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>>> Drogas >>> Cocaina |
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A
Cocaína é uma droga alcalóide estimulante
altamente viciante. É extraída da folha
da coca. O seu consumo leva a grande aceleração
do envelhecimento e profundos danos cerebrais irreversiveis,
entre outros problemas de saúde.
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A
cocaina é um alcalóide tropano. O seu nome
completo é 3-benzoiloxi-8-metil-8-azabiciclo. [3.2.1]octano-4-carboxilico
acido metill éster
É extraida das folhas do arbusto da coca (Erythroxylon
coca). |
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Depois
de refinada, a cocaína fica com o aspecto de um pó
branco e cristalino (é um sal, hidrocloreto de cocaína).
O crack é cocaína alcalina, não salina.
A
via intravenosa é mais perigosa devido às
infecções. Ela produz maior prazer e efeitos
mais pronunciados. A via inalatória é de
inicio mais insidioso, pode levar à necrose (morte)
da mucosa e septo nasais.O crack é uma forma básica
livre, que é fumada. Os seus efeitos são
similares aos da via intravenosa.
A
cocaína tem vindo a ser menos consumida desde 1990.
Desde essa data o seu crescimento tem sido substituido
pelo da heroína. O consumo de cocaína e
heroína("speedballs" ou "moonrocks"),
uma práctica extremamente perigosa, tem aumentando
recentemente.
É
metabolizada no fígado, e conjuga-se com etanol
formando cocaetileno, ainda mais tóxico, após
consumo de alcool.
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A
cocaína é um inibidor específico das
proteínas transportadoras da dopamina e em grau menor
da noradrenalina, existentes nos neurónios. A dopamina
e a noradrenalina são neurotransmissores cerebrais
que são secretados para a sinapse, de onde são
recolhidos outra vez para dentro dos neurónios por
esses transportadores inibidos pela cocaína. Logo
o seu consumo aumenta a concentração e duração
desses neurotransmissores. Os efeitos são similares
aos das anfetaminas mas mais intensos e menos prolongados.
A
noradrenalina e a adrenalina são neurotransmissor
e hormona do sistema simpático (sistema nervoso autónomo).
Elas são normalmente activadas em situações
de stress agudo ("lutar ou fugir") em que o individuo
necessita de todas as forças e agem junto aos orgãos
de modo a obtê-las: aumentam a contracção
e frequência cardiacas, aumentam a velocidade e clareza
do pensamento, dextreza dos músculos, inibem a dor,
aumentam a tensão arterial. O individuo sente-se
invulgarmente consciente e desperto, eufórico, excitado,
com mente clara e sensação de paragem do tempo.
A cocaína é um forte potenciador do sistema
nervoso simpático, tanto no cérebro, como
na periferia.
A
dopamina é o neurotransmissor principal aas vias
meso-limbicas e meso-estriadas. Essas vias tem funções
de produzir prazer em resposta a acontecimentos positivos
na vida do individuo, recompensando a aquisição
de novos conhecimentos ou capacidades (aprendizagem), progresso
nas relações sociais, relações
emocionais e outros eventos. O aumento artificial da dopamina
nas sinapses pela cocaína vai activar anormalmente
essas vias. O consumidor sente-se extremamente auto-confiante,
poderoso,irresistivel e capaz de vencer qualquer desafio,
de uma forma que não corresponde à sua real
situação ou habilidade. Com a regularização
do consumo, as vias dopaminérgicas são modificadas
e prevertidas ("highjacked") e a cocaína
passa de facilitadora do sentimento de sucesso e confiança
face a situações externas, para simples recompensa
derivada directamente de um disturbio bioquimico cerebral
criado pela própria droga, que é dela dependente.
