Segundo
a tradição, Diógenes vivia a perambular
pelas ruas na mais completa miséria até
que um dia foi aprisionado por piratas para, posteriormente,
ser vendido como escravo. Um homem com boa educação
chamado Xeníades o comprou. Logo ele pôde
constatar a inteligência de seu novo escravo e lhe
confiou tanto a gerência de seus bens quanto a educação
de seus filhos.
Diógenes
levou ao extremo os preceitos cínicos de seu mestre
Antístenes. Foi o exemplo vivo que perpetuou a
indiferença cínica perante o mundo. Desprezava
a opinião pública e parece ter vivido em
uma pipa ou barril. Seus únicos bens eram um alforje,
um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego
e auto-suficiência perante o mundo).
A
felicidade - entendida como autodomínio e liberdade
espiritual - era a verdadeira realização
de uma vida. Sua filosofia combatia o prazer, o desejo
e a luxúria pois isto impedia a auto-suficiência.
A virtude - como em Aristóteles - deveria ser praticada
e isto era mais importante que teorias sobre a virtude.
Diógenes dizia que era um cidadão do mundo,
destacando um cosmopolitismo relativamente raro em seu
tempo.
Diógenes
parece ter escrito tragédias ilustrativas da condição
humana e também uma República que teria
influênciado Zenão de Cítio, fundador
do estoicismo. De fato, a influência cínica
sobre o estoicismo é bastante saliente.
Provavelmente,
Diógenes foi o mais folclórico dos filósofos.
São inúmeras as histórias que se
contavam sobre ele já na Antigüidade. É
famosa, por exemplo, a história de que ele saía
em plena luz do dia com uma lanterna acesa procurando
por homens verdadeiros (ou seja, homens auto-suficientes
e virtuosos). Igualmente famosa é sua história
com Alexandre, o Grande, que, ao encontrá-lo, teria-lhe
perguntado o que poderia fazer por ele. Acontece que devido
à posição em que se encontrava, Alexandre,
fazia-lhe sombra. Diógenes, então, olhando
para o sol, disse: "Não me tires o que não
me podes dar!". Essa resposta impressionou vivamente
Alexandre, que, na volta, ouvindo seus oficiais zombarem
de Diógenes, disse: "Se eu não fosse
Alexandre, queria ser Diógenes."
Diogenes
é tido como o primeiro homem a afirmar, "Sou
uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado
um cidade (polis) particular". Desta forma, foi o
criador do conceito de cosmopolitismo.