Destino
Manifesto
O
Brasil estava e está incluído pelos Estados
Unidos na doutrina do Destino Manifesto onde a máxima
é: "A expansão dos Estados Unidos sobre
o continente americano, desde o Ártico até
a América do Sul, é o destino de nossa raça
(...) e nada pode detê-la". E ainda é
complementada pela afirmação: "A América
para os americanos".
Influência
estrangeira
Seguindo
a doutrina do destino manifesto, a influência das
escolas de Guerra dos Estados Unidos na formação
dos militares brasileiros pós guerra é notória.
Portanto, a direção ideológica seguida
é a direita. Na época não seria tolerada
uma república sindicalista, de esquerda, cuja orientação
filosófica vinha da União Soviética
e China.
Capitalismo
e Socialismo
No
confronto entre os dois modelos de desenvolvimento, um
representado pela esquerda e o outro pela direita, venceu
a "modernização conservadora"
apoiada pelas Forças Armadas financiadas pelo capital
e poderio militar dos Estados Unidos.
Preparação
do golpe
No
dia 28 de março de 1964, na cidade de Juiz de Fora,
os Generais Olympio Mourão Filho e Odílio
Denys se reuniram com o Governador de Minas Gerais o banqueiro
Magalhães Pinto.
Pinto
foi um dos principais financiadores do Ipes juntamente
com mais de trezentas empresas norte-americanas além
das grandes oligarquias do Brasil unidas aos grandes latifundiários.
A
finalidade da reunião era o estabelecimento de
uma data para o início da mobilização
que culminaria com o golpe militar de 1964.
As
datas
A
data estabelecida para o início das operações
militares para o golpe foi o dia quatro de Abril de 1964.
Conforme descrito pelos jornais O Estado de São
Paulo e Folha de São Paulo, o General Carlos Guedes,
da Infantaria, afirmou que não poderia ser dado
o golpe na data planejada, pois, nada que se faz em lua
de quarto minguante dá certo. Consta que os golpistas
haviam combinado em postergar a mobilização
para depois do dia oito de Abril de 1964.
Em
trinta e um de Março de 1964 intempestivamente
o general Olympio Mourão resolveu partir com suas
tropas para o Rio de Janeiro às três horas
da manhã. Este ato segundo os jornais, foi considerado
impulsivo pelo marechal Humberto de Alencar Castello Branco.
Castello
ao saber da partida de Olympio telefonou para Magalhães
Pinto com o intuito de segurar o levante. Consta que o
Marechal considerava o movimento prematuro e intempestivo.
Pinto
argumentou que uma vez iniciado o desenlace, seria um
erro parar, pois alertaria as forças legalistas
podendo agravar a situação.
Anos
mais tarde o Deputado Armando Falcão perguntou
ao General Olímpio o porquê da atitude precipitada.
A resposta do militar divulgada pela imprensa foi: (sic)...
--Em matéria de política sou uma vaca fardada,
e que de acordo minha consciência, estou certo,
e quem quiser que me siga.
A
precipitação
Segundo
analistas a precipitação foi um ato temerário
de falta de visão estratégica. Este fato
foi largamente discutido por historiadores e pela imprensa
no sentido de que se houvesse reação poderia
ter causado uma guerra civil no Brasil. Para tal precisaria
que Goulart tivesse uma parcela de apoio de outros segmentos
das Forças Armadas leais à Constituição
Brasileira, entre elas o General Morais Âncora.
A
Imprensa
A
imprensa colaborou com o golpe embora após o fim
do regime militar tenha clamado para si os méritos
de defensora da democracia. Antes da ditadura jornais
como O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã
e Diário de Notícias pregaram abertamente
a deposição do presidente. Somente o jornal
Última Hora não colaborou com o golpe.
Segundo
Mino Carta, "(sic)...a Folha de São Paulo
não só nunca foi censurada, como emprestava
a sua C-14, carro tipo perua veraneio, usado para transportar
o jornal, para recolher torturados ou pessoas que iriam
ser torturadas na Oban, Operação Bandeirante".
A
seqüência do golpe
Em
seguida à marcha seguida por Olympio Mourão
Filho, o general Morais havia recebido ordem de João
Goulart para prender Castello Branco, porém não
a cumpriu.
Comandando
o Destacamento Sampaio para interceptar o Destacamento
Tiradentes comandado pelo General Murici, o General Âncora,
embora com tropa muito mais mais poderosa e armada, segundo
suas palavras "não quis derramamento de sangue
brasileiro atirando contra a juventude do país".
Se
as forças se enfrentassem no Vale do Paraíba,
onde se encontraram, com certeza se iniciaria uma guerra
civil, e, segundo os cronistas da imprensa, era tudo que
os militares não queriam.
A
união das tropas
Ao
se encontrarem, ao invés de haver enfrentamento
as tropas uniram-se e marcharam em direção
ao Rio de Janeiro. Às dezessete horas do dia 31
de Março de 1964, se fez o golpe.
