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Chama-se
cruzada a qualquer um dos movimentos
militares, de caráter cristão, que partiram
da Europa ocidental e cujo objectivo era colocar a Terra
Santa da Palestina e a cidade de Jerusalém sob
a soberania dos cristãos (o termo é usado
por extensão para descrever qualquer guerra religiosa
ou mesmo um movimento político ou moral). Estes
movimentos estenderam-se entre os séculos XI e
XIII. Os ricos e poderosos cavaleiros da Ordem de São
João de Jerusalém (Hospitalários)
e dos Cavaleiros Templários foram criados pelas
Cruzadas.
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Depois
de Maomé falecer (632), as vagas de exércitos
árabes que tinham servido como exércitos mercenários
lançam-se com um novo fervor à conquista dos
seus antigos senhores, os bizantinos e persas sassânidas
que passaram décadas a guerrear-se. Estes, depois
de algumas derrotas esmagadoras, demoram 30 anos a ser destruídos,
mais graças à extensão do seu império
do que à resistência: o último Xá
morre em Cabul em 655. Os bizantinos resistem melhor: cedem
uma parte da Síria, a Palestina, o Egipto, o norte
de África, mas sobrevivem e mantém a sua capital.
Num novo impulso, os exércitos conquistadores árabes
lançam-se então para a Índia, a Península
Ibérica, o sul de Itália e França,
as ilhas mediterrânicas. Tornado um império
tolerante e brilhante do ponto de vista intelectual e artístico,
o império muçulmano sofre de um gigantismo
e um enfraquecer guerreiro e político que vai ver
aos poucos as zonas mais longínquas tornarem-se independentes
ou então serem recuperadas pelos seus inimigos, que
guardavam na memória a época de conquista:
bizantinos, francos, reinos neo-godos.
No século X, esse desagregar acentua-se em parte
devido à influência de grupos de mercenários
convertidos ao islão e que tentam criar reinos próprios.
Os turcos seljúcidas (não confundir com os
turcos otomanos antepassados dos criadores do actual estado
da Turquia), procuraram impedir esse processo e conseguem
unificar uma parte desse território. Acentuam a guerra
contra os cristãos, esmagam as forças bizantinas
em Mantzikiert em 1071 conquistando assim o leste e centro
da Anatólia e tomam Jerusalém em 1078.
O
Império Bizantino, depois de um período
de expansão nos séculos X e XI está
em sérias dificuldades: vê-se a braços
com revoltas de nómadas no norte da fronteira,
e com a perda dos territórios italianos, conquistados
pelos normandos. Do ponto de vista interno, a expansão
dos grandes domínios em detrimento do pequeno campesinato
resultara numa diminuição dos recursos financeiros
e humanos disponíveis ao estado. Como solução,
o imperador Aléxis Commeno decide pedir auxílio
militar ao Ocidente para poder enfrentar a ameaça
seljúcida.
O
domínio dos turcos seljúcidas sobre a Terra
Santa será percepcionado pelos cristãos
do Ocidente como uma ameaça e uma forma de repressão
sobre os peregrinos e os cristãos do Oriente. Em
1095, no concílio de Clermont, o Papa Urbano II
exorta a multidão a libertar a Terra Santa e a
colocar Jerusalém de novo sob soberania cristã,
apresentando a expedição militar que propõe
como uma forma de penitência. A multidão
presente aceita entusiasticamente o desafio e logo parte
em direcção ao Oriente, tendo cosido uma
cruz vermelha sobre as suas roupas (daí terem recebido
o nome de "cruzados"). Assim começavam
as cruzadas.
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CRUZADA
POPULAR OU DOS MENDINGOS |
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Movimento
extra-oficial que consistiu em um movimento popular que
bem caracteriza o misticismo da época e começou
antes da Primeira Cruzada oficial. O monge Pedro, o Eremita,
graças a suas pregações comoventes,
conseguiu reunir uma multidão. Auxiliado por um
Cavaleiro, Gautier Sans Avoir (Galtério Sem Bens),
os peregrinos atravessaram a Alemanha, Hungria e Bulgária,
causando desordens e desacatos, sendo em parte aniquilados
pelos búlgaros. Chegaram em péssimas condições
a Constantinopla. Mal equipada e mal alimentada, essa
Cruzada massacrou judeus pelo caminho, pilhou e destruiu.