O benm-estar desliga-se de condicionantes externas, passando
a ser apenas uma medida do tempo passado desde a última
dose. A motivação do individuo torna-se "irreal",
desligando-se dos interesses sociais, familiares, emocionais,
ambição profissional ou aprendizagem de formas
de ligar com novos desafios, para se concentrar apenas na
droga, que dá um sentimento de auto-realização
artificial de intensidade impossivel de atingir de outra
forma. |
ENQUANTO
ANESTÉSICO LOCAL |
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| A
cocaína também é um eficaz anestético
local, tendo sido o primeiro do grupo a ser usado, e ainda
em uso hoje em algumas cirurgias respiratórias. O
mecanismo desta acção é totalmente
diferente da acção psicotrópica. Ela
é um bloqueador dos canais de sódio nos neurónios
dos nervos periféricos. O influxo de sódio
desencadeia o potencial de acção e sem esse
influxo são incapazes de enviar os seus impulsos.
Os nervos sensitivos são geralmente os primeiros
a ser bloqueados. A cocaína tem vindo a ser substituida
por outros fármacos não psicotrópicos
e sem outros efeitos adversos mas com a mesma função.
Ela apresenta efeitos secundários devido à
quantidade que extravasa para o sangue, provocando estimulação
simpática (hipertensão, taquicardia) e mesmo
convulsões. |
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Há
efeitos imediatos, que ocorrem sempre após uma dose
moderada; efeitos com grande dose; efeitos tóxicos
agudos que têm uma probabilidade significativa de
ocorrer após cada dose; efeitos no consumidor crónico,
a longo prazo.
A
cocaína pode causar malformações
e atrofia do cérebro e malformações
dos membros na criança se usada durante a gravidez.
Ela pode ser detectada nos cabelos durante muito tempo
após consumo, e o seu uso pela mãe é
comprovado desta forma em bébés.
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Muitos
efeitos devem-se à estimulação dos
sistemas simpático e dopaminérgicos directamente.
A cocaína causa danos cerebrais microscópicos
significativos com cada dose. Com o inicio do consumo regular
os danos tornam-se irreversiveis. Os seus efeitos imediatos
duram 30-40 minutos.
*
No sistema nervoso central:
*
Euforia
*
Sensação de poder, ausência de medo
e ansiedade
*
Agressividade
*
Excitação física, mental e sexual:
efeito s. simpático.
*
Anorexia (perda do apetite): efeito do sistema simpático.
*
Insonias
*
Delírios
* Cardiovasculares:
*
Aumento da força e frequencia cardiacas. Palpitações
(sensação do coração a bater
rápido contra o peito): sistema simpático
*
Hipertensão arterial: s. simpático
*
Vasoconstrição
* Outras:
*
Urgência de urinação
*
Tremores: s.simpático
*
Midriase: dilatação da pupila. Efeito simpático.
*
Hiperglicémia: efeito simpático.
*
Saliva grossa. Efeito simpático.
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Convulsões
e depressão neuronal ocorrem com doses mais altas.
No entanto a dose exacta que vai causar um tipo de efeito
mas não outro num individuo é indeterminavel.
*
Alucinações
*
Paranoia geralmente reversível
*
Taquicardia: s. simpático.
*
Convulsões.
*
Depressão do centro neuronal respiratório.
Coma. Morte.
*
Depressão vasomotora.
A overdose de cocaína são rapidamente fatais.
Caracterizam-se por arritmias cardiacas e convulsões
epilépticas generalizadas, e depressão respiratória
com asfixia. Se a morte não ocorre até 3 horas
depois do inicio dos sintomas, o doente deverá recuperar-se.
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Estes
efeitos podem ocorrer ou não após uma única
dose baixa, mas são mais prováveis com o uso
continuado e em doses altas:
*
Arritmias cardiacas: complicação possivelmente
fatal.
* Trombose coronária com enfarte do miócardio
(provoca 25% dos enfartes totais em jovens de 18-45 anos)
* Trombose cerebral com AVC.
* Outras hemorragias cerebrais devidas à vasocontrição
simpática.
* Necrose (morte celular) cerebral
* Insuficiencia renal
* Insuficiencia cardiaca
* Hipertermia com coagulação disseminada
potencialmente fatal.
