Dilmun
(também Telmun) é associada a sítios
da antigüidade nas ilhas de Bahrain, no Golfo Pérsico.
Devido à sua localização junto à
rota de comércio marítima que ligava a Mesopotâmia
à civilização do Vale do Indo, Dilmun
desenvolveu-se fortemente durante a Idade de Bronze, por
volta de de 3.000 a.C., tornando-se um dos maiores entrepostos
de comércio do mundo antigo.
Existem evidências tanto literárias como arqueológicas
acerca do comércio estabelecido entre a Mesopotâmia
e o Vale do Indo (este, provavelmente identificado corretamente
com a região que, na língua acádia,
chamava-se Meluhha).
Marcas de selos de argila e sinais de cordas ou sacas do
lado inverso dos embrulhos de mercadorias, originários
da cidade de Harappa, na região do Vale do Indu,
mostram que essas técnicas eram evidentemente usadas
como selos de proteção de mercancia. Um número
considerável desses selos provindos do Vale do Indo
foram encontrados em Ur e outras cidades mesopotâmicas.
Os selos oriundos do "Golfo Pérsico", que
tinham forma circular, diferentemente daqueles usados em
Dilmun, que tinham forma cilíndrica, aparecem em
Lothal, cidade da região de Gujarat, na Índia,
em Faylahkah e na Mesopotâmia, corroborando de forma
decisiva a crença de que existia um comércio
marítimo de longa-distância – o que não
se pode especificar é em que, exatamente, consistia
esse comércio. Entre os bens enviados à Mesopotâmia
encontravam-se madeira, marfim, lápis-lazúli,
ouro e outros bens de luxo como cornalina e contas de pedra
vidradas, pérolas do Golfo e ornamentos feitos de
conchas e ossos. Tudo isso em troca de prata, estanho, tecidos
de lã, talvez óleo e grãos, além
de alimentos outros. Lingotes de cobre e muito provavelmente
o betume, que eram comuns na Mesopotâmia, podem ter
sido escambados por tecidos de algodão e galinhas,
produtos abundantes na região do Indo e não
próprios da região mesopotâmica.
Documentos de comércio mesopotâmicos, lista
de mercadorias e inscrições oficiais mencionando
Meluhha suplementam os selos de Harappa e os achados arqueológicos.
Apesar das referências literárias ao comércio
de Meluhha datarem do período acádio, da Terceira
Dinastia de Ur e do período Isin-Larsa (ou seja,
o intervalo compreendido entre 2.350 e 1.800 a.C.), as transações
comerciais provavelmente iniciaram-se no Antigo Período
Dinástico (aprox. 2.600 a.C.). Algumas ânforas
podem haver sido levadas aos portos mesopotâmicos,
mas no período Isin-Larsa Dilmun já monopolizava
o comércio. Já no subseqüente antigo
perído babilônico, o comércio entre
as duas culturas havia cessado por completo.
O Museu Nacional de Bahrain estabelece a Idade de Ouro de
Dilmun no período que se estende desde 2.200 até
1.600 a.C, enquanto que seu declínio data do tempo
em que a civilização do Vale do Indo entrou
em colapso repentina e misteriosamente, em meados do segundo
milênio a.C. Obviamente isso privaria Dilmun de sua
importância como centro comercial entre a Mesopotâmia
e a Índia. A queda do grande comércio marítimo
com o leste pode haver afetado a transferência de
poder em direção ao norte, fato que pode ser
observado na própria Mesopotâmia.
Evidências sobre culturas humanas do período
neolítico em Dilmun provêm de ferramentas e
armas silícicas. Em períodos posteriores,
tabuinhas em cuneiforme, selos cilíndricos, cerâmica
e até correspondência entre reis lançam
Dilmun à ribalta. Registros escritos mencionando
o arquipélago existem em fontes sumérias,
acádias, persas, gregas e latinas.
Dilmun, às vezes descrita como 'o local onde nasce
o sol' e 'a Terra dos Vivos' é o corolário
de um mito de criação suméria e o lugar
onde o deificado herói sumeriano do dilúvio,
Ziusudra (nome sumério de Noé – conferir
também o conceito de Utnapishtim), foi acolhido pelos
deuses para viver eternamente. Após seu real declínio,
Dilmun desenvolveu uma mitologia estilizada envolvendo jardins
de exótica perfeição de forma tal que
parece ter chegado a influenciar o conceito de Jardim do
Éden. Também, num processo às avessas,
baseando-se no tópico de forma mais literal, alguns
tentaram estabelecer a presença dum paraíso
em Dilmun.
Há informações de que Dilmun subsistiu
sob o poder da Assíria no século VIII a.C.,
sendo inteiramente reincorporada ao Império Neo-Babilônico
em 600 a.C. A cidade então cairia num profundo eclipse
marcado pelo declínio do comércio de cobre,
até o momento controlado por Dilmun, passando a um
papel muito menos importante no comércio de olíbano
e especiarias. A descoberta de um impressionante palácio
na área de Ras al Qalah em Bahrain traz a promessa
de maiores esclarecimentos acerca desse período tardio.
Para além disso, o passado se mostra inacessível,
não provendo qualquer informação até
a passagem de Nearco, almirante responsável pela
frota de Alexandre, o Grande, quando retornava do Vale do
Indo. Nearco manteve-se fiel ao trajeto marcado pela passagem
adjacente à costa iraniana do Golfo, de forma que
seja improvável haver parado em Dilmun. O almirante
estabeleceu uma colônia na ilha de Falaika, ao largo
da costa do Kuwait no fim do século IX a.C. e explorou
o golfo tendo talvez chegado tão ao sul quanto as
fronteiras de Dilmun/Bahrain. No período que abrange
Nearco até a vinda do Islã no século
VII d.C. Dilmun/Bahrain ficara conhecida pela denominação
grega de ????? (Tilos). A área foi anexada por Shapur
II à Arábia oriental, formando o império
persa sasaniano no século IV d.C.