A
eugenia é o conjunto das técnicas
aplicadas para a melhora genética
da espécie humana. Utilizando-se o sistema de interferência
na conformação genética de plantas
e animais, foi
possível melhorar seu rendimento para consumo humano.
Logo, também é possível alterar a conformação
humana através das mesmas técnicas.
O uso da eugenia pelos nazistas
Com
a divulgação dos trabalhos
de Mendel sobre herança genética, no início
do século XX. Alguns estudiosos e principalmente
líderes políticos discorreram sobre a correção
de caracteres considerados indesejáveis na espécie
humana. Porém, a eugenia caiu em descrédito
depois que os nazistas usaram-na para justificar a eliminação
de judeus, negros e homossexuais.
As
técnicas da eugenia
O
avanço tecnológica trouxe resultados que
estão levando o ser humano a desenvolver técnicas
de aperfeiçoar a si mesmo, independentemente da
discussão ética, moral ou religiosa. Com
a utilização de métodos de engenharia
genética, já é possível determinar
diversas características nos seus descendentes
se o homem assim o desejar.
Histórico
Já
na Grécia antiga, Platão descrevia, em República,
a sociedade humana se aperfeiçoando por processos
seletivos, já conhecidos na época. Modernamente,
uma das primeiras descrições sobre a eugenia
foram feitas pelo cientista inglês Francis Galton.
Galton
foi influenciado pela obra de seu primo Charles Darwin,
A Evolução das Espécies, que utilizou
pela primeira vez o cálculo e tabelas, para o levantamento
de populações das mais diversas espécies
e que futuramente viriam a se transformar na moderna ciência
da estatística.
Foi
também Galton quem cunhou o termo eugenia, para
designar a melhora de uma determinada espécie através
da seleção artificial, em sua obra Inquiries
into Human Faculty and Its Development (Pesquisas sobre
as Faculdades Humanas e seu Desenvolvimento), de 1883.
Ao
escrever seu livro Hereditary Genius (O gênio herdado)
em 1869, Galton observou, compilou dados e sistematizou
a inteligência em vários membros durante
sucessivas gerações de várias famílias
inglesas. Sua conclusão foi de que a inteligência
acima da média nos indivíduos de uma determida
família, se transmite hereditariamente.
A
eugenia logo se transformou num movimento que angariou
adeptos entre os cientistas e principalmente entre a população
em geral na época. Trouxe, porém, em função
do simplismo e arcaísmo de análise, o seu
próprio declínio.
O
desvio da doutrina eugênica
Devido
às crenças eugênicas, a discussão
tornou-se mais emocional do que científica, convertendo-se
numa teoria e numa doutrina racista. Os seguidores da
teoria da eugenia não levaram em conta a influência
do meio ambiente sobre as características individuais,
entre outras variáveis. A abordagem científica
deu espaço a posições de cunho emocional
e empírico, racista e classista, convergindo em
regimes onde em nome da pureza da raça e da genialidade
humana cometeram-se as mais diversas atrocidades, estas
levaram a genocídios visando a limpeza étnica.
A
ética e a eugenia
Observando-se
do ponto de vista ético, é impossível
determinar o ponto exato onde a interferência do
Estado pode ou não impedir ou incentivar a reprodução
de cidadãos por quaisquer critérios. Alegando,
por exemplo que uma determinada prole tem maior ou menor
probabilidade de ser melhor ou pior dotada. A comunidade
científica sabe que a hereditariedade tem papel
importante, porém nunca exclusivo sobre a inteligência
de um determinado indivíduo, ou grupos de indivíduos.
São
conhecidos mecanismos fisiológicos de transmissão
e expressão de caracteres hereditários.
Também são conhecidos métodos que
possibilitam inibir o nascimento de indivíduos
com defeitos físicos ou enfermidades. Sabe-se também
que as doenças hereditárias, que poderiam
ser alvo de um programa eugênico, estatisticamente,
têm freqüência muito baixa nas populações,
pois a seleção natural impede o crescimento
de qualquer prole com defeitos congênitos.
Em
vários países o movimento eugênico
inspirou a promulgação de leis que determinavam
a esterilização compulsória de portadores
de certas doenças hereditárias graves. Tal
atitude do ponto de vista genético não procede,
pois se a doença hereditária é grave,
a própria seleção natural mantém
a incidência muito baixa.