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geral >>> Revolução
Francesa |
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Revolução
Francesa é o nome dado ao conjunto de
acontecimentos que entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro
de 1799 alteraram o quadro político e social da
França. Em causa estavam o Antigo Regime e a autoridade
do Clero e da Nobreza. Foi influenciada pelos ideais do
Iluminismo e da Independência Americana (1776).
A
Revolução é considerada como o acontecimento
que deu início à Idade Contemporânea.
Aboliu a servidão e os direitos feudais em França
e proclamou os princípios universais de "Liberdade,
Igualdade e Fraternidade" (Liberté, Egalité,
Fraternité).
Terminaram
os privilégios da nobreza e do clero, um primeiro
passo no sentido do igualitarismo. É importante
lembrar que a Revolução Francesa semeou
novas ideologias na Europa, conduziu a guerras, mas foi
até certo ponto derrotada pela tentativa de retornar
aos padrões políticos, sociais e institucionais
do Ancien Régime (Antigo Regime), através
de um movimento denominado de Restauração
ou Contra-Revolução. Nesse período,
o rei francês Luís XVIII outorgou a seus
súditos uma Carta Constitucional.
O
sociólogo do século XX Raymond Aron escreve
em O ópio dos intelectuais o seguinte a propósito
da revolução francesa, comparando-a com
a evolução da Inglaterra:
A passagem do Ancien Régime para a sociedade moderna
é consumada na França com uma ruptura e
uma brutalidade únicas. Do outro lado do Canal
da Mancha, na Inglaterra, o regime constitucional foi
instaurado progressivamente, as instituições
representativas advêm do parlamento, cujas origens
remontam aos costumes medievais. No século XVIII
e XIX, a legitimidade democrática se substitui
à legitimidade monárquica sem a eliminar
totalmente, a igualdade dos cidadão apagou pouco
a pouco a distinção dos "Estados"
(Nobreza, clero e povo). As ideias que a revolução
francesa lança em tempestade através da
Europa: soberania do povo, exercício da autoridade
conforme a regras, assembleias eleitas e soberanas, supressão
de diferenças de estatutos pessoais, foram realizadas
em Inglaterra, por vezes mais cedo do que em França,
sem que o povo, em sobressalto de Prometeu, sacudisse
as suas correntes. A "democratização"
foi ali (em Inglaterra) a obra de partidos rivais.
(...) O Ancien Régime desmoronou-se (em França)
de um só golpe, sem quase se defender, e a França
precisou de um século para encontrar outro regime
que fosse aceito pela grande maioria da nação.
A
Revolução Francesa pode ser subdividida
em quatro grandes períodos: a Assembléia
Constituinte, a Assembléia Legislativa, a Convenção
e o Directório.
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As
causas da revolução são remotas e
imediatas. Entre as do primeiro grupo, há que considerar
que a França passava por um período de crise
econômica após anos de prosperidade. A participação
francesa na guerra da independência norte-americana
e os elevados custos da Corte de Luís XVI tinham
deixado as finanças do país em mau estado.
Além disso, a sociedade francesa da segunda metade
do século XVIII era composta por dois grupos privilegiados:
* o Clero ou Primeiro Estado, composto por Alto Clero,
identificado com a nobreza e que negava reformas, e pelo
Baixo Clero, identificado com o povo, e que as reclamava;
e
* a Nobreza, ou Segundo Estado, composta por uma camada
palaciana ou cortesã, que sobrevivia às
custas do Estado, por uma camada provincial, que se mantinha
com as rendas dos feudos, e uma camada togada, que adquirira
os seus títulos e cargos.
Estes
dois grupos (ou Estados) oprimiam e exploravam o Terceiro
Estado, grupo constituído por burgueses, camponeses
sem terra e os "sans-culottes", uma camada heterogênea
composta por artesãos, aprendizes e proletários.
Os impostos e contribuições para o Rei,
o Clero e a Nobreza, incidiam sobre o Terceiro Estado,
uma vez que o Clero e a Nobreza, não só
tinham isenção tributária como ainda
usufruíam do Tesouro Real através de pensões
e cargos públicos.
