A
Guerra dos Canudos ou a revolução
de Canudos foi um movimento político-religioso
brasileiro que durou de 1896 a 1897, ocorrida no interior
do Estado da Bahia.
Na
Guerra de Canudos os revoltosos contestavam o regime republicano
recém adotado e a sua liderança, exercida
por Antônio Conselheiro, baseava-se na motivação
religiosa. Todo o conflito foi retratada no livro "Os
Sertões" de Euclides da Cunha, que a presenciou
como repórter do jornal O Estado de São
Paulo.
Uma
referência importante para entender a Guerra de
Canudos é o romance "A Guerra do Fim do Mundo"
de Mario Vargas Llosa. Nesta obra, Llosa descreve os fatos
como que num romance, o que faz o leitor sentir toda a
dimensão da tragédia que foi esta guerra,
que, no Brasil, perde em dimensões somente para
a Guerra do Contestado.
A
Guerra de Canudos propriamente dita durou um ano e, segundo
a história, mobilizou ao todo mais de dez mil soldados
oriundos de 17 Estados brasileiros, distribuídos
em quatro expedições militares. Calcula-se
que morreram ao todo mais de 25 mil pessoas, culminando
com a destruição total da cidade palco da
guerra.
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Pressionados
pelo governo Inglês, que tinha ajudado o governo Repúblicano
Brasileiro, e desse modo temendo que muitos dos investimentos
Britânicos no nordeste corriam o risco de ser retirados
caso o descontentamento civil e a resistência monárquica
continuassem, o Governo Federal preparou uma nova expedição.
Desta vez a incursão era melhor planejada e tinha
a ajuda do gabinete de guerra. Sob o comando do Gen. Arthur
Oscar de Andrade Guimarães e com a participação
direta do Ministro da Guerra, o mesmo visitou pessoalmente
Monte Santo, uma cidade próxima a Canudos, que servia
como concentração para boa parte da grande
tropa reunida, consistindo de três brigadas, oito
batalhões de infantaria e dois batalhões de
artilharia. Metralhadoras e vasto aparato bélico,
tal como mortars e howitzers, incluindo ainda a poderosa
Whitworth 32 (apelidada de "A Matadeira" pela
população) foram entregues a uma força
de três mil homens, sendo transportadas com muito
esforço através do território carente
em estradas decentes.
Desta
vez, os invasores não tiveram dificuldade devido
a enorme quantidade de esfomeados e mal-nutridos, a falta
de armas e munição e as sérias perdas
que sofreram nos ataques anteriores. Ainda, o líder
espiritual e principal símbolo Antônio Conselheiro,
tinha morrido no dia 22 de Setembro, provavelmente de disenteria
e malnutrição provocadas por meditação
em penitência. Após uma formação
estratégica organizada, e a inclusão de mais
dois mil soldados, Canudos foi cercada e bombardeada sem
dó dia após dia. O rebeldes estavam desalentados
e incapazes de resistir se renderam incondicionalmente no
dia 2 de Outubro de 1897. Somente três dentre os rebeldes
foram encontrados armados , juntos com uma população
de mulheres e crianças esfomeadas. Atrocidades foram
delegadas contra a população, tal como cortar
a língua de todos os homens, estupro de mulheres,
levando adiante massacres por parte do exército,
por causa da indignação da população
que revoltada tentara uma reação, até
que a paz fosse restaurada; apenas 150 sobreviventes restaram.
As mulheres com características estéticas
belas foram feitas prisioneiras e enviadas para bordéis
no Salvador. O corpo de Antônio Conselheiro foi desenterrado,
e sua cabeça foi decepada e levada triunfalmente
para a capital da província.
Alguns
escritores, tal como Euclides da Cunha (1902) estimaram
que o número de mortes na Guerra dos Canudos teria
ultrapassado 30,000 (25,000 rebeldes e 5,000 soldados) mas
o verdadeiro número provavelmente foi menor ( em
torno de 15,000 de acordo com Levine, 1995). |