O
Segundo Exército era comandado pelo General Amauri
Kruel, este em contato telefônico com o Presidente,
recebeu um pedido de apoio para pôr fim ao avanço.
Kruel
impôs a condição do fechamento da
CGT para apoiar Jango, no que teve a negativa do Governante;
portanto, suas tropas se dirigiram para o Rio de Janeiro
pela Via Dutra, onde foram interceptados pelo General
Emílio Garrastazu Médici que estava com
os cadetes das Agulhas Negras à sua frente.
A
reunião dos generais
No
dia primeiro de Abril de 1964, houve uma reunião
entre Âncora e Kruel que, convencidos por Garrastazu,
se uniram de fato aos demais militares. Durante as negociações
foi decidida a união das tropas
A
prisão de Miguel Arraes e João Dória
Enquanto
isto, no Nordeste, Miguel Arraes, Governador de Pernambuco
e João Dória, Governador de Sergipe, eram
presos como traidores da Nação.
Jango
se refugia no Rio Grande do Sul
O
Quarto Exército comandado pelo General Justino
Bastos dominava estrategicamente toda a situação,
João Goulart havia voado para Brasília para
procurar apoio do Congresso. Na Guanabara Carlos Lacerda
havia posto a polícia á caça de colaboradores
de Gourlart bloqueando ruas e acessos com caminhões
de lixo. As tropas da polícia de Lacerda chegaram
a cercar o palácio Guanabara numa tentativa de
prender ao Presidente da República.
Enquanto
era perseguido pelos golpistas Goulart se reuniu com o
General Nicolau Fico, comandante militar de Brasília
e o general Assis Brasil, chefe da Casa Militar.
Preparou
um comunicado à nação, informando
que estaria indo para o Rio Grande do Sul para se unir
às forças do III Exército, sob o
comando do general Ladário Teles, informando sobre
o golpe e conclamando a população a lutar
pela legalidade.
Darcy
Ribeiro e Waldir Pires falaram à população
na televisão. O governo ainda controlava os meios
de comunicação em Brasília. O presidente
tentou viajar para Porto Alegre em avião de carreira.
A decolagem porém foi sabotada por golpistas. Jango
voou então no avião presidencial, se arriscando
a ser abatido por militares golpistas.
Apesar
do acordo com o General Nicolau Fico estabelecer que as
tropas ficariam nos quartéis em Brasília,
os militares ocuparam as imediações do Congresso
para impedir manifestações populares. Estas
estavam previstas se os Congressistas se reunissem para
votar o impedimento do presidente.
O
motivo seria o fato do chefe da nação ter
se ausentado do país. Darcy Ribeiro fez então
um comunicado, lido por Doutel de Andrade na tribuna do
Congresso Nacional, já na madrugada do dia 2 de
abril.
A
ação do Congresso
O
Senador Auro de Moura Andrade, presidente do Congresso
Nacional, apesar do Presidente da República estar
no País, declarou vaga a Presidência. Alegou
que o presidente havia saído do Brasil e que o
comunicado de Darcy era mentiroso.
Andrade
empossou o Presidente da Câmara Ranieri Mazilli
como Governante Provisório, ato considerado anos
depois por juristas como irregular. Em seguida mandou
desligar os microfones e as luzes rapidamente sob protestos
de Tancredo Neves.
Os
participantes do Congresso Brasileiro criaram assim condições
para o golpe militar e a ditadura que se seguiria.
Jango
vai embora do Brasil
Consta
que Darcy Ribeiro tentou convencer o presidente a resistir,
como explicou em depoimento.
Darcy
considerava que o governo deveria resistir usando a aviação
comandada pelo Brigadeiro Teixeira para conter as tropas
de Olímpio Mourão, composta de recrutas
desarmados, e os fuzileiros comandados por Almirante Aragão,
que poderiam então prender Carlos Lacerda e Castello
Branco.
Goulart
se recusou a resistir pois foi informado que os golpistas
tinham o apoio da armada americana que estava se encaminhando
para o Brasil, o que poderia conflagrar uma guerra cívil.
João
Goulart tinha o apoio do Terceiro Exército comandado
pelo General Lazário, e de Leonel Brizola. Porém
decidiu ir embora do Brasil. Fato digno de registro que
mostra a boa índole do povo brasileiro, é
que ninguém, nem o Presidente deposto, nem os golpistas
queriam uma guerra civil.
A
partir de então teria sugido uma dura inimizade
entre Brizola e Joâo Goulart, que perduraria até
1976.
Argemiro
de Assis Brasil
O
general Argemiro de Assis Brasil foi figura determinante
na fuga de Jango do país durante o golpe, pois
protegeu-o e à sua família, guiando-o em
segurança para o Uruguai. Ao se apresentar às
autoridades que assumiram ao poder, o general foi preso,
processado e sua carreira profissional interrompida sendo
considerado traidor. Perante o Exército Brasileiro
o general Assis Brasil passou a ser considerado morto,
perdendo assim todos os seus direitos e os anos dedicados
àquela arma.