Os
historiadores colocam o ano de 1789 como o início
da Revolução Francesa. Mas essa, por uma
das "ironias" da história, começou
dois anos antes, com uma reaçao dos notáveis
franceses - clérigos e nobres - contra o absolutismo,
que pretendia reformar-se e para isso buscava limitar
seus privilégios. Luís XVI convocou a nobreza
e o clero para contribuírem no pagamento de impostos,
na altamente aristocrática Assembléia dos
Notáveis (1787). Em meio ao caos econômico
e ao descontentamento geral, Luís XVI de França
não conseguiu promover reformas tributárias,
impedido pela nobreza e pelo clero, que não queriam
dar os anéis para salvar os dedos. Não percebendo
que seus privilégios dependiam do absolutismo,
os notáveis pediram ajuda à burguesia para
lutar contra o poder real - era a Revolta da Aristocracia
ou dos Notáveis (1787-1789). Eles iniciaram a revolta
ao exigir a convocação dos Estados Gerais
para votar o projeto de reformas.
Por
sugestão do Ministro Necker, convocou a Assembléia
dos Estados Gerais, instituição que não
era reunida desde 1614, sob o reinado de Filipe, o Belo.
Os Estados Gerais se reuniram em Maio de 1789 no Palácio
de Versalhes, com o objetivo não declarado de conseguir
que o Terceiro Estado pagasse os impostos que o Clero
e a Nobreza se recusavam a pagar.
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A
ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE |
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Os
deputados dos três estados eram unânimes em
um ponto: desejavam limitar o poder real. No dia 5 de
maio, o rei mandou abrir a sessão inaugural dos
Estados Gerais e, em seu discurso, advertiu que não
se deveria tratar de política, isto é, da
limitação do poder real, mas apenas da reorganização
financeira do reino e do sistema tributário.
O Clero e a Nobreza tentaram diversas manobras para conter
o ímpeto reformista do Terceiro Estado, cujos representantes
comparecem à Assembléia apresentando as
reclamações do povo (materializadas nos
"Cahiers de Doleances"). Os deputados da nobreza
e do clero queriam que as eleições fossem
por estado (clero, um voto; nobreza, um voto; e povo,
um voto) pois assim, já que clero e nobreza comungavam
os mesmos interesses, garantiriam seus privilégios.
O terceiro estado queria que a votação fosse
individual, por deputado, porque, contando com votos do
baixo clero e da nobreza liberal, conseguiria reformar
o sistema tributário do reino. Diante da impossibilidade
de conciliar tais interesses, Luís XVI tentou dissolver
os Estados Gerais, impedindo a entrada dos deputados na
sala das sessões. Os representantes do Terceiro
Estado rebelaram-se e invadiram a sala do jogo da péla
(espécie de tênis em quadra coberta), em
15 de Junho de 1789, e transformaram-se na Assembléia
Nacional, jurando só se separar após a votação
de uma constituição para a França
(Juramento da Sala do Jogo da Péla). Em 9 de Julho
de 1789, juntamente com muitos deputados do baixo clero,
os Estados Gerais autoproclamaram-se Assembléia
Nacional Constituinte. Os ânimos se exaltaram e
aumentavam as propostas de tomar armas.
O
rei decidiu reagir fechando a Assembléia. Mas a
sublevação popular em Paris, seguida de
outras cidades e do campo, impediu seu fechamento.
Em 13 de Julho, organizou-se a Guarda Nacional, uma milícia
burguesa para resistir ao rei e liderar a população
civil, cujo comando coube ao deputado da Assembléia
e herói da independência dos Estados Unidos,
o Marquês de Lafayette.
Enquanto isso, os acontecimentos se precipitaram e a agitação
tomou conta das ruas: a 13 de Julho constituíram-se
as Milícias de Paris, organização
militar-popular. No dia 14 de Julho, populares armados
invadiu o Arsenal dos Inválidos, à procura
de munições e, em seguida, invadiram a Bastilha,
uma fortaleza que tinha sido transformada em prisão
política, mas já não era a terrível
prisão de outros tempos. Os rebeldes tomaram a
Bastilha por causa da pólvora que lá estava
armazenada. Caiu, assim um dos símbolos do absolutismo.
