A
civilização minóica
foi uma civilização que se desenvolveu na
ilha de Creta, a maior ilha do mar Egeu, entre 2100 a.C.
e 1400 a.C., o período anterior ao da cultura micênica.
Teve como principal centro a cidade de Cnossos. O termo
"minóico" deriva de Minos, título
dado ao rei de Creta.
Origem
Pré-História
A
origem dos minoanos é incerta. A ilha foi ocupada
a partir de 6000 a.C. por povos neolíticos, como
evidenciado por figuras antropomórficas de argila.
As primeiras peças de cerâmica surgiram por
volta de 5700 a.C.. A arquitetura é semelhante às
presentes no Egito e no Oriente Médio deste período
e de períodos posteriores, com tijolos queimados
sobre fundação de pedra, cobertos por barro,
que pode ligá-los aos povos daquelas regiões,
e não aos povos europeus como costuma-se pensar.
O
povo cultivava trigo, lentilhas, criava bois e cabras. O
terreno montanhoso e acidentado dava lugar a profundos vales
férteis, onde era praticada a agricultura. A pesca
também era um importante elemento na obtenção
de recursos.
Por
volta de 3800 a.C, o cobre substituiu as pedras em utensílios
como machados, e a ilha toda passou a ser ocupada por esta
cultura
Idade
do Bronze
Por
volta de 3000 a.C. são encontrados vestígios
de utensílios de bronze e fornos para sua fundição.
Neste período, a ocupação do litoral
tornou-se evidente, com vilas costeiras e ancoradouros.
Surgiu um sistema de escrita (linear A, linear B, ainda
sem tradução). Após 2100 a.C. grandes
palácios começaram a ser construídos,
denotando um certo grau de unidade política. Com
registros escritos, unidade política e possivelmente
um exército (e uma armada), caracteriza-se o início
da civilização minóica.
Arquitetura
As
estruturas de tijolos, pedra e barro se mantiveram ao longo
da evolução desta civilização,
mas a complexidade de suas construções aumentou
desde o período neolítico. As casas eram retangulares,
externamente amplas, com o interior dividido em muitos cômodos
pequenos. Os palácios eram estruturas complexas,
com diversos cômodos ligados por sinuosos corredores.
As paredes eram freqüentemente adornadas por representações
de animais, festejos ou figuras geométricas, com
ênfase em cores vivas.
Arte
Arte minóica
A
cerâmica se destacou por apresentar diversidade de
formas e funções, progredindo em termos de
de variedade, refinamento e acabamento. Eram decorados com
pinturas de formas geométricas simples, como triângulos,
zigue-zagues e padrões simétricos abstratos.
Algumas obras possuíam pequenas imagens do cotidiano,
como plantas e animais domésticos.
As
pinturas em parede ganham destaque. Suas cores vivas puderam
ser vistas nas ruínas dos palácios mesmo milhares
de anos após sua destruição. Também
retratam com bom grau de precisão e detalhamento
animais selvagens e domésticos (sobretudo o touro),
figuras humanas em cenas como festas, casamentos, colheitas
e cerimônias. A maior parte do conhecimento acerca
da sociedade minóica se deve a essas pinturas.
Posteriormente,
os trabalhos em metal (sobretudo ouro) e pedras preciosas
tornaram-se notáveis em detalhamento e se transformaram
em artigos de exportação preciosos, populares
desde o Egito à Pérsia.
Estrutura
política
Acredita-se
que a civilização minóica era constituída
por cidades-estado, subordinadas em certo nível a
uma cidade mais importante e seu rei. Assume-se que Cnossos
era esta cidade. O palácio de Cnossos é o
maior já encontrado na ilha, embora grandes palácios
também ocorram em Festos e Malia. Associados ao palácio,
estavam casas, lojas, banhos, oficinas e armazéns.
Devido à dificuldade na tradução dos
escritos minóicos, não há a identificação
dos reis de Creta (o nome Minos foi atribuído pelos
gregos, posteriormente, ao rei que teria governado do palácio
de Cnossos).
Atividades
econômicas
O
Egito, durante muito tempo, importou de Creta azeite e vinho,
geralmente transportados em vasos de cerâmica. Os
cretenses também desenvolveram a cultura de oliveiras,
videiras e cereais.