O imperador bizantino Aleixo Commeno, desejando afastar
esse "bando turbulento" de sua capital, procurou
incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um
desastre, pois a Cruzada dos Mendigos chegou muito enfraquecida
à Ásia Menor, onde foi foi arrasada pelos
turcos. Somente um reduzido grupo de integrantes conseguiu
juntar-se à cruzada dos cavaleiros.
Primeira Cruzada (1096-1099)
Foi chamada também de Cruzada dos Nobres ou dos
Cavaleiros. Ao pregar e prometer a salvação
a todos os que morressem em combate contra os pagãos
(leia-se, muçulmanos) em 1095, o Papa Urbano II
estava a criar um novo ciclo. É certo que a ideia
não era totalmente nova: parece que já no
séc. IX se declarara que os guerreiros mortos em
combate contra os muçulmanos na Itália mereciam
a salvação. Mas desta a salvação
não era prometida numa situação excepcional.
As várias versões que nos restam do seu
apelo mostram que Urbano relatou também os infortúnios
dos cristãos do oriente, e sublinhou que se até
então os cavaleiros do ocidente habitualmente combatiam
entre si perturbando a paz, poderiam agora lutar contra
os verdadeiros inimigos da fé, colocando-se ao
serviço de uma boa causa. O apelo foi feito a todos
sem distinção, pobres ou ricos.
E
foi de fato o que sucedeu. Mas os ricos e pobres rapidamente
formaram cruzadas separadas.
Por
volta de 1097, um exército de 30 mil homens, dentre
eles muitos peregrinos, cruzaram a Ásia Menor,
partindo de Constantinopla. A cruzada dos cavaleiros,
possuindo recursos, embora progredindo devagar, fizera
um acordo com o imperador de Bizâncio de lhe devolver
os territórios conquistados aos turcos. Liderada
por grandes senhores, levava quer proprietários,
quer filhos segundos da nobreza. Esse acordo seria desrespeitado,
à medida que o mal-entendido entre as duas partes
cresceria. Os bizantinos pretendiam um grupo de mercenários
solidamente enquadrados ao qual se pagasse o soldo e que
obedecesse às ordens - não aquelas turbas
indisciplinadas; os cruzados não estavam dispostos,
depois de tantos sacrifícios a entregar o que obtinham.
Apesar da animosidade entre os líderes e das promessas
quebradas entre os cruzados e os bizantinos que os ajudavam,
a Cruzada prosseguiu. Os turcos estavam simplesmente desorganizados.
A cavalaria pesada e a infantaria francas não tinham
experiência em lutar contra a cavalaria leve e arqueiros
arábes, e vice versa. A resistência e a força
dos cavaleiros venceram a campanha em uma série
de vitórias, a maioria muito difíceis.
Antioquia, a primeira cidade conquistada, foi capturada
por traição em 1098, depois de um longo
cerco e um saque terrível. Ela foi guardada por
Bohemundo, o chefe dos normandos. Godofredo de Bulhão,
após longo cerco, conquistou Jerusalém atacando
uma guarnição fraca em 1099. A repressão
foi violenta. Segundo o arcebispo Guilerme de Tiro, a
cidade oferecia tal espetáculo, tal carnificina
de inimigos, tal derramamento de sangue que os próprios
vencedores ficaram impressionados de horror e descontentamento.
Godofredo de Bulhão ficou só com o título
de protector e, à sua morte, Balduíno, seu
irmão, proclamou-se rei. Os cristãos humilharam-se
após as duas conquistas massacrando muito dos residentes,
indiferentemente da idade, fé ou sexo. Após
a vitória, era preciso organizar a conquista. Surgiram
quatro unidades políticas: o Reino de Jerusalém,
o Condado de Edessa, o Condado de Trípoli e o Principao
de Antioquia. Muitos dos combatentes retiraram-se uma
vez conquistada Jerusalém (incluindo os grandes
senhores), mas um núcleo ficou (cálculos
chegam a falar de algumas centenas de cavaleiros e um
milhar de homens a pé). As cidades principais (como
Antioquia, Edessa) tornarem-se capitais de principados
e reinos (embora Jerusalém fosse de certo modo
o centro político e religioso), com outras marcas
a protegê-los. O sistema feudal foi transplantado
para oriente com algumas alterações: muitas
vezes, em vez de receber feudos, os cavaleiros eram pagos
com direitos ou rendas (modalidade que existia também
na Europa). As cidades mercantis italianas vão-se
tornar fundamentais para a sobrevivência desses
estados: permitiram a chegada de reforços e interceptar
os movimentos das esquadras muçulmanas, tornando
o Mediterrâneo novamente um mar navegável
pelos ocidentais. Mas rapidamente os muçulmanos
iriam reagir.
