A
arte e a arquitetura das sociedades gregas desde
o início da Idade do Ferro (século XI a.C.)
até o final do século I a.C. Antes disso (Idade
do Bronze), a arte grega do continente e das ilhas (excetuando-se
Creta, onde havia uma tradição diferente chamada
arte minóica) é conhecida como arte micênica,
e a arte grega mais tardia, chamada helenística,
é considerada integrante da cultura do Império
Romano (arte romana).
Escultura grega
Estatuetas
de bronze sólido, retratando homens e especialmente
cavalos, constituem os exemplos mais remotos de escultura
grega. As primeiras estátuas de pedra, quase do tamanho
humano, datam de 650 a.C; são pesadas e unidimensionais.
No início deste 'período arcaico', o escultor
representava superficialmente as feições e
músculos, evitando cortar a pedra com profundidade.
Os escultores dos séculos VI e início do V
estudaram as formas do corpo, elaborando gradualmente suas
proporções. A escultura se desenvolveu tanto
que as estátuas passaram a apresentar detalhes em
todos os ângulos de vista, em vez de apenas no plano
frontal. As estátuas eram pintadas durante todo o
período grego. Muitas delas, enterradas nas ruínas
depois que os persas saquearam a Acrópole de Atenas,
em 480 a.C., foram encontradas com a coloração
preservada.
Às
vitórias sobre os persas, no início do século
V a.C., seguiu-se um estilo sombrio e grandioso, cuja expressão
característica se encontra nas esculturas de Olímpia.
Foi uma época de crescente naturalismo, durante a
qual o escultor, seguro de seu domínio das formas
humanas, começou a representar todos os tipos de
ação. O Discóbolo de Míron,
uma estátua de um atleta atirando o disco, executado
por volta de 450 a.C., era feito originalmente em bronze,
mas sobreviveu apenas em cópias romanas em mármore.
Na verdade, a maioria dos escultores deste período
trabalhava com bronze; o bronze fundido, oco, data desta
época, mas não foram salvas obras produzidas
até o século V a.C. Poucos exemplares de tamanho
natural sobreviveram, salvo cópias, mas existe um,
de autor desconhecido, que deve estar entre os maiores (que
retrata Zeus lançando um raio), encontrado no mar,
perto do cabo Artemísio; foi produzido por volta
de 470-460 a.C. Entre 445 e 432 a.C., Fídias esculpiu
as duas famosas estátuas de Atena para o Partenon,
além do Zeus de Olímpia. Elas são conhecidas
apenas através de cópias e de descrições
posteriores. Eram obras colossais, com adornos de marfim
e ouro. As esculturas do Partenon mostram a grandeza do
estilo e do desenho de Fídias, sua força esplendorosa,
delicadeza e sutileza. Seu contemporâneo, Policleto
de Argos, por volta de 440 a.C., esculpiu a estátua
de um jovem empunhando uma lança, nas proporções
que considerava ideais para a figura humana.
No
século V a.C., a emoção começou
a tomar conta da figura completa e não apenas da
sua face, que geralmente apresentava um semblante calmo.
Os escultores do século IV a.C., como Escopas de
Paros, esforçaram-se para representar o intelecto
e a emoção através das feições
do rosto, o que levou ao desenvolvimento dos retratos. Os
primeiros idealizavam o modelo, representando mais um tipo
do que um indivíduo. O caimento das roupas tornou-se
dramático, com dobras onduladas complexas para efeitos
de luz e sombra, além de indicar as diferentes texturas.
O corpo humano era suave e gracioso, mas faltava-lhe a força
e a dignidade das obras anteriores. Esta mudança
é observada nas obras de Praxíteles (meados
do século IV a.C.), que trabalhou principalmente
com mármore.
A arquitetura grega apresenta uma história igualmente
longa e característica. Os primeiros templos eram
pequenas construções na forma de cabanas,
feitas de cascalho ou tijolos de barro, algumas vezes com
telhado de folhas. Os templos com colunas de pedras são
raros antes do VI século. O projeto era simples --
uma construção retangular sobre uma base de
geralmente três degraus, com colunas no pórtico,
na extremidade oposta ou em todos os seus lados. Os gregos
não usavam o arco; suas construções,
para produzirem efeito, dependiam dos fortes contrastes
entre luz e sombra nas superfícies horizontais e
verticais. Figuras esculpidas preenchiam o frontão
de cada extremidade da construção e relevos
apareciam nas vigas apoiadas pelas colunas. A escultura
normalmente evocava a história de um deus ou herói
do lugar. Frontões apresentando elaboradas cenas
de ação foram encontrados nos templos de Egina
(início do século V a.C.), Olímpia
e no Partenon (meados do século V a.C.). Nos relevos,
os artistas precisavam esculpir, em planos diferenciados
por poucos centímetros, figuras que avançavam
e recuavam no espaço. Este efeito foi brilhantemente
alcançado no friso do Partenon de Atenas, onde cavaleiros
são apresentados em grupos.
Pintura
grega
Restou
pouco dos grandes murais gregos, exceto algumas notáveis
pinturas de tumbas dos séculos IV e III a.C., especialmente
em Vergina, na Macedônia. Embora não tenham
ficado traços da obra de artistas como Zêuxis,
sua influência pode ser acompanhada através
de pinturas em vasos, praticada por artistas de grande habilidade.
Os
gregos também foram adeptos de outros tipos de arte:
belos trabalhos de bronze foram encontrados em Vix, no centro
da França (500 a.C.), por exemplo. Relevos em pedras
semipreciosas atingiram a perfeição com o
trabalho de Dexamenos no final do século IV e jóias
bastante refinadas foram encontradas no sul da Itália
(Magna Grécia) e no sul da Rússia.
A
arte grega não acabou com a conquista romana e mesmo
com a transição do período antigo para
o medieval, ela se desenvolveu como arte helenística
e, depois, como arte bizantina, constituindo a base da arte
na Europa ocidental. Sua influência duradoura se deve
à racionalidade e ao equilíbrio, à
sua tendência em privilegiar a estética do
humano e da beleza. |