobrenome, Linneaus. É necessário lembrar que não existe apenas Cannabis sativa, temos muitas, como a Cannabis indica e outras. É comum o cultivo de indica, sativa e híbridas que são novas subespécies surgidas de cruzamentos entre as espécies.
Proibição
A comercialização da planta foi proibida nos Estados Unidos por volta de 1930; o país também efetuou uma forte propaganda em torno do assunto, o pivô do movimento sendo o político Harry J. Aslinger. As motivações de Aslinger bem como a veracidade científica das informações veiculadas na época (algumas ainda circulando nos dias de hoje) permanece muito controversa.
Foi proibida no Brasil primeiramente em Grajaú, em 1938. Até então costumava ser vendida em farmácias sob o nome de “cigarros índios” (devido a ser uma planta originária da Índia) ou “cigarro da paz” , que eram indicados para curar os sintomas da asma, e para insônia.
Em 1960 a ONU recomendou a proibição da Cannabis sativa em todo o mundo.
Legalização
A campanha pela legalização da Cannabis sativa ganhou força a partir dos anos 80 e 90, notadamente apoiada por artistas e políticos liberais. No Brasil, é uma das bandeiras do político Fernando Gabeira, que tentou implementar o cultivo do cânhamo para fins industriais.
No Brasil, a Lei nº 11.343, de 23 de Agosto de 2006, prevê novas penas para os usuários de drogas. As penas previstas são: Advertência sobre os efeitos das drogas, Prestação de serviços comunidade ou Medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
Hoje em dia a maconha é descriminalizada em alguns países, como os Países Baixos, que adotam políticas de tolerância em relação aos usuários, que não são presos. Além desses, outros países apoiam o seu uso como medicina, tendo em vista os efeitos terapêuticos da planta.
Em Portugal adota-se uma politica de sanção diferente, sendo tolerada dentro dos parâmetros criminais, dependendo em muitos dos caso da quantidade, do tipo de droga, dos antecedentes criminais, entre outros.
Música
Muitas canções e nomes de grupo e bandas fazem referências explícitas ou implícitas maconha.
Canções
* Easy Skanking (Bob Marley) “Take it easy skanking, got to take it easy”
* O mal é o que sai da boca do homem (Pepeu Gomes) - “Você pode fumar baseado/baseado em que você pode fazer quase tudo/contanto que você possua mas não seja possuído”
* Malandragem dá um tempo (Bezerra da Silva) - “Vou apertar/mas não vou acender agora/Se segura malandro/pra fazer a cabeça tem hora”
* Legalize It (Peter Tosh)
* Bush Doctor (Peter Tosh)
* Legalize já (Planet Hemp) - “Legalize já, legalize já/Porque uma erva natural não pode te prejudicar”
* Cachimbo da Paz Gabriel, O Pensador - “Apaga fumaça do revólver, da pistola/Manda fumaça do cachimbo pra cachola
* Folha de Bananeira (Armandinho) - “A erva boa, é erva fina/Fumo na boa so pra pegar as meninas”
* Maconha (Ventania) - “Eu sinto essa fumaça me lavar o rosto/Maquinar meu cérebro fazendo louco”
* Queimando tudo(Planet Hemp) “Eu canto assim por que fumo maconha…”
* Preta Pretinha(Novos Baianos) “Eu ia lhe chamar…”
* Cannabis (Ska-P) “Legalización!”
* Clandestino (Manu chao) “Mano negra clandestino, argeliano clandestino, marijuana ilegal!…”
* Nhacoma - ( Expressão Regueira ) “nhacoma mafu eu vou” nada mais gostoso que mafu marijuana”
* Lesado - ( Expressão Regueira ) “Eu tô lesado, meus olhos estão estraquinados”
“Eu quero ir pro Reggae mafu uns back ligalize” E até bandas que usam o próprio nome como indicação apológica. Como por exemplo as Bandas “SKANK” e “MAFUGONÊ”, que Lendo de trás para frente, entende-se o conteudo do nome. “E juntos nossa brisa no olhar, vermelhidão”, tendo titulo do CD como: “POSITIVIDADE NATURAL”
Nomes
* Bob Marley - Jamaicano, adepto do rastafarianismo, fumava maconha para ficar mais perto de Jah( deus), de onde tirava inspiração para suas músicas que falam muito de religião, de amor e da cultura africana.
* Planet Hemp - De cenário underground, cresceu graças as letras referentes a legalização da maconha, tentando provar que não é tão prejudicial quanto afirmam e que o tráfico é culpa das políticas sociais. Já foram presos e vários shows cancelados por ordem judicial. Com a gravação do segundo disco solo de D2, e sua explosão nacional, a banda teve seu fim em 2005(a verdade é que a banda oficialmente não acabou).
* Skank - Os membros da banda afirmam que o nome foi emprestado de um ritmo da Jamaica e não do nome da variedade comercial da Cannabis sativa, obtida através de cruzamentos, que é Skunk #1. O grupo não é acusado de apologia em nenhuma de suas músicas.
No Brasil o primeiro sábado de novembro é dedicado ao Dia da Maconha, na luta pela legalização da planta.
Formas de uso
Pode ser:
* Inalada, como cigarro ou com algum dispositivo, tal como cachimbo ou narguilé , bong ou pipe.
* Ingerida: tal como comida ou bebida.
Fumar os chamados baseados é a forma mais difundida de consumo de maconha.
Efeitos
Os efeitos da Cannabis sativa podem variar de acordo com a condição psicológica de cada usuário.
* Aumento da sensibilidade, maior percepção de cores, sons, texturas e paladar.
* Percepção distorcida do tempo.
* Sensação de relaxamento.
* Vontade de rir.