De qualquer modo, nos anos seguintes, com a euforia da
vitória, mais voluntários seguiram para
oriente. Os contingentes seguiam por nacionalidades, continuando
pouco organizados. As motivações eram variáveis:
se alguns pretendiam obter novos feudos, ou redimir-se
das suas faltas, havia também aqueles que "apenas"
pretendiam ganhar batalhas, cobrir-se de glória,
bênçãos espirituais, e voltar para
a sua terra.
Os
governantes cruzados encontravam-se em grande desvantagem
numérica em relação às populações
muçulmanas que eles tentavam controlar. Assim,
construíram castelos e contrataram tropas mercenárias
para mantê-los sob controle. A cultura e a religião
dos francos era muito estranha para cativar os residentes
da região. Dos seguros castelos, os cruzados interceptavam
cavaleiros árabes. Por aproximadamente um século,
os dois lados mantiveram um clássico conflito de
guerrilha. Os cavaleiros francos eram muito fortes, mas
lentos. Os árabes não aguentavam um ataque
da cavalaria pesada, mas podiam cavalgar em circulo em
volta dela, na esperança de incapacitar as unidades
dos francos unidades e fazer emboscadas no deserto. Os
reinos cruzados localizavam-se, em sua maioria, no litoral,
pelo qual eles podiam receber suprimentos e reforços,
mas as constantes incursões e o infeliz populacho
mostravam que eles não eram um sucesso econômico.
Ordens
de monges cavaleiros foram formadas para lutar pelas terras
sagradas. Os cavaleiros templários e hospitalários
eram, em sua maioria, francos. Os cavaleiros teotônicos
era alemães. Esses eram os mais bravios e determinados
dos cruzados, mas nunca eram suficientes para fazer a
região ficar segura.
Os
reinos cruzados sobreviveram por um tempo, em parte porque
aprenderam a negociar, conciliar e jogar os diferentes
grupos árabes uns contra os outros.
Por
volta do ano 1100, uma nova expedição parte.
Chegados a Constantinopla levantam-se discussões
com os bizantinos que estavam fartos de ter aqueles vizinhos
incómodos que pilhavam a terra, portavam-se de
uma forma muito mais brutal em guerra, e ficavam com o
que conquistavam (para além das diferenças
culturais e religiosas). Entretanto, os turcos estavam
a unificar-se para tentar fazer face a estas ameaça.
Evitando combates directos até ao último
momento contra a cavalaria pesada cristã, usaram
tácticas de emboscadas. Em Mersivan, esmagaram
um dos exércitos cristãos (o dos lombardos
e francos) que fora abandonado pelos seus líderes
e cavaleiros (que fugiram). Estes foram severamente criticados
pela fuga, assim como Alexius imperador de Bizâncio
por não ter dado apoio.
Outro
grupo, o exército de Nivernais, também foi
destruído de forma similar (com fuga de líderes
incluída). A expedição da Aquitânia
portou-se melhor: ao menos os cavaleiros ficaram a combater
e morrer juntamente com o povo. Alguns poucos conseguiram
fugiram para Constantinopla. Três exércitos
aniquilados em dois meses, enquanto que o pequeno exército
de Jerusalém (com o membros da Primeira Cruzada)
derrotava um exército egípcio.
Por
alguns anos, não foram pregadas mais cruzadas,
e os territórios cristãos no oriente tiveram
de se aguentar por conta própria. Assumem como
padroeiro São Jorge da Capadócia, exemplo
de cavaleiro cristão, e seu brasão de armas,
a cruz vermelha num escudo branco.
