Diogo
Barbosa Machado nasceu em Lisboa a 31 de Março de
1682, filho segundo do capitão João Barbosa
Machado, e de sua mulher D. Catarina Barbosa. Foi irmão
de D. José Barbosa e de Inácio Barbosa Machado,
dois distintos intelectuais setecentistas.
Estudou
com os padres da Congregação do Oratório,
de Lisboa, e em 1708 matriculou-se na faculdade de direito
canónico da Universidade de Coimbra, desistindo dos
estudos por motivo de doença.
Pretendendo
seguir a carreira eclesiástica, obteve um benefício
simples na igreja de Santa Cruz de Alvarenga, diocese de
Lamego, e recebeu ordens de presbítero, a 2 de Julho
de 1724, conferidas pelo bispo de Tagaste D. Manuel da Silva
Francês, provisor e vigário geral do arcebispado
de Lisboa. A 4 de Novembro de 1728 foi colado abade da igreja
de Santo Adrião de Sever, no concelho de Santa Marta
de Penaguião, diocese do Porto, lugar que manteria
durante o resto da sua vida.
Quando
em 1720 se fundou a Academia Real de História Portuguesa,
Diogo Barbosa Machado foi escolhido para ser um dos seus
primeiros 50 sócios de número, incluindo-se
entre o grupo selecto de intelectuais que deveriam escrever
a história de Portugal e seus domínios e dar
corpo ao lema da instituição Restituet omnia,
ou seja restituir ao mundo o ilustre conjunto de acções
gloriosas dos lusitanos.
Bibliófilo
empenhado, conseguiu reunir uma livraria de alguns milhares
de volumes, incluindo livros raros sobre a história
portuguesa, e grande quantidade de notícias e opúsculos
avulsos, coligidas em mais de cem tomos de fólio
pequeno. A colecção incluía ainda dois
tomos de formato máximo, contendo 690 retratos de
reis, príncipes e infantes de Portugal, para além
de 4 tomos da mesma forma, contendo 1380 retratos de portugueses
célebres, e um tomo formado de cartas e mapas geográficos
de Portugal e suas conquistas.
Diogo
Barbosa Machado ofereceu esta colecção ao
rei D. José I de Portugal, para ajudar compensar
a perda da antiga biblioteca régia consumida pelo
incêndio que se seguiu ao terramoto de 1755.
Transportada
para o Brasil, em 1807, por ocasião da retirada da
família real face à invasão francesa
daquele ano, a colecção de Barbosa Machado
viria a ser o embrião da Biblioteca Pública
do Rio de Janeiro.
A
partir da sua colecção, e através da
recolha de múltiplas informações em
todo o país, compilou uma desenvolvida notícia
bibliográfica, que apelidou Bibliotheca Lusitana,
onde tentou reunir toda a informação disponível
sobre bibliografia portuguesa e sobre os seus autores. O
autor apresenta a obra como uma colectânea onde se
compreende a notícia dos autores portugueses e das
obras que compuseram desde o tempo da promulgação
da Lei da Graça até ao tempo presente. Tendo
dedicado o primeiro tomo ao monarca, decidiu dedicar o segundo
ao bispo do Porto, gesto que desagradou ao rei, pelo que
rasgou o rosto da obra e fez escrever novos frontispícios.
Esta
obra é seguramente a mais importante de Barbosa Machado,
de seu título completo Bibliotheca Lusitana, Historia,
Critica e Chronologica, na qual se comprehende a noticia
dos autores portuguezes, e das obras que compozeram desde
o tempo da promulgação da Lei da Graça,
até o tempo presente. A obra compõe-se de
quatro tomos, publicados em Lisboa entre 1741 e 1758. Mantendo
grande valor para o conhecimento da literatura portuguesa
anterior ao século XVIII, a Biblioteca Lusitana foi
recentemente reeditada em disco compacto digital.
O
nome de Diogo Barbosa Machado está ligado aos compiladores
do Corpus Illustrium Poetarum Lusitanorum em múltiplos
aspectos. António dos Reis, o iniciador da compilação,
e Manuel Monteiro, o seu sucessor, pertenciam à Congregação
do Oratório, importante instituição
da renovação cultural da época de D.
João V de Portugal, junto de cujos padres Barbosa
Machado estudara, e que lhe proporcionou, através
de alguns dos seus mestres, a continuação
da sua aprendizagem após os seus estudos iniciais
e o acesso a numerosa bibliografia dispersa por conventos
e mosteiros e por muitas outras instituições
eclesiásticas.
