A
pré-história da Groenlândia é
a historia de repetidas imigrações Inuit
a partir das terras da América do Norte. Uma das
constantes destas culturas foi a de sobreviverem em limites
extremos, com culturas que chegaram e se foram da ilha
durante séculos. Antes da exploração
escandinava de Groenlândia, a arqueologia só
pode dar datas aproximadas destas imigrações:
* A Cultura Saqqaq: 2500 a.C. - 800 a.C. (Sul de Groenlândia)
* A Cultura Independência I: 2400 a.C. - 1300 a.C.
(Norte de Groenlândia)
* A Cultura Independência II: 800 a.C. - 1 a.C.
(muito ao Norte de Groenlândia)
* A primitiva Cultura Dorset ou Cultura Dorset I: 700
a.C. - 200 d.C (Sul de Groenlândia)
Após
colapso da Cultura Dorset, a ilha permaneceu desabitada
durante séculos.
Assentamento
nórdico
Segundo
as sagas nórdicas, a Groenlândia foi descoberta
por volta do ano 900 pelo navegante norueguês Gunnbjörn.
Durante a década de 980, os vikings assentados
na Islândia foram os primeiros visitantes europeus
da Groenlândia, explorando a desabitada costa sul
ocidental da ilha.
A
exploração definitiva anterior a sua colonização
se produziu quando Erik o Vermelho foi exilado da Islândia
após assassinar a um vizinho, navegando até
Groenlândia, onde passou três anos explorando
sua linha costeira. Ao finalizar o período de sua
condenação, regressou a Islândia para
atrair pessoas para a ilha. O nome atual de Groenlândia
(Grønland) tem suas origens neste interesse por
coloniza-la (os inuit chamam a ilha Kalaallit Nunaat,
“Nossa Terra”), dando-se muitas especulações
a respeito da origem desta denominação.
Há quem argumente que as costas em questão
eram literalmente verdes (“grøn” significa
verde) nessa época, devido ao ótimo clima
naquele período da Idade Média, enquanto
outros suspeitam que fosse mais um nome “isca”
para atrair mais gente para o assentamento.
A
data do estabelecimento da colônia (segundo as sagas)
foi em 985, quando 25 barcos partiram com Erik o Vermelho
a partir da Islândia, dos quais só 14 chegariam
sem percalços à Groenlândia. Esta
data foi confirmada aproximadamente pelas provas de carbono
14 efetuadas nos restos arqueológicos achados no
primeiro assentamento em Brattahlid (a atual Qassiarsuk),
que deu uma data ao redor do ano 1000. De acordo com a
lenda, foi neste ano 1000 quando o filho de Erik, Leif
Eriksson, partiu do assentamento para descobrir a Vinlândia
(geralmente se aceita que se tratava de Terranova).
A
colônia nórdica chegou a alcançar
entre 3.000 e 5.000 habitantes, inicialmente em dois assentamentos:
o maior era o Assentamento Oriental (Eystribyggd), onde
se localizava Brattahlid, a residência de Erik);
o outro era o Assentamento Ocidental (Vestribyggd), com
um máximo de população de umas 1.000
pessoas). A ocupação do território
se efetuou por meio de granjas, das quais havia umas 400
aproximadamente. Era uma colônia importante (a população
da Groenlândia na atualidade é de somente
56.000 pessoas), que comerciava com a Europa com marfim
das presas das morsas, assim como exportando cordas, ovelhas
e couro de gado e de foca. A colônia dependia de
Europa no abastecimento de ferro e talvez de madeiras
para a construção. Barcos comerciais viajavam
cada ano a Groenlândia a partir da Islândia,
e ocasionalmente desde a Noruega.
Em 1126, se fundou una diocese em Gardar (Garðar,
na atualidade Igaliku). Foi obra da arquidioceses norueguesa
de Trondheim; ao menos cinco igrejas vikings foram encontradas
na Groenlândia graças aos trabalhos arqueológicos.
Em 1261, a população aceitou a soberania
norueguesa, ainda que tenha mantido suas próprias
leis. Em 1380, o reino da Noruega se uniu ao reino da
Dinamarca.
Entretanto,
a colônia escandinava no prosperava. O Assentamento
Ocidental foi abandonado por volta de 1350, pelo agravamento
paulatino das condições climáticas,
e também pela pressão territorial que os
inuit Thule começaram a exercer. Em 1378, já
não havia bispo em Garðar. É provavel
que o Assentamento Oriental tenha desaparecido no século
XV ainda que não haja uma datação
extata. As provas de carbono radioativo deram a data de
1430 ± 15 avos. 1 Provavelmente uma mudança
climática (denominada Pequena Idade do Gelo) ocasionou
a desaparição da colônia. Outra teoria
é que o solo foi explorado à exaustão
e deixou de ser fértil. Outra causa que se sugere
que pode ter contribuído foi que o comércio
de marfim procedente do Saara eliminou o mercado de marfim
de morsa. A falta de adaptação dos nórdicos
às novas condições tem sido em parte
refutada por novas investigações que demostram
que mudaram sua dieta baseada em 80% de alimentos de granja
por outra composta, em 80%, por alimentos marinhos. 1
Outras teorias têm relacionado a redução
de população com a Peste Negra, ou com piratas
bascos ou ingleses.