Represálias
O
jornal Última Hora e a sede da Une são destruídos
por militantes de Lacerda, muitas das organizações
que apoiavam à Jango tiveram seus líderes
presos e perseguidos duramente pela ditadura. À
medida em que o golpe militar foi avançando as
liberdades individuais da população brasileira
foram sendo extinguidas com o endurecimento do regime.
A
ruptura da Democracia
Para
conseguir o intento modernizante apregoado pelos conservadores,
estes afirmavam que era necessária a ruptura da
Democracia, promovendo o fechamento do jogo político
e do Congresso Nacional.
A
imposição de um estado de exceção
com a ruptura dos direitos civis da população
e uma ditadura militar com o alinhamento político-econômico
sob tutela e proteção dos Estados Unidos
da América, segundo aqueles, era primordial para
a modernização do Brasil, e, havia a doutrina
propagandeada de que "(sic)...o que era bom para
os Estados Unidos, era bom para o Brasil...".
As
responsabilidades
O
movimento político militar de 1964 foi um golpe
de estado, portanto não somente militar. O Congresso
e a sociedade civil tiveram sua responsabilidade aceitando
o patrocínio militar, financeiro e logístico
dos Estados Unidos. A Operação Brother Sam,
conforme amplamente divulgado pela própria imprensa
nacional e estrangeira teve papel importante em respaldar
a "Operação Popeye" deflagrada
por Olympio Mourão Filho. O National Security Archive,
entidade de pesquisa e divulgação de documentos
secretos do governo norte-americano, por ocasião
dos quarenta anos do golpe militar, divulgou documentos
já em domínio público do primeiro
escalão do governo norte-americano da época.
Segundo
os arquivos, para o presidente Lyndon Johnson, o que estava
em jogo era o confronto global entre o comunismo soviético
e a democracia. Por essa razão Johnson estava disposto
a fazer o que fosse preciso para ajudar o movimento que
derrubou João Goulart.
A
embaixada e os consulados norte-americanos no Brasil,
tinham agentes da CIA encarregados de levantar informações
sobre as atividades de comunistas e militares no Brasil.
Segundo
a Revista Veja na Edição 1848 de 7 de abril
de 2004: "(sic)...Os militares e empresários
que conspiravam contra Jango tinham o hábito de
pedir apoio aos americanos para suas aspirações
golpistas, revela um relatório de Lincoln Gordon
de 27 de março de 1964...Uma nova leva de papéis
publicada na semana passada no site do National Security
Archive...".
A
quebra da hierarquia
A
desculpa apresentada à opinião pública
mundial pelo governo que assumiu ao poder após
o golpe, era que este era um movimento político
militar para derrubar Jango e restabelecer a hierarquia
militar vertical abalada nas Forças Armadas, pelo
apoio do Presidente da República à luta
emancipatória dos Sargentos e Marinheiros, que
queriam candidatar-se a cargos públicos. Este,
segundo os golpistas era "ato considerado irregular
pela própria legislação e pela Constituição
vigente". Aqueles que defendiam o domínio
do Brasil por ideologias alienígenas de direita
afirmavam que queriam evitar a entrada de doutrinas de
esquerda no Brasil. Afirmavam ainda que a finalidade do
golpe foi também controlar a inflação
e colocar o país nos eixos. O golpe de 1964 se
transformou numa sucessão de atos institucionais,
construções de grandes obras e uma modernização
que seguiu ao seu final numa hiperinflação
com a dependência do país do capital externo.
As
promessas
Segundo
as promessas à elite, à classe média
e à população em geral, noticiadas
na época no rádio, televisão e imprensa,
a Constituição, a normalidade democrática
e as eleições seriam preservadas e restabelecidas
rapidamente. O crescimento do autoritarismo e das arbitrariedades
cometidas pelos políticos e militares a seu serviço
militares permaneceram. O coronelismo, os grandes latifúndios
e as oligarquias se soamram às grandes empreiteiras
de obras na manutenção do poder garantido
pela ditadura. O sistema que se instalou não manifestava
o desejo de abandonar o poder e convocar novas eleições
como era esperado. Os protestos gerados foram reprimidos
com a violência e o endurecimento do regime.
O
IPES, o Golpe e as marchas em nome de Deus
A
preparação da população para
o golpe de 1964 se iniciou com a inauguração
do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) em
02 de Fevereiro de 1962. O instituto ficava no edifício
Avenida Central no Rio de Janeiro no vigésimo sétimo
andar e continha treze salas. A função primordial
do Ipes, era o mapeamento e controle do pensamento coletivo
do povo brasileiro, alterando comportamentos através
da propaganda institucional, e criação de
factóides, para criar condições à
mudança de rumos da política brasileira
que estava indo para a esquerda. Segundo aqueles que apoiavam
a tomada do poder pela força ao invés da
democracia, o Brasil poderia se tornar um país
comunista.