Segunda
Cruzada (1147-1149)
Em
1145 é pregada uma nova cruzada por Eugénio
III e São Bernardo. A perda do Condado de Edessa
provocou a organização dessa cruzada. Desta
vez foram reis que responderam ao apelo: Luís VII
da França e Conrado III do Sacro Império,
para nomear os mais importantes. Curiosamente, os contingentes
flamengos e ingleses acabaram por conquistar Lisboa e
voltar para as suas terras na sua maioria, uma vez que
eram concedidas indulgências para quem combatia
na Península Ibérica.
O
exército de Conrado acabou esmagado pelos turcos
num momento de repouso. O que sobrou juntou-se aos franceses,
com o apoio dos templários. Com algumas dificuldades
de transporte, mais uma vez uma parte do exército
teve de ser abandonado para trás (sobretudo os
plebeus a pé), e estes tiveram de abrir caminho
contra os turcos. Luís VII e Conrado em Jerusalém,
depois de algumas discussões, acabaram por ser
convencidos a atacar Damasco, mas ao fim de poucos dias
tiveram que se retirar perante a ameaça de uma
parte dos nobres fazê-lo por conta própria.
O resultado desta Cruzada foi miserável (se excetuarmos
a conquista de Lisboa), tendo sucesso apenas em azedar
as relações entre os reinos cruzados, os
bizantinos e os amigáveis governantes muçulmanos.
Nenhuma nova cruzada foi lançada até a um
novo acontecimento: a conquista de Jerusalém pelos
muçulmanos em 1187. Os cristãos enfrentavam
um adversário decidido, Saladino.
Terceira
Cruzada (1189-1192)
A Terceira Cruzada, pregada pelo Papa Gregório
VIII após a tomada de Jerusalém pelo sultão
Saladino em 1187, foi denominada Cruzada dos Reis. É
assim denominada pela participação dos três
principais soberanos europeus da época: Filipe
Augusto (França), Frederico Barbaruiva (Sacro Império
Romano-Germânico) e Ricardo Coração
de Leão (Inglaterra). O imperador Frederico Barbaruiva,
atendendo os apelos do papa, partiu com um contingente
alemão de Ratisbona e tomou o itinerário
danubiano atravessando com sucesso a Ásia Menor,
porém afogou-se na Cilícia ao atravessar
o Sélef (hoje Goksu). A sua morte representou o
fim prático desse núcleo. Os reis de França
e Inglaterra passaram o tempo todo a querelar-se, até
que aquele se retirou. Se Ricardo Coração
de Leão conseguiu alguns actos notáveis
(a conquista de Chipre, Acre, Jaffa e uma série
de vitórias contra efectivos superiores) também
não teve pejo em massacrar prisioneiros (incluindo
mulheres e crianças). Com Saladino, teve um adversário
à altura, combatendo e travando um subtil táctico.
Em 1192 acabou-se por chegar a um acordo: os cristãos
mantinham o que tinham conquistado e obtinham o direito
de peregrinação, desde que desarmados, a
Jerusalém (que ficava em mãos muçulmanas).
Se
esse objectivo principal falhara, alguns resultados tinham
sido obtidos: Saladino vira a sua carreira de vitórias
iniciais entrar num certo impasse e o território
de Outremer (o nome que era dado aos reinos cruzados no
oriente) sobrevivera.
Quarta
Cruzada (1202-1204)
A Quarta Cruzada foi denominada também de Cruzada
Comercial, por ter sido desviada de seu intuito original
pelo doge (duque) Dândolo, de Veneza, que levou
os cristãos a saquear Zara e Constantinopla, onde
foi fundado o Reino Latino de Constantinopla, fazendo
com que o abismo entre as igrejas Ocidental e Oriental
se estabelecesse definitivamente.
