Sábado, 11 de fevereiro de 2012 - Hora: 8:34 Minutos
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COCAÍNA
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A Cocaína é uma droga alcalóide estimulante altamente viciante. É extraída da folha da coca. O seu consumo leva a grande aceleração do envelhecimento e profundos danos cerebrais irreversiveis, entre outros problemas de saúde.

QUÍMICA
A cocaina é um alcalóide tropano. O seu nome completo é 3-benzoiloxi-8-metil-8-azabiciclo. [3.2.1]octano-4-carboxilico acido metill éster
É extraida das folhas do arbusto da coca (Erythroxylon coca).
ADMINISTRAÇÃO
Depois de refinada, a cocaína fica com o aspecto de um pó branco e cristalino (é um sal, hidrocloreto de cocaína). O crack é cocaína alcalina, não salina.

A via intravenosa é mais perigosa devido às infecções. Ela produz maior prazer e efeitos mais pronunciados. A via inalatória é de inicio mais insidioso, pode levar à necrose (morte) da mucosa e septo nasais.O crack é uma forma básica livre, que é fumada. Os seus efeitos são similares aos da via intravenosa.

A cocaína tem vindo a ser menos consumida desde 1990. Desde essa data o seu crescimento tem sido substituido pelo da heroína. O consumo de cocaína e heroína("speedballs" ou "moonrocks"), uma práctica extremamente perigosa, tem aumentando recentemente.

É metabolizada no fígado, e conjuga-se com etanol formando cocaetileno, ainda mais tóxico, após consumo de alcool.

MECANISMO DE AÇÃO

A cocaína é um inibidor específico das proteínas transportadoras da dopamina e em grau menor da noradrenalina, existentes nos neurónios. A dopamina e a noradrenalina são neurotransmissores cerebrais que são secretados para a sinapse, de onde são recolhidos outra vez para dentro dos neurónios por esses transportadores inibidos pela cocaína. Logo o seu consumo aumenta a concentração e duração desses neurotransmissores. Os efeitos são similares aos das anfetaminas mas mais intensos e menos prolongados.

A noradrenalina e a adrenalina são neurotransmissor e hormona do sistema simpático (sistema nervoso autónomo). Elas são normalmente activadas em situações de stress agudo ("lutar ou fugir") em que o individuo necessita de todas as forças e agem junto aos orgãos de modo a obtê-las: aumentam a contracção e frequência cardiacas, aumentam a velocidade e clareza do pensamento, dextreza dos músculos, inibem a dor, aumentam a tensão arterial. O individuo sente-se invulgarmente consciente e desperto, eufórico, excitado, com mente clara e sensação de paragem do tempo. A cocaína é um forte potenciador do sistema nervoso simpático, tanto no cérebro, como na periferia.

A dopamina é o neurotransmissor principal aas vias meso-limbicas e meso-estriadas. Essas vias tem funções de produzir prazer em resposta a acontecimentos positivos na vida do individuo, recompensando a aquisição de novos conhecimentos ou capacidades (aprendizagem), progresso nas relações sociais, relações emocionais e outros eventos. O aumento artificial da dopamina nas sinapses pela cocaína vai activar anormalmente essas vias. O consumidor sente-se extremamente auto-confiante, poderoso,irresistivel e capaz de vencer qualquer desafio, de uma forma que não corresponde à sua real situação ou habilidade. Com a regularização do consumo, as vias dopaminérgicas são modificadas e prevertidas ("highjacked") e a cocaína passa de facilitadora do sentimento de sucesso e confiança face a situações externas, para simples recompensa derivada directamente de um disturbio bioquimico cerebral criado pela própria droga, que é dela dependente. O benm-estar desliga-se de condicionantes externas, passando a ser apenas uma medida do tempo passado desde a última dose. A motivação do individuo torna-se "irreal", desligando-se dos interesses sociais, familiares, emocionais, ambição profissional ou aprendizagem de formas de ligar com novos desafios, para se concentrar apenas na droga, que dá um sentimento de auto-realização artificial de intensidade impossivel de atingir de outra forma.