A
função do Ipes era coordenar a derrubada
de Jango, e para tal tinha financiamento de grandes empresas
nacionais e multinacionais, bancos particulares brasileiros
e norte-americanos, além do governo dos Estados
Unidos.
Segundo
a Imprensa, o Instituto catalogou, e grampeou mais de
três mil telefones de simpatizantes e colaboradores
de Jango. Consta que as informações foram
passadas para o serviço de inteligência dos
Estados Unidos (CIA) e para a Escola Superior de Guerra,
(ESG) das Forças Armadas brasileiras para tomar
as medidas necessárias para consolidar o binômio
"desenvolvimento e segurança".
A
senha para a eclosão do golpe militar informando
que a opinião pública brasileira já
estava preparada, foi passada em 19 de Março de
1964. A eclosão da manifestação coordenada
e patrocinada pelo Ipes, cognominada de A Marcha da Família
com Deus pela Liberdade em São Paulo com mais de
quinhentas mil pessoas deu legitimidade para a opinião
pública internacional.
Dizem
alguns que o desencadeamento do golpe, inicialmente foi
um desfile relativamente benigno de tropas de Minas Gerais,
até o Rio de Janeiro apesar do risco de confronto.
Quando
as tropas chegaram ao Rio de Janeiro houveram manifestações
populares de saudação prestadas pela classe
trabalhadora jogando papel picado dos prédios da
capital fluminense.
A
manifestação carioca foi cognominada de
A Marcha da Vitória. Esta foi também patrocinada
pelo Ipes e teve repercussão ainda maior que a
paulista. Pois foi preparada pela imprensa, rádio
e televisão favorável ao golpe por 12 dias
de propaganda maciça. Um milhão de pessoas
saiu em passeata em 2 de Abril de 1964.
A
proibição de manifestações
A
marcha da vitória foi a última manifestação
popular permitida pelos militares por vinte anos. Tão
logo se dispersou, o governo ditatorial tratou de eliminar
todas as possibilidades deste tipo de manifestação
política. Todas as reuniões e encontros
nas ruas passaram a ser controlados e reprimidos com rigor.
Mesmo manifestações de ordem religiosa eram
vistas como suspeitas e vigiadas de perto. Todos aqueles
que promoviam quaisquer tipos de mobilizações
sofriam represálias no sentido de serem "desestimulados"
pelo sistema implantado.
Governo
Militar, a Era dos Atos Institucionais
Tão
logo assumiram ao poder, os governantes e seus servidores
militares iniciaram um aperto à constituição
e à institucionalização do poder.
O governo militar respaldado pelos políticos que
lhe davam sustrentação passou a governar
por atos intitucicionais, estabelecendo para si mesmo
diversos poderes extra-constitucionais. O governo divulgou
que seu objetivo era combater a "corrupção
e a subversão". Sob este pretexto os políticos
de situação fizeram a nação
ficar em silêncio. A democracia passou a ser bi-partidária.
Quando a oposição iniciasse a marcha rumo
à situação, esta era bloqueada por
novas medidas institucionais que bloqueavam os dispositivos
constitucionais. À cada vitória da oposição
os dispositivos institucionais geravam uma mudança
do jogo político de forma a garantir sua derrota.
O
AI-1
O
Ato institucional número um foi redigido por Francisco
Campos e editado em 9 de abril de 1964 pela junta militar.
Passou a ser designado como AI-1 somente após a
divulgação do AI-2. Com 11 artigos, o AI-1
dava ao governo militar o poder de alterar a constituição
sempre que se fizesse necessário e sem consulta
popular. Era garantido ao governo o direito de cassar
mandatos legistativos, suspender direitos políticos
por 10 anos e demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar
compulsoriamente qualquer pessoa que tivesse atentado
segundo os parâmetros daqueles que detinham o poder
contra a segurança nacional, o regime democrático
bi-partidário e a probidade da administração
pública.
Determinava
eleições indiretas para presidente da república
no dia 11 de abril, sendo o mandato do presidente terminado
em 31 de janeiro de 1966, quando expiriaria a vigência
do ato.
Cassações
No
dia 10 de abril foi divulgada a primeira lista dos cassados.
102 nomes foram incluídos, sendo 41 deputados federais.
Perderam os direitos políticos o ex-presidente
Jânio Quadros, o secretário-geral do proscrito
Partido Comunista Brasileiro (PCB) Luís Carlos
Prestes, os governadores depostos Miguel Arraes, de Pernambuco,
o deputado federal e ex-governador do Rio Grande do Sul
Leonel Brizola, o desembargador Osni Duarte Pereira, o
economista Celso Furtado, o embaixador Josué de
Castro, o ministro deposto Abelardo Jurema, da Justiça,
os ex-ministros Almino Afonso, do Trabalho, e Paulo de
Tarso, da Educação, o presidente deposto
da Superintendência da Política Agrária
(Supra) João Pinheiro Neto, o reitor deposto da
Universidade de Brasília, Darei Ribeiro, o assessor
de imprensa de Goulart, Raul Ryff, o jornalista Samuel
Wainer e o presidente deposto da Petrobrás, marechal
Osvino Ferreira Alves e líderes sindicais, como
o presidente do então extinto Comando Geral dos
Trabalhadores (CGT), Clodsmith Riani, além de Hércules
Correia, Dante Pellacani, Osvaldo Pacheco e Roberto Morena.
cento e vinte e dois oficiais foram também expulsos
das forças armadas.