O Papa Inocêncio III apelou a uma cruzada em 1198
para conquistar Jerusalém (o objectivo falhado
da Terceira Cruzada), mas os preparativos começariam
2 anos depois. Vários grandes senhores trouxeram
exércitos e estipularam um acordo com Veneza que
transportaria essas tropas na sua frota em troca de uma
quantia. O problema é que muitos dos senhores acabaram
por não ir, e os que foram não tinham condições
para pagar o valor estipulado (que era fixo). Foi criado
um novo acordo então: os cruzados conquistariam
Zara, uma cidade veneziana na Dalmácia que se revoltara
em troca de um adiamento do pagamento. Entretanto chegaram
notícias de Bizâncio. O Imperador Isaac II
fora derrubado pelo seu irmão Alexius III e fora
cegado. Ora o filho de Isac II, de nome Alexius IV conseguira
fugir e apelara aos cruzados para o ajudarem: em troca
de o colocarem no trono prometia-lhes dinheiro e os recursos
do império para a conquista de Jerusalém.
Ainda hoje os historiadores discutem se as coisas se passaram
assim ou se foi uma justificação para o
que se iria suceder.
Os cruzados aceitaram imediatamente uma vez que isso parecia
resolver os seus problemas. Partiram em 1202. O Papa considerou
que se atacassem território cristão (nomeadamente
Zara) ficariam excomungados. A cidade foi conquistada
e depois de deixarem passar o Inverno atacaram Constantinopla.
A cidade resistiu, mas o imperador Alexius III acabou
por fugir com o tesouro da cidade.
Com novos impostos a ser lançados para pagar as
promessas feitas aos cruzados, rapidamente a população
ficou à beira da revolta. Alexius V, um parente
afastado fez um golpe matando Alexius IV e colocando novamente
na prisão Isaac II que fora libertado pelos cruzados
e governara com o filho.
Os cruzados decidiram então conquistar em proveito
próprio o império, nomear um imperador latino
e dividir os territórios. Alexius V fugiu com algum
tesouro e a cidade foi saqueada pelos latinos durante
3 dias. Estátuas, mosaicos, relíquias, riquezas
acumuladas durante quase um milénio foram pilhadas
ou destruídas durante os incêndios. A cidade
sofreu um golpe tão terrível que nunca mais
conseguiu se recompor, mesmo depois de voltar a ser grega
em 1261. E assim terminou a IV cruzada, pois ninguém
pensou mais em dirigir-se para Jerusalém: a maioria
regressou com o que roubara, alguns ficaram com feudos
no oriente.
Cruzada
das Crianças
Entre a Quarta e a Quinta Cruzada houve a chamada Cruzada
das Crianças, outro movimento extra-oficial, baseado
na crença que apenas as almas puras (no caso as
crianças) poderiam libertar Jerusalém. Apesar
da oposição do Papa Inocêncio III,
a cruzada efetivou-se. Foi um desastre, pois a maioria
das crianças morreu de fome ou de frio. As que
sobreviveram foram vendidas como escravas pelos turcos
no Norte da África.
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Quinta
Cruzada (1217-1221)
Também
pregada por Inocêncio III, partiu em 1217 e foi
liderada por André II, rei da Hungria, e por Leopoldo
VI, duque da Áustria. Decidiu-se que para se conquistar
Jerusalém era necessário conquistar o Egipto
primeiro, uma vez que este controlava esse território.
Desembarcados em São João D'Acre, decidiram
atacar Damietta, cidade que servia de acesso ao Cairo,
a capital. Depois de conquistar uma pequena fortaleza
de acesso aguardaram reforços e meteram-se a caminho.
Depois de alguns combates, e quando tudo parecia perdido,
uma série de crises na liderança egípcia
permitiram aos cruzados ocupar o campo inimigo. O sultão
acabou por oferecer o reino de Jerusalém e uma
enorme quantia se os cristãos retirassem; o cardeal
Pelágio, que se tornara num dos chefes da expedição,
acabou por convencer os restantes a recusar. Começaram
a cercar Damietta e depois de algumas batalhas sofreram
uma derrota. O sultão renovou a proposta, mas foi
novamente recusada. Depois de um longo cerco que durou
de Fevereiro a novembro a cidade caiu. Os conflitos entre
os cruzados agudizaram-se e perdeu-se tanto tempo que
os egípcios recuperaram forças. Reforços
até 1221 chegaram aos cristãos. Lançaram-se
numa ofensiva, mas os muçulmanos foram retirando
e levando os cruzados a uma armadilha; sem comida e cercados
acabaram por ter de chegar a um acordo: retiravam do Egipto
e tinham as vidas salvas.