ENQUANTO ANESTÉSICO LOCAL
A cocaína também é um eficaz anestético local, tendo sido o primeiro do grupo a ser usado, e ainda em uso hoje em algumas cirurgias respiratórias. O mecanismo desta acção é totalmente diferente da acção psicotrópica. Ela é um bloqueador dos canais de sódio nos neurónios dos nervos periféricos. O influxo de sódio desencadeia o potencial de acção e sem esse influxo são incapazes de enviar os seus impulsos. Os nervos sensitivos são geralmente os primeiros a ser bloqueados. A cocaína tem vindo a ser substituida por outros fármacos não psicotrópicos e sem outros efeitos adversos mas com a mesma função. Ela apresenta efeitos secundários devido à quantidade que extravasa para o sangue, provocando estimulação simpática (hipertensão, taquicardia) e mesmo convulsões.
EFEITOS
Há efeitos imediatos, que ocorrem sempre após uma dose moderada; efeitos com grande dose; efeitos tóxicos agudos que têm uma probabilidade significativa de ocorrer após cada dose; efeitos no consumidor crónico, a longo prazo.

A cocaína pode causar malformações e atrofia do cérebro e malformações dos membros na criança se usada durante a gravidez. Ela pode ser detectada nos cabelos durante muito tempo após consumo, e o seu uso pela mãe é comprovado desta forma em bébés.

EFEITOS IMEDIATOS
Muitos efeitos devem-se à estimulação dos sistemas simpático e dopaminérgicos directamente. A cocaína causa danos cerebrais microscópicos significativos com cada dose. Com o inicio do consumo regular os danos tornam-se irreversiveis. Os seus efeitos imediatos duram 30-40 minutos.

* No sistema nervoso central:
* Euforia
* Sensação de poder, ausência de medo e ansiedade
* Agressividade
* Excitação física, mental e sexual: efeito s. simpático.
* Anorexia (perda do apetite): efeito do sistema simpático.
* Insonias
* Delírios
* Cardiovasculares:
* Aumento da força e frequencia cardiacas. Palpitações (sensação do coração a bater rápido contra o peito): sistema simpático
* Hipertensão arterial: s. simpático
* Vasoconstrição
* Outras:
* Urgência de urinação
* Tremores: s.simpático
* Midriase: dilatação da pupila. Efeito simpático.
* Hiperglicémia: efeito simpático.
* Saliva grossa. Efeito simpático.

EFEITOS EM ALTAS DOSES
Convulsões e depressão neuronal ocorrem com doses mais altas. No entanto a dose exacta que vai causar um tipo de efeito mas não outro num individuo é indeterminavel.

* Alucinações
* Paranoia geralmente reversível
* Taquicardia: s. simpático.
* Convulsões.
* Depressão do centro neuronal respiratório. Coma. Morte.
* Depressão vasomotora.
A overdose de cocaína são rapidamente fatais. Caracterizam-se por arritmias cardiacas e convulsões epilépticas generalizadas, e depressão respiratória com asfixia. Se a morte não ocorre até 3 horas depois do inicio dos sintomas, o doente deverá recuperar-se.
EFEITOS TÓXICOS AGUDOS
Estes efeitos podem ocorrer ou não após uma única dose baixa, mas são mais prováveis com o uso continuado e em doses altas:

* Arritmias cardiacas: complicação possivelmente fatal.
* Trombose coronária com enfarte do miócardio (provoca 25% dos enfartes totais em jovens de 18-45 anos)
* Trombose cerebral com AVC.
* Outras hemorragias cerebrais devidas à vasocontrição simpática.
* Necrose (morte celular) cerebral
* Insuficiencia renal
* Insuficiencia cardiaca
* Hipertermia com coagulação disseminada potencialmente fatal.

