| Euclides
de Alexandria (360 a.C.
- 295 a.C.) foi um professor, matemático platónico
e escritor de origem desconhecida, criador da famosa geometria
euclidiana: o espaço euclidiano, imutável,
simétrico e geométrico, metáfora do
saber na antiguidade clássica, que se manteve incólume
no pensamento matemático medieval e renascentista,
pois somente nos tempos modernos puderam ser construídos
modelos de geometrias não-euclidianas. Teria sido
educado em Atenas e freqüentado a Academia de Platão,
em pleno florescimento da cultura helenística.
Convidado
por Ptolomeu I para compor o quadro de professores da recém
fundada Academia, que tornaria Alexandria no centro do saber
da época, tornou-se o mais importante autor de matemática
da Antiguidade greco-romana e talvez de todos os tempos,
com seu monumental Stoichia (Os elementos, 300 a.C.), no
estilo livro de texto, uma obra em treze volumes, sendo
cinco sobre geometria plana, três sobre números,
um sobre a teoria das proporções, um sobre
incomensuráveis e os três últimos sobre
geometria no espaço. Escrita em grego, a obra cobria
toda a aritmética, a álgebra e a geometria
conhecidas até então no mundo grego, reunindo
o trabalho de seus predecessores, como Hipócrates
e Eudóxio, e sistematizava todo o conhecimento geométrico
dos antigos e intercalava os teoremas já conhecidos
então com a demonstração de muitos
outros, que completavam lacunas e davam coerência
e encadeamento lógico ao sistema por ele criado.
Após sua primeira edição foi copiado
e recopiado inúmeras vezes e, versado para o árabe
(774), tornou-se o mais influente texto científico
de todos os tempos e um dos com maior número de publicações
ao longo da história.
Depois
da queda do Império Romano, os seus livros foram
recuperados para a sociedade européia pelos estudiosos
árabes da península Ibérica. Escreveu
ainda Óptica (295 a.C.), sobre a ótica da
visão e sobre astrologia, astronomia, música
e mecânica, além de outros livros sobre matemática.
Entre eles citam-se Lugares de superfície, Pseudaria
e Porismas.
Algumas
das suas obras como Os elementos, Os dados, outro livro
de texto, uma espécie de manual de tabelas de uso
interno na Academia e complemento dos seis primeiros volumes
de Os Elementos, Divisão de figuras, sobre a divisão
geométrica de figuras planas, Os Fenômenos,
sobre astronomia, e Óptica, sobre a visão,
sobreviveram parcialmente e hoje são, depois de A
Esfera de Autólico, os mais antigos tratados científicos
gregos existentes. Pela sua maneira de expor nos escritos
deduz-se que tenha sido um habilíssimo professor.
Obras
de Euclides
Euclides
(c.325 - c.265 a.C.), provavelmente, recebeu os primeiros
ensinamentos de Matemática dos discípulos
de Platão. Ptolomeu I – general macedônio
(favorito de Alexandre, o Grande) – trouxe Euclides
de Atenas para Alexandria. Esta se tornara a nova capital
egípcia no litoral mediterrâneo e centro econômico
e intelectual do mundo helenístico. O sábio
fundou a Escola de Matemática na renomada Biblioteca
de Alexandria, que pode ter alcançado a cifra de
700.000 rolos (papiros e pergaminhos).
Alexandria, a partir de Euclides até o séc.
IV d.C., reinou quase absoluta não só como
a mais eclética e cosmopolita cidade da Antigüidade,
mas também como principal centro de produção
matemática. Além dos Elementos, a bibliografia
de Euclides é eclética e valiosa: Os Dados
(solução de problemas geométricos planos);
Da Divisão (trata da divisão de figuras planas);
Fenômenos (geometria esférica aplicada à
astronomia); Óptica (que trata da geometria dos raios
refletidos e dos raios refratados); Introdução
Harmônica (música). E para desfortuna de milhares
de matemáticos, muitas das obras de Euclides se perderam:
Lugares de superfície, Pseudaria, Porismas (que pode
ter representado algo próximo da nossa atual Geometria
Analítica). Precipuamente, lamenta-se o desaparecimento
de As Cônicas, obra do autor, que, conforme referências,
deve ter tratado de esfera, cilindro, cone, elipsóide,
parabolóide, hiperbolóide, etc. A Biblioteca
de Alexandria estava muito próxima do que se entende
hoje por Universidade. E se faz apropriado o depoimento
do insigne Carl B. Boyer, em a História da Matemática:
"A Universidade de Alexandria evidentemente não
diferia muito de instituições modernas de
cultura superior. Parte dos professores provavelmente se
notabilizou na pesquisa, outros eram melhores como administradores
e outros ainda eram conhecidos pela sua capacidade de ensinar.
Pelos relatos que possuímos, parece que Euclides
definitivamente pertencia à última categoria.
Nenhuma descoberta nova é atribuída a ele,
mas era conhecido pela sua habilidade ao expor. Essa é
a chave do sucesso de sua maior obra - Os Elementos”.
Destarte, Euclides foi sinônimo de Geometria e reinou
absoluto até o séc. XIX, quando foi parcialmente
contestado por Riemann, Lobatchewski e Bolyai (criadores
das geometrias não-euclidianas). Na Teoria da Relatividade,
a geometria euclidiana nem sempre é verdadeira. Exemplo:
no gigantesco campo gravitacional, que orbita nas vizinhanças
dos buracos negros e nas estrelas de nêutrons. Mesmo
assim, o próprio Einstein se faz reconhecido: “Quem,
na juventude, não teve seu entusiasmo despertado
por Euclides, certamente não nasceu para ser cientista”. |