Sexta
Cruzada (1228-1229)
Foi
liderada pelo imperador do Sacro Império Frederico
II, que tinha sido excomungado pelo Papa. Ele partiu com
um exército que foi diminuindo com as deserções,
e uma semi-hostilidade das forças cristãs
locais devido à sua excomunhão pelo Papa.
Aproveitando-se das discórdias entre os muçulmanos,
Frederico II conseguiu, por intermédio da diplomacia,
um tratado com os turcos que lhe concedia a posse de Jerusalém,
Belém e Nazaré por dez anos. Mas a derrota
dos cristãos em Gaza fê-los perder os Santos
Lugares em 1244.
Sétima
Cruzada (1248-1250)
Foi liderada pelo rei da França Luís IX,
posteriormente canonizado como São Luís.
Ele desembarcou diretamente no Egito e, depois de alguns
combates, conquistou Damietta. Novamente o sultão
ofereceu Jerusalém e novamente foi recusado. Em
Mansurá, depois de quase terem vencido, os cruzados
são derrotados pela imprudência do irmão
do rei, Roberto de Artois. Depois de uma retirada desastrosa,
o exército puramente rendeu-se. Luís IX
caiu prisioneiro e os cristãos tiveram de pagar
um pesado resgate pela sua libertação. Somente
a resistência da rainha francesa em Damietta permitiu
que se conseguisse negociar com os egípcios. Luís
ficou mais algum tempo e conseguiu salvar o território
de Outremer (indiretamente, as invasões mongóis
deram o seu contributo).
Oitava
Cruzada (1270)
Também
foi liderada pelo rei francês Luís IX. Ele
atacou Túnis, mas acabou morrendo devido a uma
forte disenteria.
Nona
Cruzada
Alguns
meses depois, o príncipe Eduardo da Inglaterra,
depois Eduardo I, comandou os seus seguidores até
Acre embora sem resultados.
|
O
FRACASSO E O LEGADO DAS CRUZADAS |
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A
queda de Ptolomeu, em 1291, marcou o fim das Cruzadas. Deste
modo terminavam as Cruzadas no oriente. Alguns grupos ainda
partiram para, mas nunca mais se gerou entusiasmo nem foram
preparadas grandes expedições. Rapidamente
os poucos territórios que restavam seriam reconquistados
pelos muçulmanos. Diversas razões contribuíram
para o fracasso das Cruzadas, entre elas: os europeus eram
minoria, em meio a uma população geralmente
hostil; a opressão à população
nativa fez com que o domínio fosse cada vez mais
difícil; as diversas lutas entre os próprios
cristãos contribuíram para enfraquecê-los
enormemente. Todas, exceto a pacífica sexta Cruzada
(1228-1229), foram prejudicadas pela cobiça e brutalidade;
judeus e cristãos na Europa foram massacrados por
turbas armadas em seu caminho para a Terra Santa. O papado
era incapaz de controlar as imensas forças à
sua disposição. No entanto, os cruzados atraíram
líderes como Ricardo I e Luís IX, afetaram
enormemente a cavalaria européia e, durante séculos,
sua literatura. Enquanto aprofundavam a hostilidade entre
o cristianismo e o islã, as Cruzadas também
estimularam os contatos econômicos e culturais para
benefício permanente da civilização
européia. O comércio entre a Europa e a Ásia
Menor aumentou consideravelmente e a Europa conheceu novos
produtos, em especial, o açúcar e o algodão.
Os contatos culturais que se estabeleceram entre a Europa
e o Oriente tiveram um efeito estimulante no conhecimento
ocidental e, até certo ponto, prepararam o caminho
para o Renascimento.
A Jihad
No
início do séc. XII, o mundo muçulmano
tinha praticamente esquecido a Jihad, a guerra religiosa
travada contra os inimigos do Islão. A explosiva
expansão da sua religião durante o séc.
VIII tinha-se reduzido às memórias de grandeza
dessa época. Após a queda de Jerusalém,
muitos proeminentes líderes religiosos, como o
qadi Abu Sa’ ad al-Harawi, tentaram convencer o
Califa Abássida a preparar a Jihad contra os Firanji.