A
civilização minóica, com o tempo, tornou-se
uma talassocracia, o que foi possível graças
à presença de madeira em suas florestas, largamente
utilizada na fabricação de barcos, muitos
dos quais atingiam 20 metros de comprimento.
A
indústria foi igualmente acentuada, principalmente
na exportação de jóias e tecidos. As
jóias eram fabricadas por meio de metais importados
da região que hoje é a Espanha.
Religião
Supõe-se
que a religião minóica tenha sido uma mistura
de cultos a divindades associadas aos fenômenos da
natureza. Ainda em seu princípio, esculturas de uma
deusa-mãe tornaram-se freqüentes. Também
se destacou em importância a imagem do touro, reproduzida
em pinturas e em obras arquitetônicas, que pode ter
sido associado à fertilidade. Cerimônias religiosas
são descritas em pinturas. Santuários foram
identificados em cavernas e montanhas, bem como no interior
dos próprios palácios, o que pode atribuir
aos reis alguma função sacerdotal.
Inicialmente
os mortos eram sepultados em cavernas, mas com o gradativo
desenvolvimento da vida urbana, grandes túmulos e
mausoléus tomaram lugar nos ritos fúnebres.
Apogeu
O
apogeu da civilização minóica se deu
entre 1700 a.C. a 1400 a.C.. Por volta de 1700, um grande
terremoto destruiu a ilha, e os palácios foram reconstruidos
em ainda maior escala, com o desenvolvimento de túmulos
maiores, sistemas de esgoto e esculturas elaboradas. A prosperidade
da ilha se deveu basicamente à habilidade na construção
de naus rápidas e resistentes, capazes de transpor
o Mar Mediterrâneo. Desta forma, os minoanos estabeleceram
relações comerciais com as civilizações
circundantes, exportando peças de metal, jóias,
cerâmica, azeite e lã.
Sua
expansão comercial coincidiu com sua expansão
territorial e política. Colônias foram fundadas
em diversas ilhas do Mar Egeu e na Sicília.
Os
aqueus, áticos e jônios ocuparam inicialmente
a área da atual Grécia durante o terceiro
milênio antes de Cristo, e foi provavelmente através
do contato com comerciantes minoanos que descobriram a metalurgia,
a navegação, a construção de
barcos e o cultivo das oliveiras, que se tornariam o eixo
da sociedade grega primitiva. A mescla destes povos e a
herança cultural dos minoanos originou a civilização
micênica.
Declínio
A
chegada de outra tribo indo-européia, os dórios,
à Grécia continental coincidiu com um grande
desastre natural. Uma violenta erupção vulcânica
na ilha de Santorini em 1470 a.C. causou um maremoto que
destruiu os portos minóicos e provavelmente toda
a sua armada. Incapazes de estabelecer comércio com
outras culturas e defender-se de invasões estrangeiras,
a sociedade aparentemente entrou em guerra civil.
Ainda
no século XV a.C., os dórios vindos do Peloponeso
invadiram Creta, estabeleceram-se nas cidades abandonadas
e construíram sobre cidades destruídas. Os
minoanos migraram para o leste da ilha, mas foram finalmente
assimilados por volta de 1380 a.C..
A
civilização minóica e a mitologia grega
O
contato com os ancestrais dos gregos transformou os minoanos
e elementos básicos de sua cultura em lendas que
perpetraram-se na mitologia grega.
Baseados
nas evidências encontradas em Creta posteriores à
invasão dória, surgiu a lenda de um rei mitológico
que teria governado em Cnossos. Seu castelo possuía
um grande labirinto (na verdade, eram as ruínas dos
corredores do palácio), onde, no centro habitava
uma criatura meio touro, meio homem, o minotauro (baseados
nos vários símbolos em referência ao
touro presentes no local). As lendas de Dédalo e
Ícaro, e a lenda de Teseu são baseadas neste
cenário. Tucídides, historiador grego, menciona
Minos como o primeiro rei a construir uma armada, assumindo
que ele tenha realmente existido.
Platão
escreve sobre Atlântida como uma antiga e avançada
civilização localizada em uma ilha que teria
sido engolida pelo mar. As descrições da riqueza
e da prosperidade, bem como a similaridade dos eventos cataclísmicos,
faz crer que a lenda de Atlântida seja um vestígio
da impressão dos antigos micênicos, então
uma cultura recém-saída da idade da pedra,
frente aos primeiros contatos com a civilização
minóica, então uma civilização
bem desenvolvida.