Eleição
de Castelo Branco
No
dia 11, o Congresso Nacional ratificou a indicação
do comando militar, e elegeu o general Humberto de Alencar
Castelo Branco, chefe do Estado-Maior do Exército.
Como vice-presidente foi eleito o deputado pelo PSD José
Maria Alkmin, secretário de finanças do
governo de Minas Gerais, do governador Magalhães
Pinto, que ajudou a formar o golpe.
Mais
Cassações
Cassados
67 civis, entre os quais deputados estaduais e federais,
e 24 oficiais das forças armadas, incluido os generais-de-brigada
Argemiro de Assis Brasil, chefe do Gabinete Militar de
Goulart, Luís Tavares da Cunha Melo e Nélson
Werneck Sodré, e os almirantes Cândido de
Aragão e Pedro Paulo de Araújo Suzano.
Posse
de Castelo Branco
No
dia 15 de abril, Castelo Branco tomou posse. Em 17 de
julho, sob a justificativa de que a reforma política
e econômica planejada pelo governo militar poderia
não ser concluída até 31 de janeiro
de 1966, quando terminaria o seu governo, o congresso
aprovou a prorrogação do mandato de Castelo
Branco até 15 de março de 1967, adiando
as eleições presidenciais para 3 de outubro
de 1966. Essa mudança fez com que políticos
que apoiaram o golpe passasem a ser críticos do
governo, como Carlos Lacerda, que era pré candidato
à presidência pela UDN (sua candidatura foi
homologada em 8 de novembro de 1964). As cassações
continuaram, superando 3500 nomes em 1964, entre os quais
o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que se exilou em
Paris.
Eleições
A
lei eleitoral de 15 de julho de 1965 proibia a reeleição,
assim, Magalhães Pinto e Carlos Lacerda, não
concorreram, ficando apenas apoiando seus candidatos da
UDN. No entanto, em Minas Gerais venceu Israel Pinheiro,
do PSD e no Rio de Janeiro, Francisco Negrão de
Lima, do PTB, o que foi visto como algo alarmente pelos
setores "linha dura" do governo militar que
se mobilizaram em alterar mais uma vez a constituição
para garantir a vitória dos políticos de
situação.
No
dia 6 de outubro, o Presidente encaminhou ao congresso
medidas para endurecer o regime, atribuindo ao governo
militar mais poderes, restringir a liberdade de expressão
e ação dos cassados, controlar o Supremo
Tribunal Federal, acabar com o foro especial para os que
exerceram mandato executivo e estabelendo eleições
indiretas para presidente da república.
No
dia 8 de outubro, Lacerda, na televisão, chama
Castelo Branco de traidor da revolução,
rompe com o governo e renuncia à sua candidatura.
O
AI-2
Em
27 de Outubro de 1965, o general Humberto de Alencar Castello
Branco baixou o Ato Institucional Número Dois,
o AI-2, elaborado pelo ministro da justiça, Juraci
Magalhães.
Com
33 artigos, o ato insitituiu a eleição indireta
para presidente da república, dissolveu todos os
partidos políticos, aumentou o número de
ministros do STF de 11 para 16, reabriu o processo de
punição aos adversários do regime,
estabeleceu que o presidente poderia decretar estado de
sítio por 180 dias sem consultar o Congresso ,
intervir nos estados, decretar o recesso no Congresso,
demitir funcionários por incompatibilidade com
o regime, e baixar decretos-lei e atos complementares
sobre assuntos de segurança nacional.
O
Ato Complementar (AC) nº. 1, também em 27
de outubro, estabeleceu as sanções a serem
estabelecidas contra as pessoas com direitos políticos
cassados que se manifestassem politicamente, o que passou
a ser qualificado como crime.
O
AC 2 estabeleceu, em 1 de novembro, disposições
transitórias até serem constituídos
os tribunais federais de primeira instância, enquanto
o AC 3, no mesmo dia, determinava as formalidades para
a aplicação da suspensão de direitos
políticos e garantias constitucionais.
O
AC 4, em 20 de novembro estabeleceu a nova legislação
partidária, fixando os dois partidos políticos
que poderiam existir: "Aliança Renovadora
Nacional (Arena)" e "Movimento Democrático
Brasileiro (MDB)". O povo logo ironizou a medida,
citando que haveria dois partidos: um que dizia "sim"
e outro que dizia "sim, senhor".
