No
princípio dos anos 60, três movimentos de
libertação (UPA/FNLA, MPLA e UNITA) desencadeiam
uma luta armada contra o colonialismo português.
O
governo de Portugal (uma ditadura desde 1926), recusa-se
a dialogar e prossegue na defesa até ao limite
do último grande império colonial europeu.
Para África são mobilizados centenas de
milhares de soldados. Enquanto durou o conflito armado,
Portugal procurando consolidar a sua presença em
Angola, promovendo a realização de importantes
obras públicas. A produção industrial
e agrícola conhece neste território um desenvolvimento
impressionante. A exploração do petróleo
de Cabinda inicia-se em 1968, representando em 1973 cerca
de 30% das receitas das exportações desta
colónia. Entre 1960 e 1973 a taxa de crescimento
do PIB (produto Interno Bruto) de Angola foi de 7% ao
ano.
Independência
e Guerra Civil
Na
sequência do derrube da ditadura em Portugal (25
de abril de 1974), abrem-se perspectiva imediatas para
a independência de Angola. O Governo português
negocia com os três principais movimentos de libertação
(MPLA – Movimento Popular de Libertação
de Angola, FNLA – Frente Nacional de Libertação
de Angola e UNITA – União Nacional para a
Independência Total de Angola) o período
de transição e o processo de implantação
de um regime democrático em Angola (Acordos de
Alvor, janeiro de 1975).
A
independência de Angola não foi o início
da paz, mas o início de uma nova guerra aberta.
Muito antes do dia da Independência, a 11 de novembro
de 1975, já os três três grupos nacionalistas
que tinham combatido o colonialismo português lutavam
entre si pelo controle do país, e em particular
da capital, Luanda. Cada um deles era na altura apoiado
por potências estrangeiras, dando ao conflito uma
dimensão internacional.
A
União Soviética e Cuba apoiavam o MPLA,
que controlava a cidade de Luanda e pouco mais. Os cubanos
não tardaram a desembarcar em Angola (5 de outubro
de 1975). A África do Sul apoiava a UNITA e invade
Angola (9 de agosto de 1975). O Zaire, que apoiava a FNLA,
invade também este país, em julho de 1975.
A FNLA conta também com o apoio da China, mercenários
portugueses e também com o apoio da África
do Sul.
Os
EUA que apoiaram inicialmente apenas a FNLA, não
tardam a ajudar também a UNITA. Neste caso, o apoio
manteve-se até 1993. A sua estratégia foi
durante muito tempo dividir Angola.
Em
outubro de 1975, o transporte aéreo de quantidades
enormes de armas e soldados cubanos, organizado pelos
soviéticos, mudou a situação, favorecendo
o MPLA. As tropas sul-africanas e zairenses retiraram-se,
e o MPLA conseguiu formar um governo socialista unipartidário.
O
Brasil é rápido em reestabelecer relações
diplomáticas com a nova república que se
instala. Faz isso antes mesmo de qualquer país
do bloco comunista. Nenhum país ocidental ou mesmo
africano segue seu exemplo. A decisão de reconhecer
como legítimo o governo de Agostinho Neto foi tomada
por Geisel ainda em 6 de novembro, antes da data oficial
de Independência de Angola.
Já
em 1976 as Nações Unidas reconheciam o governo
do MPLA como o legítimo representante de Angola,
o que não foi seguido nem pelos EUA, nem pela África
do Sul.
No
meio do caos que Angola se havia tornado, cerca de 300
mil portugueses abandonam este país entre 1974
e 1976, o que agrava de forma dramática a situação
económica.
Em
maio de 1977, um grupo do MPLA encabeçado por Nito
Alves, desencadeia um golpe de Estado, que é afogado
num banho de sangue. No final deste ano, o MPLA realiza
o seu 1º Congresso, onde se proclama um partido marxista-leninista
e adopta o nome de MPLA-Partido do Trabalho.
A
guerra continuava a alastrar por todo o território.
A UNITA e a FNLA juntaram-se então contra o MPLA.