* Hiperemia das conjuntivas (olhos avermelhados).
* Xerostomia (boca seca).
* Introspecção.
* Senso crítico comprometido.
* Alucinações em altas doses.
* Aumento do apetite (Larica).
* Sonolência .
* Preguiça .
* Comprometimento da memória recente.
* Taquicardia.
Tolerância
Segundo um estudo realizado pelo pesquisador João Villares, do departamento de Psicobiologia da Unifesp, a Cannabis sativa pode causar tolerância, que é a necessidade de doses cada vez maiores para atingir o mesmo efeito. A tolerância é reversível, segundo o pesquisador, que conclui que “em alguns poucos meses sem a droga, o cérebro se recupera”.[1]
Overdose
Uma overdose é o uso excessivo de alguma droga. A maconha pode causar overdose com alucinações, ilusões e paranóias e em grandes doses, psicose tóxica aguda. Não há registros de morte devido a superdosagem de maconha, mas sim devido aos efeitos psicoativos do uso (acidentes causados sob efeito da droga). Pesquisas provaram que para um usuário morrer de overdose devido maconha deveriam ser consumidos aproximadamente quatro quilogramas da droga de uma só vez, algo humanamente impossível: é como fumar 2700 cigarros de maconha em um só dia.
Memória
Sob o efeito da droga, é afetada a memória de curto prazo, isto é, a memória de pequena duração da qual precisamos num determinado instante e da qual nos desfazemos em seguida. Este distúrbio acaba quando o efeito da droga passa. Entretanto, efeitos de longo prazo (fumando-se mais de 35 cigarros de maconha por semana ou mais de 15 por dia) podem ser a perda da memória Instantânea (É a memória que o cérebro utiliza para curto prazo, como lembrar de um numero de telefone ou algo do tipo). Existem vários mitos pregados pela sociedade a respeito dessa perda, a verdade é que esta perda da memória instantânea não atrapalha em situações como o aprendizado, já que para o aprendizado o cérebro utiliza outro tipo de memória, a memória Permanente, a mesma onde fica armazenado informações como nomes.
Danos cerebrais
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) afirmaram que fumar maconha altera as funções cerebrais, mas não provoca danos permanentes.
A maconha produz um dano de longo prazo apenas marginal, afetando pouco as capacidades de aprendizado e memória. E nenhum efeito foi registrado em outras funções, entre as quais o tempo de reação, a atenção, a linguagem, a habilidade de argumentação e as capacidades motora e perceptiva.
Sistema reprodutor
Algumas pesquisas, ainda não definitivas, apontam que o uso continuado da erva pode reduzir a testosterona[5], o número de espermatozóides nos homens, o que poderia ser revertido ao se abandonar o uso da droga[6]. Entretanto, não é provado que uma menor quantidade de esperma tenha qualquer relação negativa com a fertilidade. Alegações de que a maconha poderia desregular o funcionamento hormonal nas mulheres, assim como alterar seu ciclo menstrual ou causar infertilidade, são improváveis e infundadas.
Dependência
Está comprovado cientificamente pela OMS que a maconha provoca menos dependência que o tabaco ou o álcool, entretanto ela causa dependência psicológica. No caso, o usuário adquire o hábito de fumar, mas não se torna um dependente químico da droga.[3][7] Por outro lado, entre todas as drogas a maconha é a que causa mais quadros psicóticos, mesmo em usuários com pouco tempo de uso.
Aparelho respiratório
Há uma certa polêmica com relação aos efeitos da maconha no aparelho respiratório. Como as pesquisas dos efeitos da maconha são mais recentes do que as produzidas sobre o tabaco, os resultados tendem a ser controversos e preliminares. Contudo, uma suposta pesquisa da OMS (Organização Mundial de Saúde) a qual teria sido censurada por motivos politicos informa que a maconha não causa bloqueio das vias respiratórias, enfisema pulmonar ou qualquer outro dano s funções pulmonares.
Risco de câncer no pulmão
Apesar de haver entre os usuários uma idéia disseminada de que fumar maconha é menos prejudicial aos pulmões do que fumar tabaco, isso pode não corresponder realidade. Em matéria de material particulado, fumar de 3 a 4 cigarros de maconha por dia equivale a fumar mais que 20 cigarros de tabaco, porque o pulmão do fumante de maconha recebe uma carga líquida de material particulado cerca de quatro vezes maior do que o fumante de tabaco. Isso porque a maconha é fumada com um volume de tragada 2/3 maior, volume de inalação 1/3 maior e com um tempo de retenção da fumaça quatro vezes maior do que os valores considerados para o tabaco.
Uso medicinal
A Cannabis sativa também pode ser usada com fins medicinais como agente antiemético, estimulador de apetite, auxiliar contra espasmos musculares e movimentos desordenados, sendo útil também em casos de glaucoma, porém em doses muito altas, sendo assim ela é capaz de auxiliar pessoas no tratamento de doenças com doença de Parkinson, esclerose múltipla, traumatismo raquimedular, câncer, desnutrição, AIDS ou com qualquer outra condição clínica associada a um quadro importante de dor crônica.
Atualmente, em alguns países a maconha é legalizada, unicamente para fins medicinais Para lazer, somente na Holanda.
Uso comercial
A Cannabis produz uma fibra extremamente forte que é usada na fabricação de linhas e papel. De suas sementes extrai-se um óleo que pode ser usado como combustível. Além disso, suas flores e sementes podem ser utilizadas em comidas variadas. Portanto tem um grande potencial comercial, explorado em alguns países.
No Egito Antigo esta erva era utilizada como uma espécie de papel
Licenciado sob a GNU Free Documentation License. Fonte de Wikipédia Cannabis sativa.