O
AI-3
Em
5 de fevereiro de 1966, o presidente Castelo Branco editou
o Ato Institucional nº 3, que estabelecia eleições
indiretas para governador e vice-governador e que os prefeitos
das capitais seriam indicados pelos governadores, com
aprovação das assembléias legislativas.
Estabeleceu o calendrário eleitoral, com a eleição
presidencial em 3 de outubro e para o Congresso, em 15
de novembro.
Com
a pressão do governo, somada às cassações
de deputados estaduais, a ARENA elegeu 17 governadores.
No dia 3 de outubro foi eleito o marechal Artur da Costa
e Silva, ministro da Guerra de Castelo Branco, e para
vice, Pedro Aleixo, deputado federal eleito pela UDN e
então na Arena. O MDB se absteve de votar nas eleições
em protesto.
No
dia 12 de outubro foram cassados 6 deputados do MDB, entre
eles os quais Sebastião Paes de Almeida, do antigo
PSD, e Doutel de Andrade, do antigo PTB.
No
dia 20 de outubro, foi editado o AC 23 estabelecendo recesso
parlamentar até 22 de novembro. Em 15 de novembro
foram feitas as eleições legislativas, ficando
a ARENA com 277 cadeiras contra 132 do MDB.
A
constituição de 1967
No
dia 6 de dezembro de 1966, foi publicado o projeto de
constituição redigido por Carlos Medeiros
Silva, ministro da Justiça, e por Francisco Campos.
Como houve protestos por parte da oposição
e da Arena, em 7 de dezembro o governo editou o AI 4,
convocando o Congresso Nacional de 12 de dezembro de 1966
a 24 de janeiro de 1967 para discutir e votar a nova Consituição.
Enquanto isso o governo poderia legislar com decretos-leis
sobre segurança nacional, administração
e finanças. No dia 24 de janeiro de 1967 foi promulgada,
sem grandes alterações a nova Constituição,
que incorporava as medidas já estabelecidas pelos
Atos Institucionais e Complementares. Em 15 de março
de 1967 o governo divulgou o decreto-lei 314, que estabelecia
e lei de segurança nacional.
O
AI-5
A
Frente Ampla
Desde
setembro de 1966, já havia na imprensa referências
à constituição de um grupo político
denominado Frente Ampla, reunindo Carlos Lacerda e seus
antigos adversários Juscelino Kubitschek e João
Goulart. As conversas com Juscelino, exilado em Lisboa,
foram mediadas por Renato Archer, deputado do MDB, antes
do PSD, e as conversas com Goulart, por Doutel de Andrade,
do MDB, antes do PTB.
Os
militares da linha dura começaram a ameaçar
retirar o apoio a Lacerda, caso ele continuasse os entendimentos
com os dois inimigos do golpe. Ainda assim, em 28 de outubro
a Frente Ampla foi lançada com um manifesto, assinado
somente por Lacerda, publicado na Tribuna da Imprensa,
seu jornal. O manifesto pleiteava eleições
diretas, reforma partidária, desenvolvimento econômico
e adoção de política externa soberana.
O manifesto teve boa aceitação no MDB.
No
dia 19 de novembro de 1966, Lacerda e Juscelino emitiram
a Declaração de Lisboa, onde afirmavam a
intenção de trabalhar juntos numa frente
ampla de oposição. Comprometeram-se com
a orientação política do mainfesto
de 28 de outubro e conclamaram o povo a participar da
formação de um grande partido popular. Larceda
passou então a buscar entendimentos com Goulart,
com os setores mais à esquerda do MDB, chamados
"corrente ideológica" e com o PCB ilegal.
O PCB se dividiu em grupo favorável ao acordo,
e outro grupo que acreditava que Lacerda seria o único
beneficiado, já que Juscelino e Goulart estavam
exilados.
Já
em 1967, através dos ministros Magalhães
Pinto e Hélio Beltrão passaram a tentar
convencer Lacerda a abandonar suas posições
e colaborar com o governo. Com a recusa de Lacerda e suas
críticas públicas ao governo, em agosto
o ministro da Justiça Luís Antônio
da Gama e Silva proibiu a presença dele na televisão.
Em
1º. de setembro, se decidiu que a frente ampla seria
dirigida somente por parlamentares e elementos ligados
á Igreja Católica e que seriam enviados
emissários para mobilizar a opinião pública
em torno dos ideais da frente ampla. No dia 2 porém,
dos 133 parlamentares oposicionistas, 120 se recusaram
a participar, por desconfiarem que a intenção
de Lacerda era usar o movimento como base para sua candidatura
à presidência.
No
dia 24 de setembro Lacerda viajou para o Uruguai e no
dia 25 se encontrou e divulgou nota conjunta com Goulart
defendendo a Frente Ampla. O encontro teve Renato Archer
como representante de Juscelino. O acordo com Goulart
irritou a "linha dura", que decidiu retirar
o apoio a Lacerda. Também irritou Brizola, exilado
no Uruguai, que emitiu nota condenando veementemente a
atitude de João Goulart. Lacerda teria declarado:
"Hoje está comprovado que Jango não
é um homem do Partido Comunista nem eu dos Estados
Unidos". O acordo também teve oposição
da família de Getúlio Vargas.