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A
cocaína apresenta fenomeno de tolerância bem
definido e de estabelecimento rápido. Para obter
os mesmos efeitos o consumidor tem de usar doses cada vez
maiores. Provoca danos cerebrais extensos ao fim de apenas
alguns anos de consumo.
A
cocaína não tem síndrome físico
bem delimitado (como por exemplo o da heroína),
no entanto os efeitos da sua privação não
são subjectivos. Após consumo de apenas
alguns dias, há universalmente: depressão,
muitas vezes profunda, disforia (ansiedade e mal estar),
deterioração das funções motoras,
elevada perda da capacidade de aprendizagem, com perda
de comportamentos aprendidos. O sindrome psicológico
da cocaína é extremamente poderoso. Está
comprovado em estudos epidemiológicos que a cocaína
é muito mais viciante que a cannabis, o alcool
ou o tabaco.
A
longo prazo (alguns anos) ocorrem invariavelmente múltiplas
hemorragias cerebrais com morte extensa de neurónios
e perda progressiva das funções intelectuais
superiores. são comuns síndromes psiquiátricos
como esquizofrenia e depressão profunda unipolar.
Efeitos
a longo prazo:
* Perda de memória
* Perda da capacidade de concentração mental
* Perda da capacidade analítica.
* Falta de ar permanente, trauma pulmonar, dores torácicas
* Destruição total do septo nasal (se inalada.
* Perda de peso até niveis de desnutrição
* Cefaleias (dores de cabeça)
* Síncopes (desmaios)
* Disturbios dos nervos periféricos ("sensação
do corpo ser percorrido por insectos")
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TRATAMENTO
DE TOXICODEPEDÊNCIA |
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A
dose de cocaína ou outro estimulante é gradualmente
diminuida. Se se desenvolveram disturbios psiquiátricos,
devem ser tratados com antipsicóticos e antidepressivos.
É possivel que os agonistas do receptor da dopamina
amantadina, sejam uteis no futuro, para minimizar os sindromes
de privação.
A
imunização activa é uma nova terapia
que poderá ser promissora. Consiste em "treinar"
o sistema imunitário para destruir a cocaína
como se fosse um invasor.
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TRÁFICOS
E CUSTOS SOCIAIS DA COCAÍNA |
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cocaína é ilegal em todos os países
do Mundo. A planta da coca é cultivada legalmente
em volumes controlados (teoricamente) em vários
países da América do Sul, mais especificamente
na cordilheira dos Andes (Bolívia, Colômbia
e Peru). As folhas da coca são legais nesses países,
mas a sua refinação é proibida.
A
cocaína é a droga com maiores vendas em
dinheiro na maior parte do mundo. Nos EUA em 2003 terão
sido vendidos 35 mil milhões de dólares
do produto.
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A
folha de coca (cujo consumo mesmo se em grandes quantidades,
leva apenas à absorção de uma dose
minuscula de cocaína) é usada comprovadamente
há mais de 1200 anos pelos povos nativos da América
do Sul. Eles a mastigam para ajudar a suportar a fome, a
sede e o cansaço, sendo, ainda hoje, consumida legalmente
em alguns países (Perú, Bolívia) sob
a forma de chá (a absorção do princípio
activo, por esta via, é muito baixa). Os Incas e
outros povos dos Andes usaram-na certamente, permitindo-lhes
trabalhar a altas altitudes, onde a rarefação
do ar e o frio tornam o trabalho árduo especialmente
díficil. A sua acção anorexiante (supressora
da fome) lhes permitia transportar apenas um mínimo
de comida durante alguns dias.
Inicialmente os espanhois, constatando o uso quase religioso
da planta, nas suas tentativas de converter os índios
ao cristianismo, declararam a planta produto do Demónio.
Contudo mais tarde a Igreja católica legalisou-a
de forma a poder cobrar impostos de 10% sobre o valor do
seu cultivo. O seu uso entre os espanhois do novo mundo
espalhou-se, sendo as folhas usadas para tratar feridas
e ossos partidos ou curar a constipação/resfriado.
