Antes
dos croatas
O
território conhecido hoje como Croácia é
habitado desde a Pré-História. No Paleolítico
Médio, havia neandertais em Krapina. No início
do Neolítico, as culturas Starcevo, Vinca, Sopot,
Vucedol e Hvar espalhavam-se pela região. A Idade
do Ferro deixou traços da cultura Hallstatt (proto-ilírios)
e da cultura La Tène (proto-celtas).
Já
no período histórico, a área foi
habitada pelos ilírios e, desde o século
IV a.C., também colonizada pelos celtas e pelos
gregos. A Ilíria era um Estado soberano até
a conquista pelos romanos, em 168 a.C. Após a queda
do Império Romano do Ocidente , as províncias
da Panônia (Pannonia em latim) e da Dalmácia
(Dalmatia) passariam às mãos dos hunos,
depois dos ostrogodos e do Império Bizantino. Os
antepassados da atual população eslava da
Croácia instalaram-se na região no século
VII.
O
Estado medieval croata (até 1102)
Tribos
eslavas, dentre elas os croatas, chegaram ao que são
hoje a Croácia e a Bósnia no século
VII. Os croatas organizaram-se em dois ducados: o Ducado
Panônio, no norte, e o Ducado Dálmata, ao
sul. A cristianização dos croatas foi concluída
no século IX.
O
primeiro governante croata a ser reconhecido pelo papa
foi o duque Branimir, a quem o Papa João VIII atribuiu
o título de dux chroatorum em 879.
O
primeiro rei da Croácia, Tomislav da dinastia Trpimirovic,
foi coroado em 925. Tomislav, rex chroatorum, uniu os
ducados panônio e dálmata, estabeleceu um
Estado de proporções consideráveis
e derrotou o tsar búlgaro Simeão I em uma
das maiores batalhas da história, na fronteira
dos dois reinos, na Bósnia. O reino medieval croata
atingiu o seu auge durante o reinado do Rei Pedro (Petar)
Krešimir IV (1058-1074).
Com
a extinção da dinastia local no fim do século
XI, na batalha do Monte Gvozd, os croatas reconheceram
Colomano, rei da Hungria, como soberano, no que constituiu
uma união pessoal, formalizada por tratado de 1102
(chamado Pacta Conventa).
A
União Pessoal com a Hungria (1102-1526)
As
conseqüências da união pessoal incluiram
o surgimento do feudalismo na Croácia e a ascensão
de famílias nobres locais como a de Frankopan e
a de Šubic. Nessa época, o governador das
províncias da Croácia era intitulado Ban.
Os
príncipes de Bribir, da família de Šubic,
tornaram-se particularmente influentes, com controle sobre
grandes áreas da Dalmácia, da Eslavônia
e da Bósnia. Entretanto, subseqüentemente
os angevinos intervieram e restauraram a autoridade real.
Ademais, venderam a Dalmácia inteira para Veneza
em 1409.
Quando
as incursões turcas na Europa principiaram, a Croácia
mais uma vez tornou-se uma área de fronteira. Os
croatas viram-se travando um número crescente de
batalhas e perdendo uma quantidade cada vez maior de território
para o Império Otomano.
O
Império Habsburgo, Veneza e os Otomanos (1527-1918)
O
resultado catastrófico da batalha de Mohács,
em 1526 – a morte do Rei Luís II (Lajos II
em húngaro), o fim da dinastia dos Jagelão
(Jagelló em húgaro) e a captura ou morte
de grande parte da nobreza húngara – enterrou
a esperança de resistência frente ao Império
Otomano, que anexou, no século XVI, a maior parte
da Eslavônia, da Bósnia ocidental e a Lika.
A coroa da Croácia (bem como a da Hungria) passou
então à Casa de Habsburgo.
Mais
tarde, no mesmo século, grandes áreas da
Croácia e da Eslavônia, contíguas
ao Império Otomano, foram reunidas pelo Império
Habsburgo na chamada Fronteira Militar (Vojna Krajina),
governadas diretamente desde o quartel-general militar
em Viena. A área acabou ficando deserta e foi posteriormente
ocupada por colonos sérvios, alemães e outros.
Com
a queda do forte Bihac em 1592, apenas um pequeno trecho
da Croácia permaneceu livre do controle otomano.
O exército otomano sofreu sua primeira retirada
em território croata após a batalha de Sisak,
em 1593; os Habsburgos lograram, então, retomar
quase todo o território perdido aos turcos, com
exceção do que é hoje a Bósnia-Herzegovina.