A
Frente começou a se aproximar do movimento estudantil
e trabalhista, enfatizando a luta contra a política
salarial. Promoveu comícios em Santo André,
em dezembro, que se tornou a maior manifestação
operária do Brasil até então, e em
Maringá, em abril de 1968, reunindo mais de 15.000
pessoas, com apoio do movimento estudantil.
No
dia 5 de abril de 1968, através da Portaria nº.
177 do Ministério da Justiça, Gama e Silva
proibiu todas as atividades da Frente Ampla, ordenando
à Polícia Federal que detivesse todos aqueles
que violassem a proibição.
Em
julho ocorreu a primeira greve do governo militar, em
Osasco. A linha dura, representada entre outros por Aurélio
de Lira Tavares, ministro do exército e Emílio
Garrastazu Médici, chefe do SNI começou
a exigir medidas mais repressivas e combate às
idéias consideradas subversivas.
A
repressão se intensificou e em 30 de agosto a Universidade
Federal de Minas foi fechada e a Universidade de Brasília
invadida pela polícia.
Em
2 de setembro, o deputado Márcio Moreira Alves,
do MDB, pronunciou discurso na Câmara convocando
o povo a um boicote ao militarismo às mulheres
de militares que não namorassem aos seu maridos
à população a não participar
dos festejos da Independência do Brasil em 7 de
setembro como forma de protesto. O discurso foi considerado
como ofensivo pelos militares e o governo encaminhou ao
congresso pedido para processar deputado Márcio
Moreira Alves, o que foi rejeitado na Câmara por
75 votos.
O
ato
Para
enfrentar a crise, o governo finalmente editou, em 13
de dezembro, o AI-5, que permitia ao governo decretar
o recesso legislativo e intervir nos estados sem as limitações
da constituição, a cassar mandatos eletivos,
decretar confisco dos bens de "de todos quantos tenham
enriquecido ilicitamente" e suspender por 10 anos
os direitos políticos de qualquer cidadão.
O AC 38 decretou o recesso do Congresso por tempo indeterminado.
Foram
presos jornalistas e políticos que haviam se manifestado
contra o regime, entre eles o ex-presidente Juscelino
Kubitschek, e ex-governador Carlos Lacerda, além
de deputados estaduais e federais do MDB e mesmo da ARENA.
Lacerda
foi preso e conduzido ao Regimento Marechal Caetano de
Farias, da Polícia Militar do Estado da Guanabara,
sendo libertado por estar com a saúde debilitada,
após uma semana fazendo greve de fome.
No
dia 30 de dezembro foi divulgada uma lista de políticos
cassados: 11 deputados federais, entre os quais Márcio
Moreira Alves. Carlos Lacerda teve os direitos políticos
suspensos. No dia seguinte, o presidente Costa e Silva
falou em rede de rádio e tv, afirmando que o AI
5 havia sido não a melhor, mas a única solução
e que havia salvo a democracia e estabelecido a volta
às origens do regime.
No
início de 1969 Lacerda viajou para a Europa e,
em maio, seguiu para a África como enviado especial
de O Estado de São Paulo e do Jornal da Tarde.
Em
16 de janeiro de 1969 foi divulgada nova lista de 43 cassados,
com 35 deputados, 2 senadores e 1 minitsro do STF, Peri
Constant Bevilacqua.
O
AI-6
Editado
em 1º.de fevereiro de 1969, reduziu de 16 para 11
o número de ministros do STF, sendo aposentados
compulsoriamente ]]Antônio Carlos Lafayette de Andrada]]
e Antônio Gonçalves de Oliveira, que haviam
se manifestado contra a cassação de outros
ministros do tribunal. Estabeleceu também que os
crimes contra a segurança nacional seriam julgados
pela justiça militar e não pelo STF.
Em
7 de feveiro, 33 cassações, entre elas de
11 deputados da Arena. Seguiu-se nova lista no dia 16.
O
AI-7
Editado
em 26 de fevereiro, suspendeu todas as eleições
até novembro de 1970.
No
dia 13 de março, nova lista de cassações.
O
AI-8
Editado
em 24 de abril, estabeleceu que estados, distrito federal
e municípios com mais de 200.000 habitantes poderiam
fazer reforma administrativa por decreto.
O
AI-9
Editado
em 25 de abril, estabeleceu as regras para a reforma agrária,
dando poder ao presidente para "delegar as atribuições
para a desapropriação de imóveis
rurais por interesse social, sendo-lhe privativa a declaração
de zonas prioritárias". Estabeleceu também
a indenização com títulos da dívida
pública reembolsáveis por 20 anos, com correção
monetária e que em caso de discussão do
valor, seria aceito o valor cadastral da propriedade.
No
dia 29 de abril, novas cassações. 219 professores
e pesquisadores universitários foram aposentados,
e cassados 15 deputados, da ARENA e do MDB. Também
teve direitos políticos suspensos o jornalista
Antônio Calado.
