A Revolução de 1817 ocorreu
na província de Pernambuco. Dentre as suas causas
destacam-se o declínio da cultura da cana-de-açúcar
e a influência da Maçonaria.
A
permanência da família real no Brasil, de
interesse dos proprietários de escravos e de terras,
comerciantes e burocratas da região centro - sul,
não satisfez aos habitantes das demais regiões
do país, fossem eles proprietários rurais,
governadores ou funcionários. O primeiro grupo
tinha consciência de que os favores e privilégios
concedidos pelo monarca português eram os responsáveis
pelo seu enriquecimento; o segundo vivia, desde a instalação
da Corte no Rio de Janeiro, uma situação
paradoxal: afastado do poder, tinha, ao mesmo tempo, o
ônus de sustentá-lo.
Outro
grupo extremamente descontente com a política de
favorecimento de D. João era composto pelos militares
de origem brasileira. Para guarnecer as cidades e, também,
ajudá-lo em suas ações contra Caiena
e a região do Prata, D. João trouxe tropas
de Portugal e com elas organizou as forças militares,
reservando os melhores postos para a nobreza portuguesa.
Com isso, o peso dos impostos aumentou ainda mais, pois
agora a Colônia tinha que manter as despesas da
Corte e os gastos das campanhas militares.
Como
analisa a historiadora Maria Odila Silva Dias "a
fim de custear as despesas de instalação
de obras públicas e do funcionalismo, aumentaram
os impostos sobre a exportação do açúcar,
tabaco e couros, criando-se ainda uma série de
outras tributações que afetavam diretamente
as capitanias do Norte, que a Corte não hesitava
em sobrecarregar com a violência dos recrutamentos
e com as contribuições para cobrir as despesas
da guerra no reino, na Guiana e no Prata. Para governadores
e funcionários das várias capitanias parecia
a mesma coisa dirigirem-se para Lisboa ou para o Rio."
Esse
sentimento de insatisfação era particularmente
forte na região nordestina, a mais antiga área
de colonização do Brasil, afetada pela crise
da produção açucareira e algodoeira
e pela seca de 1816. Aí, o desejo de independência
definitiva de Portugal era profundo. Em Recife, capital
da província de Pernambuco e um dos principais
portos da região, o descontentamento era enorme.
O sentimento generalizado era de que os "portugueses
da nova Lisboa" exploravam e oprimiam os "patriotas
pernambucanos". Esses homens, descendentes da "nobreza
da terra" do período colonial, formada pela
elite canavieira de Olinda, que tinha participado da Guerra
dos Mascates, consideravam justificado o crescente anti-lusitanismo
na Província.
Francisco
Muniz Tavares, uma destacada figura da sociedade pernambucana,
assim se referia a D. João: "(...) Porquanto,
que culpa tiveram estes (habitantes de Pernambuco) de
que o Príncipe de Portugal sacudido de sua capital
pelos ventos impetuosos de uma invasão inimiga,
saindo faminto de entre os seus lusitanos, viesse achar
abrigo no franco e generoso continente do Brasil, e matar
a fome e a sede na altura de Pernambuco?"
As
idéias liberais que entravam no Brasil junto com
os viajantes estrangeiros e, também, por meio de
livros e de outras publicações que chegavam,
incentivavam o sentimento de revolta entre os pernambucanos.
Também já haviam chegado, desde o fim do
século XVIII, as sociedades secretas, como as lojas
maçônicas. Em Pernambuco existiam muitas
delas, como Patriotismo, Restauração, e
Pernambuco do Oriente, que serviam como locais de discussão
e difusão das "infames idéias francesas".
À
medida que o calor das discussões e da revolta
contra a opressão portuguesa aumentava, crescia,
também, o sentimento de patriotismo dos pernambucanos,
ao ponto de passarem a usar nas missas a aguardente no
lugar do vinho e a hóstia feita de trigo, como
forma de marcar sua identidade. Pelas ruas de Recife se
ouvia, aqui e ali, o seguinte verso:
Quando a voz da pátria chama
tudo deve obedecer;
Por ela a morte é suave
Por ela cumpre morrer
Os
líderes do movimento chegam a proclamar a República,
porém, não tomam certas medidas (tais como
abolir a escravidão). Depois de cerca de dois meses,
as tropas de Dom João VI sufocaram o movimento.