A Queda da Bastilha causou profunda emoção
nas províncias e acelerou a queda dos intendentes.
Novas municipalidades e guardas nacionais foram organizadas.
A
partir de então, a Revolução estendeu-se
ao campo, com maior violência: os camponeses saquearam
as propriedades feudais e invadiram e queimaram os castelos
e cartórios, para destruir os títulos de
propriedade das terras (fase do Grande Medo). Temendo
o radicalismo, ,a noite de 4 de agosto, a Assembléia
Nacional Constituinte aprovou a abolição
dos direitos feudais. Daí por diante, a igualdade
jurídica seria regra.
Inspirada na Declaração de Independência
dos Estados Unidos, em 26 de agosto, a Assembléia
divulgou a primeira Declaração dos Direitos
do Homem e do Cidadão, síntese do pensamento
iluminista burguês, com a finalidade de aliviar
a pressão da massa popular. Nesse documento, onde
se pode ver claramente a influência da Revolução
Americana, era defendido o direito de todos à liberdade,
à propriedade, à igualdade - igualdade jurídica,
e não social nem econômica - e de resistência
à opressão. A desigualdade social e de riqueza
continuava existindo. O nascimento, a tradição
e o sangue não eram mais critérios para
diferenciar socialmente os homens; foram substituídos
pelo dinheiro e pela propriedade, que a partir daí
passam a garantir a seus possuidores o prestígio
social, embora, perante a lei, todos, desde o miserável
ao milionário, fossem teoricamente iguais.
Pressionado
pela opinião pública, Luís XVI deixou
Versalhes, estabelecendo-se no Palácio das Tulherias,
em Paris (outubro de 1789). Ali era mais facilmente admoestado
pelas massas parisienses.
Fervilhavam
os clubes: a imprensa tinha um papel cada vez maior nos
acontecimentos políticos. Jean-Paul Marat e René
Hebert escreviam artigos incendiários.
A
nobreza mas retrógrada e o alto clero abandonaram
a França, refugiando-se nos países absolutistas,
de onde conspiraram contra a revolução.
Numa reação contra os privilégios
do clero e buscando recursos para sanar o déficit
público, o governo desapropriou os bens da Igreja,
colocando-as à venda e, com o seu produto, emitiu
bônus do tesouro, os assignats, valendo como papel-moeda,
logo depreciado. As propriedades da Igreja logo passaram
para as mãos da burguesia. Para os camponeses pobres,
restaram as propriedades menores, que puderam ser adquiridas
mediante facilitações.
Em
agosto de 1790, foi votada a Constituição
Civil do Clero, separando Igreja e Estado e transformando
os clérigos em assalariados do governo, a quem
deviam obediência. Ela determinava também
que os bispos e padres de paróquia seriam eleitos
por todos os eleitores, independente de sua filiação
religiosa. O papa opôs-se a isso. Os clérigos
deveriam jurar a nova Constituição. Os que
fizeram isso ficaram conhecidos como juramentados; os
que se recusaram passaram a ser chamados de refratários
e engrossaram o campo da Contra-Revolução.
Procurando
frear o movimento popular, a Assembléia Nacional
Constituinte, pela Lei de Le Chapelier, proibiu associações
e coalizões profissionais.
No palácio real, conspirava-se abertamente. O rei,
a rainha, seus conselheiros, os embaixadores da Áustria
e da Prússia eram os cabeças da conspiração.
A Áustria e a Prússia, países absolutistas,
invadiram a França, que foi derrotada porque oficiais
ligados à nobreza permitiram o fracasso do exército
francês. Denunciou-se a traição na
Assembléia. Em junho de 1791 a família real
fugiu. O rei foi descoberto em Verennes e obrigado a voltar.
