A Confederação do Equador
foi um movimento revolucionário ocorrido em 1824
no Nordeste do Brasil. O termo alude a uma união
de províncias que pretendeu separar-se do Brasil,
principalmente por discordar do Império, e criar
uma república - a Confederação do Equador.
O
centro irradiador e a liderança da revolta couberam
a província de Pernambuco, que já havia
se rebelado em 1817 (veja Revolução Pernambucana
de 1817) e que enfrentava dificuldades econômicas.
Além da crise, a província se ressentia
ao pagar elevadas taxas para o Império, que justificava
essas taxas como necessárias para levar adiante
as guerras provinciais pós-independência
(algumas províncias resistiam à separação
de Portugal).
Pernambuco
esperava que a primeira constituição do
Império seria do tipo federalista, e daria autonomia
para as províncias resolveram suas questões.
No entanto, Dom Pedro dissolveu a assembléia constituinte
em 1823 e outorgou uma constituição no ano
seguinte, extremamente centralizadora. O gérmen
da revolta se plantou, e os jornais - notadamente o Tífis
Pernambucano, dirigido pelo Frei Caneca - criticavam dura
e abertamente o governo imperial. Vários ex-revoltosos,
anistiados em 1821, novamente conspiravam.
Em
julho de 1824 a revolta estourou no Recife. O estopim
fora a prisão de Manuel de Carvalho Pais de Andrade,
que fora eleito chefe provisório de uma junta de
governo. Pais de Andrade se recusou a empossar o governador
enviado por Dom Pedro I; o imperador, após estourar
a revolta, tentou conciliar-se com os pernambucanos, trocando
o nome do governador nomeado, mas não adiantou.
Os
revoltosos enviaram emissários para as demais províncias
do Nordeste (então Norte) do país. Conseguiram
apoio do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Formou-se daí a Confederação do Equador
propriamente dita, que tendia a organizar um país
independente do Brasil — embora essa não
fosse a intenção de muitos dos revoltosos.
Surgiram
algumas dissidências internas no movimento, pois
ele agregava classes sociais díspares. A proposta
de Pais de Andrade no sentido de libertar os escravos
e o exemplo haitiano (país que recentemente se
libertara do domínio francês através
de uma revolta popular) não tranquilizavam as elites,
e alguns proprietários de terras passaram a colaborar
com o governo imperial.
Dom
Pedro I enviou para o nordeste tropas contratadas no exterior,
sob o comando do lord Thomas Cochrane. Em setembro, caíram
3 províncias, só restando o Ceará,
que não aguentou além de novembro. Alguns
líderes confederados, entocados no sertão,
resistiram até dezembro.
Vários
rebeldes foram condenados por um tribunal militar à
forca. Um fato interessante que passou para a história
(embora seja discutível) foi a recusa dos carrascos
em executar o Frei Caneca, mentor intelectual da revolta
e uma das figuras mais carismáticas do Recife à
época, que se escondeu por alguns dias no município
de Abreu e Lima a época "Vila de Maricota"
antes de fugir para o Ceará. O religioso acabou
sendo fuzilado, ao contrário da sentença
inicial que previa o enforcamento.