Culturas
Dorset tardia e cultura de Thule
Provavelmente os nórdicos não eram o único
povo da ilha no momento de sua chegada. O povo Dorset
provavelmente se estabeleceu antes que eles. No entanto,
este povo se estabeleceu no extremo noroeste da Groenlândia,
longe dos assentamentos vikings que estavam localizados
nas costas do oeste. A evidência arqueológica
apontaria para a presença desta cultura pouco tempo
antes dos assentamentos islandeses. Esta cultura desapareceu
por volta do começo do século XIII, quase
ao mesmo tempo em que a presença nórdica
no oeste. Se estima a presença entre quatro e trinta
famílias dorset que se reuniam periodicamente ao
concluírem seus ciclos de deslocamento.
Por
volta de 1200, se estabeleceu outra cultura ártica,
os Thule, que chegaram do oeste e que haviam chegado à
América 200 anos antes pelo Alasca. Se assentaram
ao sul da cultura Dorset ocupando amplas áreas
na costa leste e oeste de Groenlândia. Estes são
os ancestrais dos Inuit atuais, tinham facilidade de adaptação
e caçavam qualquer presa disponível em terra
ou mar. Costumavam armazenar grandes quantidades de alimentos
para evitar a fome durante o inverno. Os primeiros Thule
evitaram as altas latitudes, as quais só foram
povoadas com a chegada de novas migrações
a partir do Canadá no século XIX.
Não
está claro que tipo de contato tiveram os assentamentos
Thule, Dorset e nórdicos, mas seguramente incluíram
intercâmbios de bens. Das três culturas que
habitaram Groenlândia nessa época, só
a Thule sobreviveu até nossos dias. O nível
de contato é tema de debate na atualidade, possivelmente
tenha incluído comércio com povos Thule
ou Dorset no Canadá. Não foram encontrados
artigos vikings nos sítios arqueológicos
dorset. Algumas histórias falam de conflitos armados,
os quais podem ter contribuído para a desaparição
dos nórdicos e dos Dorset da Groenlândia,
mas esta hipótese não tem consenso.
Colonização dinamarquesa
Em 1536, Dinamarca e Noruega se uniram oficialmente e
a Groenlândia passou a ser considerada mais una
dependência dinamarquea. Ainda quando não
havia quase nenhum contato, o rei dinamarquês seguia
reivindicando seu domínio sobre a ilha. Na década
de 1660 se incluiu um urso polar no escudo dinamarquês.
Durante o século XVII, a caça da baleia
conduziu barcos ingleses, holandeses alemães até
a Groenlândia, onde processavam as baleias amarrados
à costa, mas não se estabeleceu nenhum povoamento
permanente. Em 1721, uma expedição mercantil
e religiosa organizada pelo missionário norueguês
Hans Egede foi enviada à Groenlândia, preocupada
por não saber se ainda restavam povoadores europeus
na ilha e se estes, chegados antes da reforma, ainda eram
católicos. A expedição fez parte
da colonização dinamarquesa nas Américas.
Pouco a pouco, a Groenlândia se abriu ao comércio
para as empresas dinamarquesas se fechou as de outros
países. Esta nova colônia teve por centro
Godthåb ("Boa Esperança") na costa
sudoeste. Os habitantes Inuit das cercanias da colônia
foram convertidos à fé cristã.
Ao
separar-se a Noruega da Dinamarca em 1814, depois das
Guerras Napoleônicas, as colônias, entre elas
Groenlândia, ficaram sob o controle dinamarquês.
Durante o século XIX a Groenlândia foi ponto
de interesse para os exploradores e cientistas polares,
tais como William Scoresby e Knud Rasmussen. Na mesma
época, se afirmou a colonização dinamarquesa
e as missões foram bastante bem sucedidas. em 1861,
se publicou o primeiro periódico em língua
inuktitut. No entanto, a justiça dinamarquesa só
se aplicava aos colonos.
Até
princípios do século XIX, Groenlândia
permanecia despovoada acima da latitude 81° N; a única
presença nessa zona era a de caçadores,
que construíam refúgios para protegerem-se,
enquanto realizavam sua atividade. Isto mudou até
meados do século com a imigração
a partir do Canadá de famílias Inuit que
se estabeleceram nessa zona. Os últimos grupos
chegaram à Groenlândia em 1864. Durante o
mesmo período, o comercio e as condições
econômicas decaíram, por isto o leste da
ilha começou a despovoar-se.
Entre
1862 e 1863 se realizaram pela primeira vez na Groenlândia
eleições democráticas para eleger
representantes distritais, e em 1911, se criaram dois
Landstings (concelhos), um para o norte e outro para o
sul, os quais se uniram a partir de 1951. No entanto,
as decisões importantes para a ilha se tomavam
em Copenhague, onde os habitantes da Groenlândia
não tinham representação.