A assembléia absolveu Luís XVI, mantendo
a monarquia. Para justificar essa decisão, alegou
que o rei fora sequestrado. A Guarda Nacional, comandada
por Lafayette, reprimiu violentamente a multidão
que queria a deposição do rei.
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Em
setembro de 1791, foi promulgada a primeira Constituição
da França que resumia as realizações
da Revolução.
Influenciada
pelo exemplo dos Estados Unidos, a França implantou
uma monarquia constitucional, isto é, o rei perdia
os seus poderes absolutos. A carta estabelecia uma clara
separação entre os poderes Legislativo, Executivo
e Judiciário e concedia direitos civis completos
aos cidadãos.
A
população foi dividida em cidadãos
ativos e passivos. Somente os cidadãos ativos, que
pagavam impostos e possuiam dinheiro ou propriedades, participavam
da vida política. Era o voto censitário.
Apesar
de ter limitado os poderes do rei, este tinha ainda o direito
de designar seus ministros.
De
mais, a constituição abolia o feudalismo,
nacionalizava os bens eclesiásticos e reconhecia
a igualdade civil e jurídica.
Em
síntese, a Constituição de 1791 visava
a criar, na França, uma sociedade burguesa e capitalista,
em lugar da anterior, feudal e aristocrática. |
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Em
1791 iniciou-se a fase denominada Monarquia Constitucional.
Nas eleições de outubro de 1791, as cadeiras
da Assembléia Legislativa foram ocupadas predominantemente
por elementos da burguesia.
Embora
a burguesia tivesse de enfrentar, dentro da Assembléia,
a oposição da aristocracia, cujos deputados
ocupavam o lado direito de quem entrava no recinto de reuniões,
e também dos democratas, que ocupavam o lado esquerdo,
as maiores dificuldades estavam fora da Assembléia.
À
extrema direita, o rei e a aristocracia se recusavam a aceitar
qualquer compromisso. À extrema esquerda, a pequena
e média burguesia sentiam-se lesadas e enganadas.
Os
camponeses, desesperados, porque tinham de pagar pela extinção
dos direitos feudais, retomaram a violência.
O
confisco dos bens da Igreja e a Constituição
do Clero, que faziam com que os religiosos rompessem com
o papado, levaram a maior parte do clero para o campo da
Contra-Revolução.
Apesar
de todas as dificuldades, a alta burguesia se mantinha no
poder.
A Queda da Monarquia
Em
1791, os emigrados e as monarquias absolutistas formaram
uma aliança destinada a restaurar, na França,
os poderes absolutos de Luís XVI.
Em
1792, a Assembléia Legislativa aprovou uma declaração
de guerra contra a Áustria. É interessante
salientar que a burguesia e a aristocracia queriam a guerra
por motivos diferentes. Enquanto para a burguesia a guerra
seria breve e vitoriosa, para o rei e a aristocracia seria
a esperança de retorno ao velho regime. Palavras
de Luís XVI: "Em lugar de uma guerra civil,
esta será uma guerra política" e da rainha
Maria Antonieta: "Os imbecis [referia-se a burguesia]!
Não vêem que nos servem". Portanto, o
rei e a aristocracia não vacilaram em trair a França
revolucionária.
Diante
da aproximação dos exércitos coligados
estrangeiros, formaram-se por toda a França batalhões
de voluntários.
Luís
XVI e Maria Antonieta foram presos, acusados de traição
ao país por colaborarem com os invasores.
Verdun,
última defesa de Paris, foi sitiada pelos prussianos.
O povo, chamado a defender a revolução, saiu
às ruas e massacrou muitos partidários do
Antigo Regime. Sob o comando de Danton, Robespierre e Marat,
foram destribuídas armas ao povo e foi organizada
a Comuna Insurrecional de Paris. As palavras de Danton ressoaram
de forma marcante nos corações dos revolucionários.