No
século XVIII, o Império Otomano foi expulso
da Hungria e da Croácia. A Imperatriz Maria Teresa
foi apoiada pelos croatas na Guerra de Sucessão
Austríaca de 1741-1748 e posteriormente fez consideráveis
contribuições aos interesses croatas.
Com
a queda da República de Veneza em 1797, suas possessões
no Adriático oriental tornaram-se objeto de disputa
entre a França e a Áustria, com esta última
levando a melhor – em 1815, a Dalmácia e
a Ístria já eram parte do império,
embora ficassem sob controle austríaco, enquanto
que o resto do que é hoje a Croácia permanecesse
sob a coroa da Hungria (que, por sua vez, pertencia aos
Habsburgos austríacos).
Em
meados do século XIX, veio à tona o nacionalismo
romântico na Croácia, que foi usado para
contrabalançar a aparente germanização
e magiarização do país. O Movimento
Ilírio atraiu personalidades influentes dos anos
1830 em diante e produziu efeitos importantes na língua
e na cultura croatas.
Após
as Revoluções de 1848 em territórios
dos Habsburgos e a criação da monarquia
dual da Áustria-Hungria, a Croácia perdeu
a sua autonomia doméstica, apesar das contribuições
de seu ban Jelacic em reprimir a rebelião húngara.
A autonomia croata foi restabelecida em 1868, com o Acordo
Húngaro-Croata.
A
primeira Iugoslávia (1918-1941)
Pouco
antes do término da Primeira Guerra Mundial em
1918, o Parlamento croata cortou relações
com a Áustria-Hungria, enquanto as forças
aliadas derrotavam o exército dos Habsburgos. Em
seguida, o Conselho Popular (Narodno vijece) do Estado,
imbuído de uma tradição pan-eslávica
com meio século de existência, uniu-se à
Sérvia e Montenegro, formando o Reino dos Sérvios,
Croatas e Eslovenos.
Em
1921, a nova constituição centralizou o
poder na capital Belgrado e redesenhou as fronteiras internas
em favor da maioria sérvia, em detrimento dos croatas
chefiados por Stjepan Radic. Os croatas passaram então
a boicotar o governo do Partido Radical Popular sérvio,
exceto entre 1925 e 1927.
Em
1928, Radic foi mortalmente ferido por um deputado sérvio
durante uma sessão do Parlamento, o que causou
mais comoção em Zagreb. Em 1929, o Rei Alexandre
proclamou a ditadura e impôs uma nova constituição
que, dentre outras mudanças, alterava o nome do
país para Reino da Iugoslávia.
O
Rei Alexandre foi assassinado em 1934, em Marselha, França,
por uma coalizão de dois grupoas radicais, o Ustaše
croata e o VMRO macedônio. A Croácia recebeu
uma certa medida de autonomia em 1939, quando de uma reorganização
das províncias, mas o regime militarista em Belgrado
desmoronou em 1941 e as potências do Eixo ocuparam
a Iugoslávia.
A
Segunda Guerra Mundial (1941-1945)
A
ocupação da Iugoslávia pelo Eixo
em 1941 permitiu ao partido croata radical de direita
Ustaše subir ao poder, formando o Estado Independente
da Croácia, chefiado por Ante Pavelic. Na verdade
um fantoche das potências do Eixo, o novo Estado
promulgou leis raciais, estabeleceu oito campos de concentração
e deu início a uma campanha de extermínio
de sérvios, judeus e roma (ciganos).
O
movimento de resistência anti-fascista surgiu no
início de 1941, sob comando do Partido Comunista,
chefiado por Josip Broz Tito, da mesma maneira que em
outras partes da Iugoslávia. A guerrilha monarquista
sérvia Cetnici, por sua vez, protegia do Ustaše
os aldeães sérvios e retaliava contra os
croatas.
O
campo de concentração Jasenovac, criado
pelo Ustaše no começo da guerra, foi um dos
maiores sítios de execuções em massa
da Europa ocupada, no qual pereceram dezenas de milhares
de pessoas.
Tanto
o Ustaše como a Cetnici colaboraram com o Eixo e
combateram juntos contra a resistência. Em 1943,
o movimento de resistência tomou novo fôlego
e logrou expulsar, até 1945, todos os colaboradores
nazistas, com o auxílio do Exército Vermelho.
O conselho anti-fascista da liberação popular
da Croácia (ZAVNOH), criado em 1943, formou então
um governo civil provisório.