A coca foi levada para a Europa em 1580. |
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O
alcalóide cocaína foi isolado das folhas de
coca por Niemann em 1860, que lhe deu o nome. No entanto
há boas razões para supor que foi antes Friedrich
Gaedcke que a isolou pela primeira vez em 1856.
O seu uso espalhou-se gradualmente. Após visitas
à America do Sul de cientistas italianos que levaram
amostras da planta para o seu país, o químico
Angelo Mariani desenvolveu, em 1863 o vinho Mariani, uma
infusão alcoolica de folhas de coca (mais poderosa
devido ao poder extrativo do etanol que as infusões
de água ou chás usadas antes). O vinho Mariani
era muito apreciado pelo Papa Leão XIII, que inclusivamente
premiou Mariani com uma medalha honorífica.
A Coca Cola seria inventada em parte como tentativa de competição
dos comerciantes americanos com o vinho Mariani importado
da Itália. A Coca-Cola continuaria desde a sua invenção
até 1929 a incluir cocaína nos seus ingredientes,
e os seus efeitos foram sem dúvida determinantes
do poder atractivo inicial da bebida.
A
cocaína tornou-se popular entre as classes altas
no fim do século XX. Entre consumidores famosos do
vinho Mariani contavam-se Ulysses Grant, o Papa Leão
XII, que até apareceu na publicidade do produto e
Frédéric Bartholdi (francês, criador
da Estátua da liberdade), que comentou que se o vinho
tivesse sido inventado mais cedo teria feito a estátua
mais alta (um sintoma de excesso de autoconfiança
típico). |
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A
cocaína foi nessa altura popularizada como tratamento
para a topxicodepêndencia de morfina. Em Viena, Sigmund
Freud, o médico criador da psicanálise experimentou-a
em pacientes, fascinado pelos seus efeitos psicotrópicos.
Publicou inclusivamente um livro Über Coca sobre as
suas experiências. Contudo acabou por se desiludir
com a dependência a que foram reduzidos vários
dos seus amigos. Foi ele que a forneceu ao oftalmologista
Carl Köller, que em 1884 a usou pela primeira vez enquanto
anestésico local, aplicando gotas com cocaína
nos olhos de pacientes antes de serem operados.
A
popularidade da cocaína ganha terreno: Em 1885 a
companhia americana Park Davis vendia livremente cocaína
em cigarros, pó ou liquido injectavel sob o lema
de "substituir a comida; tornar os cobardes corajosos,
os silenciosos eloquentes e os sofredores insensiveis à
dor". O fictional Sherlock Holmes (personagem de Arthur
Conan Doyle) chega mesmo a injectar "cucaine"
nas veias numa das histórias! Em 1909 Ernest Shackleton
leva cocaína para a sua viagem à Antartica,
assim como o Capitão Robert Scott. |
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Apesar
do entusiasmo, os efeitos negativos da cocaína acabaram
por ser descobertos. Com o uso da cocaína pelas classes
baixas e, nos EUA pelos afro-americanos, acabou por assustar
as classes altas a um extremo que o seu óbvio potencial
de dependência e graves problemas para a saúde
nunca levaram. Os alertas racistas no sul dos EUA sobre
os "ataques a mulheres brancas do Sul que são
o resultado directo do cérebro enlouquecido por cocaína
do negro" como se exprimiu um farmacêutico proeminente,
acabaram por resultar na regulação e depois
proibição da substância. |
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| Apesar
dos motivos iniciais é consensual entre a comunidade
médica que os elevados efeitos autodestruidores do
consumo de cocaína são plenamente justificativos
da proibição actual.
O crack foi um desenvolvimento do consumo da cocaína
moderno. É muito mais barato e fácil de consumir,
e as comunidades pobres arruinam-se um pouco por todo o
mundo devido ao seu consumo. |
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| O CASTELO
ANIMADO é tão maravilhoso quanto A VIAGEM DE CHIHIRO. |
Mais um grande
sucesso em animação da parceria Disney/Pixar. |
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