Disse ele: "Para vencer os inimigos, necessitamos de
audácia, cada vez mais audácia, e então
a França estará salva". Aconteceu aquilo
que parecia impossível: as tropas revolucionárias,
famintas, malvestidas, mas alimentadas pelo ardor revolucionário
e, ao som da Marselhesa (o hino da revolução),
derrotaram a coalisão antifrancesa na Batalha de
Valmy. |
A
CONVENÇÃO (1792 - 1795) |
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Em
10 de agosto de 1792, a Assembléia foi dissolvida
e a monarquia extinta. Criou-se uma nova Assembléia
Nacional Constituinte (a Convenção Nacional),
entrando numa fase radical. As primeiras medidas tomadas
pela Convenção foi a Proclamação
da República e a promulgação de uma
nova Constituição(21 de setembro de 1792).
Eleita sem a divisão dos eleitores em passivos e
ativos, a alta burguesia monarquista foi derrotada. A Convenção
contava com o predomínio dos representantes da burguesia.
Entre
os revolucionários de 1789, houve uma divisão.
A grande burguesia não queria aprofundar e radicalizar
a revolução, temendo o radicalismo popular.
Aliada a setores da nobreza liberal e do baixo clero, formou
o Clube dos Girondinos. O nome girondino (do francês
girondin) deve-se ao fato de Brissot, principal líder
dessa facção, representar o departamento da
Gironda e de seus principais líderes serem provenientes
de lá. Eles ocupavam os bancos inferiores no salão
das sessões. Os jacobinos (do francês jacobin)-assim
chamados porque se reuniam no convento de Saint Jacques-,
liderados pela pequena burguesia e apoiados pelos sans-cullotes,
massas populares de Paris, que queriam aprofundar a revolução,
aumentando os direitos do povo. Ocupavam os assentos superiores
no salão das sessões, recebendo o nome de
montanha. Seus principais líderes forma Danton, Marat
e Robespierre. Sua facção mais radical era
representada pelos raivosos, liderados por Hebert, que queriam
o povo no poder. Havia ainda um grupo de deputados sem opiniões
muito firmes,que votavam na proposta que tinha mais chances
de vencer. Eram chamados de planície ou pântano.
Havia ainda os cordeliers (camadas mais baixas) e os feuillants
(a burguesia financeira).
As
modernas designações políticas de direita,
centro e esquerda surgem neste momento: com relação
à Mesa da Presidência identificavam-se à
direita os girondinos, que desejavam consolidar as conquistas
burguesas, estancar a revolução e evitar a
radicalização; ao centro, a Planície
ou Pântano, grupo de burgueses sem posição
política definida; e à esquerda, a Montanha,
composta pela pequena burguesia jacobina que liderava os
sans-culottes, e que defendia o aprofundamento da revolução.
Dirigida
inicialmente pelos girondinos, a convenção
realizava uma política contraditória: revolucionários
na política externa - ao combater os países
absolutistas - e conservadores na interna - ao procurar
se acomodar com a nobreza, tentar salvar a vida do rei e
combater os revolucionários mais radicais. Nesse
primeiro período, foram descobertos documentos secretos
de Luís XVI, no palácio das Tulherias, que
provaram seu comprometimento com o rei da Áustria.
O fato acelerou as pressões para que o rei fosse
julgado como traidor. Na Convenção, a Gironda
dividiu-se: alguns optaram por um indulto, outros pela pena
de morte. Os jacobinos, reforçados pelas manifestações
populares, exigiam a execução do rei, indicando
o fim da supremacia girondina na Revolução.
República
Jacobina
Os
jacobinos, com apoio dos sans-culottes e da Comuna de Paris
(designação que foi dada ao novo governo local
da cidade), assumiram o poder no momento crítico
da Revolução.
A
Convenção reconheceu a existência do
Ser Supremo e da imortalidade da alma. A virtude seria o
elemento essencial da República.
Em
21 de janeiro de 1793, Luís XVI foi guilhotinado
na praça da Revolução. Vários
países europeus, como a Áustria, Prússia,
Holanda, Espanha e Inglaterra, indignados e temendo que
o exemplo francês se refletissem em seus territórios,
formaram a Primeira Coligação contra a França.
Encabeçando a Coligação, a Inglaterra
financiava os grandes exércitos continentais para
conter a ascensão burguesa da França, sua
potencial concorrente nos negócios europeus.