EFEITOS A LONGO PRAZO
A cocaína apresenta fenomeno de tolerância bem definido e de estabelecimento rápido. Para obter os mesmos efeitos o consumidor tem de usar doses cada vez maiores. Provoca danos cerebrais extensos ao fim de apenas alguns anos de consumo.

A cocaína não tem síndrome físico bem delimitado (como por exemplo o da heroína), no entanto os efeitos da sua privação não são subjectivos. Após consumo de apenas alguns dias, há universalmente: depressão, muitas vezes profunda, disforia (ansiedade e mal estar), deterioração das funções motoras, elevada perda da capacidade de aprendizagem, com perda de comportamentos aprendidos. O sindrome psicológico da cocaína é extremamente poderoso. Está comprovado em estudos epidemiológicos que a cocaína é muito mais viciante que a cannabis, o alcool ou o tabaco.

A longo prazo (alguns anos) ocorrem invariavelmente múltiplas hemorragias cerebrais com morte extensa de neurónios e perda progressiva das funções intelectuais superiores. são comuns síndromes psiquiátricos como esquizofrenia e depressão profunda unipolar.

Efeitos a longo prazo:

* Perda de memória
* Perda da capacidade de concentração mental
* Perda da capacidade analítica.
* Falta de ar permanente, trauma pulmonar, dores torácicas
* Destruição total do septo nasal (se inalada.
* Perda de peso até niveis de desnutrição
* Cefaleias (dores de cabeça)
* Síncopes (desmaios)
* Disturbios dos nervos periféricos ("sensação do corpo ser percorrido por insectos")

TRATAMENTO DE TOXICODEPEDÊNCIA
A dose de cocaína ou outro estimulante é gradualmente diminuida. Se se desenvolveram disturbios psiquiátricos, devem ser tratados com antipsicóticos e antidepressivos. É possivel que os agonistas do receptor da dopamina amantadina, sejam uteis no futuro, para minimizar os sindromes de privação.

A imunização activa é uma nova terapia que poderá ser promissora. Consiste em "treinar" o sistema imunitário para destruir a cocaína como se fosse um invasor.

TRÁFICOS E CUSTOS SOCIAIS DA COCAÍNA

cocaína é ilegal em todos os países do Mundo. A planta da coca é cultivada legalmente em volumes controlados (teoricamente) em vários países da América do Sul, mais especificamente na cordilheira dos Andes (Bolívia, Colômbia e Peru). As folhas da coca são legais nesses países, mas a sua refinação é proibida.

A cocaína é a droga com maiores vendas em dinheiro na maior parte do mundo. Nos EUA em 2003 terão sido vendidos 35 mil milhões de dólares do produto.

ARBUSTO DA COCA
A folha de coca (cujo consumo mesmo se em grandes quantidades, leva apenas à absorção de uma dose minuscula de cocaína) é usada comprovadamente há mais de 1200 anos pelos povos nativos da América do Sul. Eles a mastigam para ajudar a suportar a fome, a sede e o cansaço, sendo, ainda hoje, consumida legalmente em alguns países (Perú, Bolívia) sob a forma de chá (a absorção do princípio activo, por esta via, é muito baixa). Os Incas e outros povos dos Andes usaram-na certamente, permitindo-lhes trabalhar a altas altitudes, onde a rarefação do ar e o frio tornam o trabalho árduo especialmente díficil. A sua acção anorexiante (supressora da fome) lhes permitia transportar apenas um mínimo de comida durante alguns dias.
Inicialmente os espanhois, constatando o uso quase religioso da planta, nas suas tentativas de converter os índios ao cristianismo, declararam a planta produto do Demónio. Contudo mais tarde a Igreja católica legalisou-a de forma a poder cobrar impostos de 10% sobre o valor do seu cultivo. O seu uso entre os espanhois do novo mundo espalhou-se, sendo as folhas usadas para tratar feridas e ossos partidos ou curar a constipação/resfriado. A coca foi levada para a Europa em 1580.
PRIMEIRAS EXPERIENCIAS
O alcalóide cocaína foi isolado das folhas de coca por Niemann em 1860, que lhe deu o nome. No entanto há boas razões para supor que foi antes Friedrich Gaedcke que a isolou pela primeira vez em 1856.
O seu uso espalhou-se gradualmente. Após visitas à America do Sul de cientistas italianos que levaram amostras da planta para o seu país, o químico Angelo Mariani desenvolveu, em 1863 o vinho Mariani, uma infusão alcoolica de folhas de coca (mais poderosa devido ao poder extrativo do etanol que as infusões de água ou chás usadas antes). O vinho Mariani era muito apreciado pelo Papa Leão XIII, que inclusivamente premiou Mariani com uma medalha honorífica.
A Coca Cola seria inventada em parte como tentativa de competição dos comerciantes americanos com o vinho Mariani importado da Itália. A Coca-Cola continuaria desde a sua invenção até 1929 a incluir cocaína nos seus ingredientes, e os seus efeitos foram sem dúvida determinantes do poder atractivo inicial da bebida.