No entanto, somente perto de duas décadas depois
é que o sultão turco designou um proeminente
militar, um atabeg chamado Zengi, para resolver o problema
Firanj. Após a primeira cruzada, a moral dos muçulmanos
estava de rastos. Os Firanj detinham uma reputação
de ferocidade entre os Turcos e os Árabes. Com
os espectaculares sucessos em Antioquia e Jerusalém,
os Firanj pareciam quase imparáveis. Eles humilhavam
o poderoso califado egípcio anualmente e faziam
investidas em terras inimigas impunemente. Exceptuando
os vassalos do Egipto, a maioria dos aterrorizados líderes
muçulmanos dos territórios mais próximos
pagavam um pesado tributo para assegurar a paz. Zengi
iniciou o longo e lento processo de modificar a imagem
que os muçulmanos tinham dos Firanj. Tendo recebido
o domínio das terras à volta de Mossul e
Alepo, Zengi começou uma campanha contra o Firanj
em 1132 com a ajuda do seu lugar-tenente Sawar. Em cinco
anos conseguiu reduzir o número dos castelos importantes
ao longo da fronteira do Condado de Edessa e derrotou
o exército firanj em batalha. Em 1144 capturou
a cidade de Edessa e neutralizou de forma efectiva o primeiro
domínio estabelecido pelos Cruzados. Zengi foi
o primeiro líder muçulmano a enfrentar os
firanj e que não só sobreviveu, como triunfou.
Ele provou que os firanj podiam ser bloqueados. Os líderes
de Bagdad aprovaram os sucessos de Zengi, e cedo um grande
número de títulos precediam o seu nome:
O Emir, o General, o Grande, o Justo, o Ajudante de Deus,
o Triunfante, o Único, o Pilar da Religião,
a Pedra de Base do Islão, …Honra de Reis,
Apoiante de Sultões … o Sol dos Merecedores,
… Protector do Príncipe dos Fiéis.
Zengi gostou tanto da enchente de elogios, que insistiu
que os seus arautos e escrivães utilizassem todos
os títulos na sua correspondência. Embora
Zengi fosse um grande herói militar, ele foi simplesmente
muito implacável e cruel nas suas campanhas contra
Damasco para motivar os muçulmanos para uma guerra
religiosa. Uma noite do ano 1146, encontrando-se ele alcoolizado,
ao ter presenciado a um erro do seu eunuco particular,
Lulu (“pérola”), e prometeu mandá-lo
executar por incompetência. Mais tarde, enquanto
Zengi dormia, Lulu pegou na adaga do seu dono e apunhalou-o
repetidamente e fugiu, coberto pela escuridão da
noite. O herdeiro de Zengi, Nur al-Din, e o seu sucessor
Salah al-Din (“Saladino”), eram extremamente
piedosos, observando rigidamente a Sunna e os Pilares
do Islão na sua vida pública e particular.
Ambos rodearam-se de religiosos e teólogos e sábios
em geral. Para além disso fizeram uma activa campanha
para espalhar o fervor religioso e propaganda entre os
seus súbditos muçulmanos. Com os seus exemplos
de religiosidade, Nur al-Din iniciou – e o seu sucessor
Salah al-Din cultivou – uma guerra religiosa, uma
jihad, contra os Firanj. Enquanto que Zengi apenas podia
contar com os seus soldados, o apelo à jihad atraiu
os soldados muçulmanos de toda a Arábia,
Egipto e Pérsia. Este massivo exército permitiu
Salah al-Din esmagar os Firanj na Batalha de Hattin e
enfraquecer as forças da Terceira Cruzada de Ricardo
Coração de Leão. A chama da Jihad
de Salah al-Din deixou de arder em 1193, quando morreu.
O irmão do Sultão, Saphadin, não
pretendia entrar em mais guerras, e quando Coração
de Leão foi para a Europa, o poderio militar dos
Firanj estava praticamente neutralizado e não mais
necessidade de derramamento de sangue. A partir desta
altura Saphadim acreditava que a coexistência pacífica
com Firanj ainda era possível. Várias décadas
mais tarde, uma jihad iria finalmente purgar os Firanj
da Síria e Palestina, embora até 1291, os
muçulmanos ainda partilhassem uma pequena parte
desse território com os Firanj.