A
Segunda Iugoslávia (1945-1991)
A
Croácia tornou-se parte da Iugoslávia Democrática
Federal em 1945, a qual era governada pelo Partido Comunista
Iugoslavo, de Tito. Este, de origem croata, adotou uma
cuidadosa política para administrar as ambições
nacionais dos croatas e dos sérvios.
A
República Socialista da Croácia integrava
uma federação de seis entidades políticas.
Com o novo regime comunista, a propriedade privada foi
abolida e a economia baseava-se num tipo de socialismo
planejado. O país passou por uma fase de reconstrução,
recuperou-se da Segunda Guerra Mundial, industrializou-se
e começou a desenvolver o turismo.
A
constituição federal de 1963 equilibrou
o poder entre croatas e sérvios, mas não
evitou por completo as tensões nacionalistas: durante
a Primavera Croata de 1970-71, estudantes em Zagreb organizaram
manifestações pedindo mais liberdades civis
e maior autonomia para a Croácia. O regime reprimiu
o protesto e prendeu os dirigentes, mas o episódio
levou à promulgação de uma nova constituição
em 1974, que conferiu maiores direitos às repúblicas
federadas.
Em
1980, após a morte de Tito, as dificuldades políticas,
étnicas e econômicas acumularam-se e o governo
federal começou a desmoronar. O surgimento de Slobodan
Miloševic na Sérvia, dentre outros acontecimentos,
provocou uma forte reação negativa na Croácia,
com o recrudescimento do nacionalismo e da discórdia
política.
A
Croácia Moderna (1990/91)
Em
1990, realizaram-se as primeiras eleições
livres, vencidas por um movimento popular chamado União
Democrática Croata (HDZ), chefiado por Franjo Tudman
(general do movimento croata anti-fascista durante a Segunda
Guerra). O objetivo do HDZ era obter uma maior grau de
independência para a Croácia, a que se opunham
os sérvios étnicos na república e
o governo central de Belgrado. A polarização
política contribuiu para afastar ainda mais os
dois grupos étnicos e terminou em violência.
Em
meados de 1990, os sérvios das áreas de
montanha, onde constituíam uma relativa maioria,
rebelaram-se e formaram uma Região Autônoma
da Krajina Sérvia (mais tarde, República
da Krajina Sérvia), não-reconhecida. A reação
da polícia croata foi barrada pelo Exército
Federal Iugoslavo (JNA), controlado pelos sérvios.
O auge do conflito foi a chamada "revolução
das toras": os sérvios da Krajina bloquearam
as estradas para os balneários turísticos
na Dalmácia e começaram um processo de limpeza
étnica da população não-sérvia.
Com
a declaração de independência da Croácia
em 1991, o JNA passou a apoiar ostensivamente as milícias
sérvias dentro da Croácia. Muitas cidades
croatas, como Vukovar e Dubrovnik, foram atacadas pelas
forças sérvias. O Parlamento croata cortou
todos os laços restantes com a Iugoslávia
em outubro de 1991.
A
população civil fugiu em massa das áreas
de conflito armado: milhares de croatas mudaram-se da
área de fronteira com a Sérvia e a Bósnia,
enquanto que milhares de sérvios ocuparam a região.
Em vários lugares, os militares obrigaram os civis
a sair, num ato de limpeza étnica.
A
cidade fronteiriça de Vukovar sofreu um cerco de
três meses a batalha de Vukovar, durante o qual
quase todos os edifícios foram destruídos
e a maioria da população viu-se forçada
a fugir. Os sérvios a tomaram em novembro de 1991.
Chocada com as atrocidades cometidas pelos sérvios,
a comunidade internacional começou a reconhecer
a independência da Croácia. Em janeiro de
1992, a maior parte do mundo reconhecia o país.
Com
as ordens de cessar-fogo das Nações Unidas,
os dois lados entrincheiraram-se. O JNA recuou para a
Bósnia-Herzegovina, onde a guerra ainda iria começar.
Ao longo e 1992 e 1993, a Croácia recebeu setecentos
mil refugiados da Bósnia, em geral muçulmanos.
Após
uma fase de conflito em menor escala na Croácia,
as forças armadas croatas lançaram em agosto
de 1995 a Operação Tempestade e liberaram
com rapidez a maior parte da chamada Krajina, o que causou
um êxodo maciço da população
sérvia. Alguns meses depois, a guerra terminou
com o Acordo de Dayton.
Após
a morte do Presidente Tudman em 1999, o país passou
por várias reformas liberalizantes a partir de
2000, com uma recuperação econômica
e a cura de feridas de guerra. O país tornou-se
membro de diversas organizações internacionais
e regionais importantes e no momento negocia a sua admissão
na União Européia.