A cocaína tornou-se popular entre as classes altas no fim do século XX. Entre consumidores famosos do vinho Mariani contavam-se Ulysses Grant, o Papa Leão XII, que até apareceu na publicidade do produto e Frédéric Bartholdi (francês, criador da Estátua da liberdade), que comentou que se o vinho tivesse sido inventado mais cedo teria feito a estátua mais alta (um sintoma de excesso de autoconfiança típico).

POPULARIZAÇÃO
A cocaína foi nessa altura popularizada como tratamento para a topxicodepêndencia de morfina. Em Viena, Sigmund Freud, o médico criador da psicanálise experimentou-a em pacientes, fascinado pelos seus efeitos psicotrópicos. Publicou inclusivamente um livro Über Coca sobre as suas experiências. Contudo acabou por se desiludir com a dependência a que foram reduzidos vários dos seus amigos. Foi ele que a forneceu ao oftalmologista Carl Köller, que em 1884 a usou pela primeira vez enquanto anestésico local, aplicando gotas com cocaína nos olhos de pacientes antes de serem operados.

A popularidade da cocaína ganha terreno: Em 1885 a companhia americana Park Davis vendia livremente cocaína em cigarros, pó ou liquido injectavel sob o lema de "substituir a comida; tornar os cobardes corajosos, os silenciosos eloquentes e os sofredores insensiveis à dor". O fictional Sherlock Holmes (personagem de Arthur Conan Doyle) chega mesmo a injectar "cucaine" nas veias numa das histórias! Em 1909 Ernest Shackleton leva cocaína para a sua viagem à Antartica, assim como o Capitão Robert Scott.

PROIBIÇÃO
Apesar do entusiasmo, os efeitos negativos da cocaína acabaram por ser descobertos. Com o uso da cocaína pelas classes baixas e, nos EUA pelos afro-americanos, acabou por assustar as classes altas a um extremo que o seu óbvio potencial de dependência e graves problemas para a saúde nunca levaram. Os alertas racistas no sul dos EUA sobre os "ataques a mulheres brancas do Sul que são o resultado directo do cérebro enlouquecido por cocaína do negro" como se exprimiu um farmacêutico proeminente, acabaram por resultar na regulação e depois proibição da substância.
USO MODERNO
Apesar dos motivos iniciais é consensual entre a comunidade médica que os elevados efeitos autodestruidores do consumo de cocaína são plenamente justificativos da proibição actual.
O crack foi um desenvolvimento do consumo da cocaína moderno. É muito mais barato e fácil de consumir, e as comunidades pobres arruinam-se um pouco por todo o mundo devido ao seu consumo.
 
O CASTELO ANIMADO é tão maravilhoso quanto A VIAGEM DE CHIHIRO. Mais um grande sucesso em animação da parceria Disney/Pixar.
 
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