Nascido
numa família judaica liberal, seu pai, Meier Boas,
era um comerciante de sucesso e sua mãe, professora
de jardim da infância. Ambos os pais de Boas eram
influenciados pelo "espírito" da Revolução
de 1848 mesmo anos após o seu término. A
influência dos princípios políticos
de seus pais durante sua infância e adolescência
teriam reflexos na formação de suas idéias
pioneiras sobre raça e etnicidade.
Sua
primeira inserção no campo científico
não se deu a partir da Antropologia, mas sim da
Física, curso no qual Boas se qualificou como doutor
pela a Universidade de Kiel em 1881. Através de
sua dissertação de doutorado "Contribuições
para o Entendimento da Cor da Água" Boas buscou
demostrar como os domínios da experiencia humana
"através dos conceitos de quantidade ... não
eram aplicáveis". Foi em uma viagem para Baffinland
com a intenção de escrever um livo sobre
psicofísica, enquanto trabalhava com um grupo de
eskimós que Boas vivenciou a sua primeira experiência
de campo. Tal experiência foi determinante para
sua mudança disciplinar e o início de suas
reflexões antropológicas.
Em
1887 Boas emigrou para os Estados Unidos, mas somente
depois de sua primeira publicação que se
tornou referência enquanto antropólogo.
Diferente
dos evolucionistas que dominavam a Antropologia em seu
princípio, Boas argumentava que em contraste com
o senso comum, raças distintas da calcasiana, "raças
como os índios do Peru e da América Central
haviam desenvolvido civilizações similares
àquelas nas quais as civilizações
européias tinham sua origem". Embora seus
escritos ainda reflitam um certo racismo inerente ao seu
tempo, Boas foi pioneiro nas idéias de igualdade
racial que resultaram nos estudos de Antropologia Cultural
da atualidade. Como orientador de antropólogos
notáveis como Margaret Mead, Melville Herkovits,
Ruth Benedict e do brasileiro Gilberto Freyre, Boas ficou
conhecido posteriormente como pai da Antropologia contemporânea.
De
todas as suas idéias, a formulação
do conceito de etnocentrismo e a necessidade de estudar
cada cultura singularmente por seus próprios termos
exercem, ainda nos dias de hoje, uma enorme influência
nos estudos antropológicos. Em sua obra, Boas se
contrapôs aos evolucionistas, que compreendiam as
culturas das sociedades não-caucasianas como inferiores.
É através de seus estudos que a idéia
de uma escala evolutiva das sociedades partindo de agrupamento
de homens "selvagens" ou "naturais"
e chegando as "sociedades civilizadas" européias
vai sendo gradualmente abandonada pelos estudos antropológicos.