Importância
estratégica
Depois
que a Noruega obteve a independência em 1905, se
negou a aceitar a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia,
a qual muitos noruegueses consideravam una antiga possessão
de seu país. Em 1931, o baleeiro norueguês
Hallvard Devold ocupou a parte leste (desabitada) da Groenlândia,
por iniciativa própria. Depois disso, a ocupação
foi apoiada pelo governo norueguês. Dois anos depois,
a Corte Internacional de Justiça votou a favor
da pretensão dinamarquesa, que foi então
aceita pela Noruega.
Durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha estendeu
suas operações de guerra a Groenlândia,
Henrik Kauffmann, embaixador dinamarquês nos Estados
Unidos - que se negava a reconhecer a ocupação
alemã da Dinamarca- , firmou em 9 de Abril de 1941
um tratado com os Estados Unidos, permitindo a suas forças
armadas o estabelecimento de bases na Groenlândia.
Devido aos problemas que tinha Dinamarca em governar a
ilha durante a guerra, e devido a à exitosa exportação
que esta conseguia (sobretudo de criolita), a Groenlândia
passou a desfrutar de um status mais independente. Seus
suprimentos eram garantidos pelos Estados Unidos e Canadá.
Durante
a Guerra Fria, a Groenlândia teve uma importância
estratégica, ao controlar parte dos acessos entre
os portos árticos soviéticos e o Oceano
Atlântico, bem como ser uma boa base para a observação
dos possíveis usos de mísseis balísticos
intercontinentais, que se planeava que devessem sobrevoar
o Ártico. A base aérea de Thule (agora chamada
Qaanaaq) no noroeste se tornou uma base aérea permanente.
Em 1953, algumas famílias Inuit foram obrigadas
pela Dinamarca a desocuparem suas casas para deixar espaço
às ampliações da base. Por esta razão,
a base tem sido uma fonte de atritos entre o governo dinamarquês
e os groenlandeses. Estes problemas cresceram em 21 de
Janeiro de 1968, quando ocorreu um acidente nuclear (Um
bombardeiro B-52 que levava quatro bombas de hidrogênio
caiu próximo da base, deixando escapar grandes
quantidades de plutônio sobre o gelo). Apesar de
quase todo o plutônio ter sido retirado, os nativos
ainda falam em deformidades em animais como conseqüência
deste desastre.
Governo
local
O
status colonial da Groenlândia foi revisto em 1953,
quando se converteu em parte integral do reino dinamarquês,
com representação no Folketing (parlamento
dinamarquês). A Dinamarca iniciou também
um programa para prover serviços médicos
e de educação para os groenlandeses. Isto
conduziu a uma maior concentração da população
nas cidades. Como a maioria dos habitantes são
pescadores, o desemprego aumentou, assim como outros problemas
sociais.
Quando
a Dinamarca começou a participar na cooperação
Européia que mais tarde se converteu na União
Européia, surgiram novos atritos com a antiga colônia.
A Groenlândia sentia que as restrições
aduaneiras da União Européia seriam prejudiciais
para seu comércio, maioritariamente dirigido a
países da América. Depois da entrada da
Dinamarca, incluindo também a Groenlândia
na união 1973 (apesar dos groenlandeses terem votado
"não" por 74% num referendo local sobre
o tema), muitos habitantes consideraram que sua representação
em Copenhage não era suficiente e os partidos locais
pressionaram pela autogestão. O Folketing consentiu
em 1978 com a criação de um governo local
a partir de 1979. Em 23 de fevereiro de 1982, por una
maioria de 53%, os groenlandeses votaram por separarem-se
da União Européia, o que efetivou-se em
1985. Até o momento é a única entidade
que se separou da União desde a sua criação.
O
governo local groenlandês se apresenta como uma
nação Inuit. Os nomes de lugares em dinamarquês
foram substituídos por nomes locais. Godthåb,
centro da civilização dinamarquesa na ilha,
agora se chama Nuuk, a capital de um governo praticamente
soberano. Em 1985 se estabeleceu a bandeira da Gronelândia,
a partir das cores da bandeira da Dinamarca o Dannebrog.
No entanto, o movimento em busca de uma soberania total
ainda não ganhou consenso.
As
relações internacionais, antes comandadas
pela Dinamarca, são atualmente em sua maior parte
comandadas localmente. Depois de separar-se da União
Européia, a Groenlândia firmou tratados especiais
com a União e se uniu também em diversos
assuntos com a Islândia, as Ilhas Faroe, assim como
com a população intuit do Canadá
e da Rússia. Também é membro fundador
da organização ambiental Conselho do Ártico
(1996). Está pendente a renegociação
do tratado de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos, desta
vez com participação do governo local da
Groenlândia. Também se espera que a base
aérea de Thule se converta em uma estação
de rastreamento de satélites adscrita às
Nações Unidas.
A
tecnologia moderna fez com que a Groenlândia seja
mais acessível, não só devido a sua
base aérea. No entanto, a capital, Nuuk, ainda
não tem um aeroporto internacional. As primeiras
emissoras de televisão da Groenlândia foram
criadas em 1982.