| As
Termópilas, constituíam um
antigo estreito situado no centro da Grécia, na fronteira
entre as regiões da Fócida (a Sudoeste), da
Ftiótida (a Noroeste), da Lócrida (a Nordeste)
e da Beócia (a Sudeste), encravado entre as cadeias
montanhosas do Eta e do Calídromo e um braço
de mar (o golfo de Mália).
Devem
o seu nome ao facto de no seu interior existirem duas fontes
sulfurosas, sendo que o estreito – uma simples faixa
de areia entre o mar e o desfiladeiro –, em três
dos seus troços (as três «portas»,
donde o estreito houve o seu nome), era de tal forma estreito
que, de acordo com a narrativa do historiador Heródoto
de Halicarnasso, apenas podia passar um carro de cada vez
(Histórias, Livro VII, 176).
Tratava-se
de uma região relativamente estéril, apta
somente para o pastoreio.
Nas
próximidades do desfiladeiro correm dois rios: o
Asopo e o Espérquio, os quais, ao longo dos séculos,
foram depositando sedimentos nas imediações
do estreito, fazendo aumentar a estreita faixa de terra
entre o desfiladeiro e o mar, de apenas cerca de 13 metros,
para vários quilómetros de comprimento, consoante
os locais.
As
Térmopilas tornaram-se conhecida após a célebre
batalha do mesmo nome, que opôs os defensores da Grécia
aos Persas invasores, em meados de 480 a.C., no decorrer
da II Guerra Médica, tendo-se tornado sinónimo
de resistência heróica ao inimigo. Houve, contudo,
várias outras batalhas travadas nesse estreito, ao
longo da Antiguidade Clássica.
Hoje
em dia, ergue-se no local um monumento, inaugurado em 1955,
dedicado ao rei Leónidas I de Esparta e aos seus
míticos Trezentos Espartanos que aí o acompanharam
na morte; nele figura uma lápide com os célebres
versos de Simónides de Ceos:
Ou
em português (tradução de Maria Helena
da Rocha Pereira, in Hélade, 6.ª ed., Coimbra,
FLUC, 1995, p. 148):
«Estrangeiro,
vai contar aos Lacedemónios que jazemos
aqui, por obedecermos às suas normas.»
Outra
tradução possível:
«Digam
aos espartanos, estranhos que passam, que aqui,
obedientes às suas leis, jazemos.»
Fotos
desse monumento podem ser encontradas na versão em
língua neerlandesa desta página, aqui.
Também
o poeta grego do século XX, Konstantínos Kaváfis,
dedicou um poema a este passo, do qual se pode ver a primeira
página ao lado. |