O
AI-10
Editado
em 16 de maio, determinava que as cassações
e suspensões de direitos políticos com base
nos outros AIs acarretariam a perda de qualquer cargo
da administração direta, ou indireta, insitituições
de ensino e organizações consideradas de
interesse nacional.
Em
julho, mais de 500 pessoas foram atingidas com punições,
entre elas membros do Congresso Nacional e das assembléias
estaduais e municipais, jornalistas, militares, diplomatas,
médicos, advogados e professores.
O
AI-11
Editado
em 14 de julho, estabeleceu novo calendrário eleitoral,
marcando todas as eleições para 15 de novembro
de 1969. Inicia-se uma crise, com a "linha dura"
se opondo à realização das eleições.
O
AI-12
No
dia 26 de agosto o presidente Costa e Silva apresentou
sintomas de trombose cerebral. Com o agravamento do estado,
o alto comando das forças armadas se reuniu e editou
o AI-12 em 30 de agosto, estabelendo que uma junta militar
composta pelos ministros militares assumiria o poder e
não o vice-presidente Pedro Aleixo, como mandava
a constituição. Em cadeia de rádio
e televisão, a junta se pronunciou dizendo que
a situação interna grave impedia a posse
do vice-presidente.
O
AI-13 e o AI-14
No
dia 4 de setembro, um grupo de oposição
sequestrou o embaixador norte-americano Charles Burke
Elbrick e exigiu a libertação de 14 prisioneiros
políticos e a divulgação de seu manifesto
de repúdio à ditadura militar. No dia seginte,
a junta militar se reuniu com o general Carlos Alberto
da Fontoura, chefe do SNI, os ministros José de
Magalhães Pinto, das Relações Exteriores,
e Luís Antônio da Gama e Silva, da Justiça,
e o general Jaime Portela, chefe do Gabinete Militar da
Presidência da República. Ficou decidido
que o governo cederia às exigências.
Foram
editados então o AI-13, que estabelecia o "banimento
do território nacional de pessoas perigosas para
a segurança nacional", e o AI-14 que estabelecia
a modificação do artigo 150 da constituição,
com a aplicação da "pena de morte"
nos casos de "guerra externa, psicológica
adversa, revolucionária ou subversiva".
No
dia 9, os 15 presos libertados e exilados no México
foram banidos do território nacional.
O
AI-15
Editado
no dia 9 de setmebro, fixou as eleições
nos municípios sob intervenção federal
para para 15 de novembro de 1970.
No
dia 16 de setembro, a junta militar emitiu nota oficial
comunicando o afastamento definitivo de Costa e Silva
e a constituição de uma junta de três
generais para encaminhar a questão sucessória.
No
dia 27 de setembro, foi publicado o Decreto-Lei nº.
898, colocando em vigor uma nova Lei de Segurança
Nacional, que estabelecia que "todo condenado à
morte seria fuzilado se em 30 dias não houvesse
por parte do presidente da República a comutação
da pena em prisão perpétua". Previa-se
também a "prisão de jornalistas que
divulgassem notícias falsas ou tendenciosas"
ou "fatos verídicos truncados ou desfigurados".
Novas
cassações foram feitas. Desta vez, 9 deputados
federais e o senador Pedro Ludovico Teixeira.
No
dia 7 de outubro, o governo anunciou que o general Emílio
Garrastazu Médici, comandante do III Exército,
havia sido indicado para suceder ao presidente enfermo.
Para vice-presidente foi indicado o almirante Rademaker.
O
AI-16
Editado
em 14 de outubro, declarou vagos os cargos de presidente
e vice-presidente da República, marcando para o
dia 25 próximo a eleição presidencial
indireta pelo Congresso Nacional, em sessão pública
e por votação nominal. Fixou também
o fim do mandato do presidente eleito em 15 de março
de 1974, e prorrogou os mandatos das mesas da Câmara
e do Senado até 31 de março de 1970.
O
AI-17
Também
editado em 14 de outubro de 1969, autorizava a junta militar
a colocar na reserva os militares que "tivessem atentado
ou (viessem) a atentar, comprovadamente, contra a coesão
das forças armadas". Uma forma encontrada
para conter a oposição encontrada pela indicação
de Médici.
Os
AC-72 e 73, editados em 15 de outubro, reabriram o Congresso
Nacional, convocando os parlamentares a se apresentarem
no dia 22 de outuibro.
A
Emenda Constitucional
No
dia 17 de outubro, foi promulgada pela junta militar a
Emenda Constitucional nº.1, incorporando dispositivos
do AI-5 à constituição, estabelecendo
o que ficou conhecido como "Constituição
de 1969".
Em
25 de outubro, Médici e Rademaker foram eleitos
pelo Congresso por 293 votos, havendo 76 abstenções,
correspondentes à bancada do MDB. O novo presidente
tomou posse no dia 30 de novembro.