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AS
CRUZADAS NA CONQUISTA DE PORTUGAL |
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Quando
surgiu o reino de Portugal, a cristandade agitava-se no
fervor das Cruzadas do Oriente. Os portos de Galiza, que
davam acesso a Santiago de Compostela, a barra do Douro
e a vasta baía de Lisboa, eram pontos de escala das
frotas de cruzados que do Norte da Europa seguiam para a
Terra Santa. Quando em 1140 Afonso I tentou a conquista
de Lisboa, fê-lo com o auxílio de estrangeiros:
setenta navios franceses que tinham entrado a barra do Douro
e aportado a Gaia. Mas a conquista não foi possível
devido às poderosas defesas que rodeavam Lisboa.
Em 1147 entra na barra do Douro, vinda de Dartmouth, uma
frota de 200 velas, transportando cruzados de várias
nações: alemães, flamengos, normandos
e ingleses num total de 13 000 homens. Aproveitando este
facto, D. Afonso Henriques escreveu ao bispo do Porto D.
Pedro, pedindo-lhe que persuadisse os cruzados a ajudarem-no
na empresa, prometendo-lhes o saque da cidade. No dia seguinte
desembarcaram os cruzados em Lisboa, que tiveram as últimas
negociações com D. Afonso, firmando o pacto.
Depois da tomada da cidade muitos cruzados ficaram por cá.
Um capitão de cruzados, Jourdan, foi senhor e parece
que o primeiro povoador da Lourinhã. Ao francês
Allardo foi doada Vila Verde.
Alguns
anos depois, em 1152, partiu de Bergen uma esquadra de peregrinos
do Norte da Europa, comandados por Rognvaldo III, rei das
Orcades, com 15 navios e 2 000 homens. No inverno do ano
seguinte esta esquadra estava nas costas de Galiza onde
pilhou algumas povoações. No verão
de 1154 desce a costa portuguesa e ajuda o monarca na conquista
de Alcácer do Sal. A empresa era rendosa, pois a
cidade era o mais importante porto do Sado, cercada de pinhais,
cujas madeiras eram utilizadas na construção
de navios. A empresa falhou e o mesmo se deu anos mais tarde
desta vez com a ajuda da frota do conde da Flandres composta
de franceses e flamengos, e partiu para a Síria em
1157, aportando à barra do Tejo.
Em
1189 D. Sancho I entra em negociações com
outra esquadra, que acabou por entrar na baía de
Lagos e ocuparam o Castelo de Albur (Alvor), um dos mais
fortes da região. Meses depois entra no Tejo outra
frota alemã que tocara em Dartmouth recebendo muitos
peregrinos e que ajudou a conquistar Silves. Capital de
província, populosa, grande centro de comércio
e de cultura, a cidade estava bem fortificada. A notícia
destas vitórias chegou ao Norte de África
e a resposta não se fez esperar. Os mouros põem
cerco a Silves, que não conseguiram tomar, partindo
o califa em direcção a Santarém, tomando
Torres Novas no caminho e pondo o cerco a Tomar. Perante
esta situação, D. Sancho I pediu auxílio
aos cruzados vassalos de Ricardo Coração de
Leão, que se tinham reunido no Tejo, e foram ter
a Santarém, que não chegou a ser atacada por
causa da peste que vitimou a maior parte dos mouros.
No
ano seguinte, os mouros regressam reconquistando Silves,
a província de Alcácer, com excepção
de Évora. Anos depois outra armada de cruzados, mesmo
sem terem chegado a acordo com D. Sancho I, tomam Silves
e saqueiam a cidade, prosseguindo para a Síria. Em
1212 com a derrota de Navas de Tolosa, o reino mouro entra
em decadência. Em 1217 entra nova frota alemã,
e D. Soeiro, bispo de Lisboa, convenceu-os a conquistar
Alcácer do Sal, navegando a esquadra por Setúbal,
com os seus 100 navios. Alcácer resistiu durante
dois meses até capitular. No princípio do
Inverno regressa a frota ao Tejo, passando aí o resto
do inverno. |
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ANIMADO é tão maravilhoso quanto A VIAGEM DE CHIHIRO. |
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sucesso em animação da parceria Disney/Pixar. |
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