A UNITA começou por ser expulsa do seu quartel-general
no Huambo, sendo as suas forças dispersas e impelidas
para o mato. Mais tarde, porém, o partido reagrupou-se,
iniciando uma guerra longa e devastadora contra o governo
do MPLA. A UNITA apresentava-se como sendo anti-marxista
e pró-ocidental, mas tinha também raízes
regionais, principalmente na população Ovimbundu
do sul e centro de Angola.
Agostinho
Neto, morre em Moscovo a 10 de setembro de 1979, sucedendo-lhe
no cargo o ministro da Planificação, o engenheiro
José Eduardo dos Santos.
No
início dos anos 80, o número de mortos e
refugiados não pára de aumentar. As infra-estruturas
do país são brutalmente destruídas.
Os ataques da África do Sul não páram.
Em agosto de 1981, lançam a operação
"Smokeshell" utilizando 15.000 soldados, blindados
e aviões, avançando mais de 200 km na província
do Cunene (sul de Angola). O governo da África
do Sul justifica a sua acção afirmando que
na região estavam instaladas bases dos guerrilheiros
da SWAPO, o movimento de libertação da Namíbia.
Na realidade tratava-se de uma acção de
apoio à UNITA, tendo em vista a criação
de uma "zona libertada" sob a sua administração.
Estes conflitos só terminaram em dezembro de 1988,
quando em Nova Iorque foi firmado um acordo tripartido
(Angola, África do Sul e Cuba) que estabelecia
a Independência da Namíbia e a retirada dos
cubanos de Angola.
A
partir de 1989, com a queda do bloco da ex-União
Soviética, sucedem-se em Angola os acordos de paz
entre a Unita e o MPLA, seguidos do recomeço das
hostilidades.
Em
junho de 1989, em Gbadolite (Zaire), a UNITA e o MPLA
estabelecem uma trégua. A paz apenas durou dois
meses.
Em
fins de abril de 1990, o governo de Angola anuncia o reinício
das conversações directas com a UNITA, com
vista ao estabelecimento do cessar fogo. No mês
seguinte, a UNITA reconhecia oficialmente José
Eduardo dos Santos como o chefe de estado angolano. O
desmoronar da União Soviética acelera o
processo de democratização. No final do
ano, o MPLA anunciava a introdução de reformas
democráticas no país. A 11 de maio de 1991,
o governo publica uma lei que autorizava a criação
de novos partidos, pondo fim ao monopartidarismo. A 22
de maio os últimos cubanos saem de Angola.
Em
31 de maio de 1991, com a mediação de Portugal,
EUA, União Soviética e da ONU, celebram-se
os acordos de Bicesse (Estoril), terminado com a guerra
civil desde 1975, e marcando as eleições
para o ano seguinte.
As
eleições de setembro de 1992, dão
a vitória ao MPLA (cerca de 50% dos votos). A UNITA
(cerca de 40% dos votos) não reconhece os resultados
eleitorais. Quase de imediato sucede-se um horrendo banho
de sangue, reiniciando-se o conflito armado.
Em
1993, o Conselho de Segurança das Nações
Unidas embarga as transferências de armas e petróleo
para a UNITA. Tanto o governo como a UNITA acordaram,
em parar as novas aquisições de armas, mas
tudo não passou de palavras.
Em
novembro de 1994, celebra-se o Protocolo de Lusaka, na
Zâmbia entre a UNITA e o Governo de Angola (MPLA).
A paz parece mais do que nunca estar perto de ser alcançada.
A UNITA usou o acordo de paz de Lusaka para impedir mais
perdas territoriais e para fortalecer as suas forças
militares. Em 1996 e 1997 adquiriu grandes quantidades
de armamentos e combustível, enquanto ia cumprindo,
sem pressa, vários dos compromissos que assumira
através do Protocolo de Lusaka.
Em
dezembro de 1998, Angola retorna ao estado de guerra aberta,
que só parou em 2002, com a morte de Jonas Savimbi
(líder da Unita).