No
âmbito do movimento que culminaria na expulsão
dos Jesuítas, escreveu uma Carta Exortatória
aos Padres da Companhia de Jesus da Província de
Portugal, anónima, na qual defendia os oratorianos
em detrimento dos jesuítas. Esta carta, em que o
seu autor guardou o anonimato, foi escrita em defesa dos
padres da Congregação do Oratório,
e contra os jesuítas, na guerra doutrinal e literária
que estas congregações mantiveram, à
qual vieram dar novo incremento os escritos de Luís
António Verney, e os mais que por aqueles tempos
apareceram. Barbosa Machado absteve-se de a incluir na relação
das suas obras na Bibliotheca Lusitana, mas consta, de testemunhos
certos, ser ele o autor. Os exemplares deste opúsculo,
por motivos que se desconhecem, foram todos sequestrados
e suprimidos à entrada em Portugal, constando terem
escapado apenas três. Contra esta carta escreveu e
publicou Francisco de Pina e Melo uma Resposta, que anos
depois foi obrigado a suprimir, quando os jesuítas,
cuja defesa ele tomava com denodo, foram proscritos e expulsos
do reino.
Diogo
Barbosa Machado faleceu em Lisboa a 9 de Agosto de 1772.
Diogo
Barbosa Machado escreveu na Bibliotheca Lusitana (vol. I,
pág. 634, e vol. IV, pág. 95) uma nota autobiográfica
e, depois da sua morte, foi publicado um folheto intitulado
Oração funebre nas exequias do Reverendo Sr.
Diogo Barbosa Machado, Abbade Reservatario da egreja de
Santo Adrião de Sever, celebradas na ermida de Nossa
Senhora da Conceição no sítio de Rilhafolles,
em o dia 9 de Setembro de 1772 (Lisboa, 1773). |
Diogo
Barbosa Machado é autor de uma vasta obra publicada.
Sem ser exaustiva, eis uma lista dos trabalhos mais relevantes
impressos:
* Conta dos seus estudos academicos, recitada no Paço
a 7 de Septembro de 1722, saiu no tomo II da Collecção
dos Documentos e Memorias da Academia de História;
* Conta dos seus estudos, etc., em 22 de outubro de 1724,
em 22 de outubro de 1726, em 7 de setembro de 1727 e em
7 de setembro de 1731, publicadas nos tomos IV, VII, e XI
da Collecção dos Documentos e Memorias da
Academia de História;
* Memorais do reinado de D. Sebastião, de D. Henrique,
Filippe I, II, e IIII, 3 volumes in folio;
* Elogio funebre do beneficiado Francisco Leitão
Ferreira, recitado no Paço, a 31 de março
de 1735, Lisboa, 1735;
* Memorias para a Historia de Portugal, que comprehendem
o governo d'el-rei D. Sebastião, unico do nome, desde
o anno de 1554 até o de 1561, 4 tomos, Lisboa, de
1736 a 1751 (todos os tomos trazem a estampa comum a todos
os frontispícios das obras da Academia, gravada por
Vieira Lusitano)
* Bibliotheca Lusitana, Historia, Critica e Chronologica,
na qual se comprehende a noticia dos autores portuguezes,
e das obras que compozeram desde o tempo da promulgação
da Lei da Graça, até o tempo presente, Lisboa,
1741 e 1758;
* As verdades principaes e mais importantes da fé,
e da justiça christã, explicadas clara e methodicamente
segundo a doutrina da Escriptura, dos Concílios e
dos Padres e Doutores da Egreja, etc., traduzido do italiano
de Monsenhor Dandini, Lisboa, 1729 (saiu sem o nome do tradutor);
* Relação das solemnes exequias pelos Padres
da Congregação da Missão, em 25 e 26
de outubro de 1750, à saudosa memoria d'el-rei D.
João V, seu augusto fundador, Lisboa, 1750 (saiu
sem o nome do autor);
* Piis manibus Excellentissimi D. Antonii Aloysii de Sousa
Marchionis das Minas, Comitis do Prado, Serinissimis Lusitanice
Regibus Petro II, & Joanni V à Sanctioribus Consiliis,
in Província Transtagana armorum Proefecti, &
Augustissimae Regince Stabulis summi. Proepositi Epitaphiumm,
largo elogio lapidário incluído no tomo VI
das Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza
de António Caetano de Sousa;
* Carta Exhortatoria aos Padres da Companhia de Jesus da
província de Portugal, sem lugar nem ano de edição,
mas que se diz impressa em Amesterdão nos fins do
ano de 1754 ou princípios de 1755;
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