CÂNDIDO

Cândido, ou O Otimismo, (”Candide, ou l’Optimisme”) (1759) é uma novela picaresca de autoria do filósofo iluminista Voltaire. Voltaire jamais admitiu abertamente ter escrito o controverso Cândido; o trabalho foi assinado por um pseudônimo: “Monsieur le docteur Ralph”, literalmente, “Senhor Doutor Ralph”.

O texto contrapõe brilhantemente ingenuidade e esperteza, desprendimento e ganância, caridade e egoísmo, delicadeza e violência, amor e ódio. Tendo como plano de fundo a sociedade do Séc. XVIII, retrata um mundo extremamente cruel e materialista.

Muitos dos personagens do romance passam pelas mais diversas torturas físicas e psíquicas. De qualquer modo, Voltaire também apresenta uma sociedade utópica, quando Cândido e seu criado Cacambo vão à cidade de Eldorado, um lugar místico na América do Sul, onde havia muito ouro e pedras preciosas, mas ninguém se importava com toda essa riqueza. Eles deixam esse belo lugar para procurar Cunegundes até que Cândido consegue encontrá-la em Constantinopla (atual Istambul), na Turquia.

Há uma segunda parte no romance, muito menos conhecida, em que Cândido deixa o jardim na Turquia. Após muitas aventuras e seu casamento com uma outra mulher, ele fica na Dinamarca, e alcança uma alta posição na corte real.

OTIMISMO DE CÂNDIDO

Sarcástico, Voltaire leva o ingênuo protagonista Cândido a debater consigo mesmo o preceito de que estamos no “melhor dos mundos possíveis”, através de uma série de aventuras que dramaticamente fazem o protagonista contestar o ensinamento ao qual tanto se apegava.

O romance satiriza as interpretações ingênuas da filosofia de Gottfried Leibniz que oferecem motivos para não “enxergar” os horrores do mundo no Séc. XVIII. Em Cândido, Leibniz é representado pelo filósofo Pangloss, o mestre do personagem principal. Apesar de enfrentar uma série de infortúnios e desventuras, Pangloss afirma veementemente que “Tout est pour le mieux dans le meilleur des mondes possibles” (”Tudo está para a melhor no melhor dos mundos possíveis”). O romance encerra com Cândido finalmente contestando o otimismo exposto por Pangloss, dizendo “Il faut cultiver notre jardin” (”É necessário cultivar o nosso jardim”).

PERSONAGENS

* Cândido, o protagonista
* Cunegundes, esposa de Cândido
* Dr. Pangloss, mestre de Cândido
* Cacambo, criado de Cândido
* Martinho, companheiro de viagem de Cândido
* Paquette, criada da família de Cunegundes
* O Barão, irmão de Cunegundes
* A Velha, criada de Cunegundes
* Jacques o Anabatista, benfeitor de Cândido
* Frei Giroflée, frade a quem Paquette servia

CURIOSIDADES

* Cândido, em uma passagem, faz uma referência ao fictício Papa Urbano X como pai de um personagem. De acordo com uma nota que aparece pela primeira vez na edição de 1829, Voltaire teve “extrema discrição” ao atribuir uma filha ilegítima a um Papa fictício, em vez de um nome real. O último pontífice a ostentar o nome Urbano foi o Papa Urbano VIII.

* Na parte em que Don Fernando d’Ibaraa Figueora y Mascarenes y Lampourdos y Souza disse que desposaria Cunegundes, Cândido “não ousava dizer que era sua irmã, porque tampouco o era; embora essa mentira oficiosa estivesse outrora muito em moda entre os antigos”. Essa é uma referência ao livro de Gênesis na Bíblia, onde Abraão mentiu para o Faraó do Egito, lhe dizendo que Sara era sua irmã e não sua esposa.

Licenciado sob a GNU Free Documentation License. Fonte de Wikipédia Cândido.

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