Inconfidência Mineira. Revolta ocorrida
em 1789, no interior de Minas Gerais, Brasil, contra o domínio
português também chamada de "a luta dos
poetas e dos ricos".
Na
segunda metade do século XVIII, Minas Gerais entrou
em fase de decadência econômica. As jazidas
de ouro estavam se esgotando. Os mineiros foram ficando
cada vez mais pobres. Mesmo assim o governo português
continuou exigindo pesados impostos dos mineiros e argumentava
que a queda na produção era resultado do
contrabando de ouro. Só que a realidade era outra.
Em
1788, sempre zelosa de sua mais opulenta capitania, a
Coroa substitui o corrupto governador Luís da Cunha
Meneses por Luís Antônio Furtado de Mendonça,
visconde de Barbacena e sobrinho do vice-rei Luís
de Vasconcelos e Sousa. O visconde chegou a Vila Rica
(hoje Ouro Preto) com ordens expressas para aplicar o
alvará de dezembro de 1750, segundo o qual Minas
precisava pagar cem arrobas (ou 1.500 Kg) de ouro por
ano para a Coroa. Caso a arrecadação não
atingisse essa cota, seria então cobrada a derrama
- o imposto extra tirado de toda a população
até completar as cem arrobas. O visconde anunciou:
a derrama, por mais odiada e temida, seria cobrada em
fevereiro de 1789.
Um
clima de tensão e revolta tomou conta das camadas
mais altas da sociedade mineira. Por isso, importantes
membros da elite econômica e cultural de Minas começaram
a se reunir e a planejar um movimento contra as autoridades
portuguesas. Inconfidência Mineira foi o nome pelo
qual ficou conhecido o movimento rebelde e foi organizado
pelos homens ricos e cultos de Minas Gerais. Ricos que
não queriam pagar os impostos abusivos cobrados
pela Metrópole. Cultos que tinham estudado na Europa
e voltavam ao Brasil com influências do pensamento
liberal dos filósofos franceses (Rousseau, Montesquieu,
Voltaire e Diderot). Gente que se inspirava nas idéias
do Iluminismo, que estavam em alta na Europa e impulsionaram
a independência dos Estados Unidos (1776) e a Revolução
Francesa (1789).
No
dia 26 de dezembro de 1788, na casa do tenente-coronel
Francisco de Paula Freire de Andrade, chefe do Regimento
dos Dragões, alguns dos sujeitos mais importantes
de Minas se encontraram para uma reunião conspiratória.
Três tipos de homens estavam na reunião:
ideológicos, como o filho do capitão-mor
de Vila Rica, José Álvares Maciel; ativistas
revolucionários como o alferes Joaquim José
da Silva Xavier (Tiradentes) e, em maior número
e muito mais voz de comando, mineradores e magnatas endividados,
como Alvarenga Peixoto e o padre Oliveira Rolim, notório
traficante de diamantes e escravos.
Mais
tarde na segunda reunião, no mesmo local, se juntaria
ao grupo o negociante Joaquim Silvério dos Reis,
talvez o homem mais endividado da capitania, com um passivo
oito vezes superior aos ativos. Também participaram
do movimento Claúdio Manuel da Costa (minerador
e poeta, formado em Coimbra), Tomás Antônio
Gonzaga (poeta e jurista), Toledo e Melo (padre e minerador),
Abreu Vieira e Oliveira Lopes (coronéis). Ficou
decidido que, no dia em que fosse decretada a derrama,
a revolução eclodiria. Os planos para o
golpe eram tão vagos quanto os projetos do futuro
governo.