No
departamento de Vendéia, camponeses contra-revolucionários,
instigados pela Igreja, pela nobreza e pelos ingleses, tomaram
o poder. Os girondinos tentaram frear a proposta de mobilização
geral do povo francês, temendo a perda do poder e
a radicalização da revolução,
que ameaçaria suas propriedades e bens. Em resposta,
a população de Paris, agitada pelos partidários
de Hebert, cercou o prédio da convenção,
pedindo a prisão dos deputados girondinos. Os membros
da Gironda foram expulsos da convenção, em
junho de 1793, deixando uma triste herança: inflação,
carestia e avanço da contra-revolução,
tudo isso agravado pela guerra no plano externo.
A Contra-Revolução Camponesa da Vendéia,
a ameaça externa e a morte de Marat colocavam a revolução
à beira do abismo.
Para
combater essa situação, os jacobinos organizaram
os comitês de Salvação Pública
e de Segurança Geral ou Nacional, cujos objetivos
eram controlar o governo, combater os contra-revolucionários
e mobilizar a França para uma guerra total em defesa
da revolução. Decretada a mobilização
geral, criou-se uma economia de guerra, com o racionamento
das mercadorias e o combate aos especuladores, que, aproveitando-se
da situação, escondiam os produtos para aumentar
os preços.
Os
jornais populares utilizavam-se de linguagem grosseira para
caracterizar os aristocratas e inimigos da revolução.
Ao mesmo tempo que pediam que fossem punidos, pregavam as
virtudes revolucionárias, o patriotismo e a defesa
intransigente da revolução. O mais importante
desses jornais era O amigo do povo, dirigido pelo jacobino
Marat, cujo assassinato levou os jacobinos a empregar o
terror contra os inimigos da revolução. Criou-se
um tribunal de julgamentos sumários dos inimigos
da República. Milhares de pessoas - aristocratas,
clérigos, girondinos, especuladores, inimigos reais
ou presumidos da revolução - eram detidas
sumariamente e guilhotinadas. Os direitos individuais foram
suspensos e, diariamente, realizavam-se, sob aplausos populares,
execuções públicas e em massa. O líder
jacobino Robespierre, sancionando as execuções
sumárias, anunciara que a França não
necessitava de juízes, mas de mais guilhotinas. O
Comitê de Salvação Pública, liderado
por Robespierre, assumiu plenos poderes. A Insurreição
camponesa da Vendéia foi esmagada, e a coalisão
antifrancesa foi derrotada.
Embora
utilizassem o terror para combater a contra-revolução,
os jacobinos não foram os sangüinários
que muitos conservadores pintam. Eles cometeram muitos erros,
provavelmente muitas injustiças em seus julgamentos
sumários, mas defendiam a revolução,
aprofundaram a democracia e realizaram muitas reformas sociais
para obter o apoio das camadas populares. As principais
realizações desse período - que ficou
conhecido como Grande Terror, Terror Jacobino ou, simplesmente,
Terror foram:
* Abolição da escravidão nas colônias
francesas, talvez o maior feito social dos jacobinos. Os
girondinos, embora falassem em igualdade de todos perante
a lei, haviam mantido os escravos nas colônias da
França pois, muitos deles, eram proprietários
de engenhos escravistas nas colônias. Os jacobinos,
por não terem interesses nesses engenhos, realizaram
plenamente os ideais iluministas de dignidade humana e de
igualdade de todos perante a lei, ao abolir a escravidão;
* Confisco das terras da nobreza emigrada e da Igreja, que
foram divididas em lotes menores e vendidas a baixo preço
aos camponeses pobres (Reforma Agrária);
* Lei do Máximo, estabelecendo um teto máximo
para preços e salários;
* Venda de bens públicos e dos emigrados para recompor
as finanças públicas;
* Proclamação da Primeira República
Francesa (setembro de 1792);
* Organização de um exército revolucionário
e popular que liquidou com a ameaça externa;
* Organização dos comitês: o Comitê
de Salvação Pública, formado por nove
membros e encarregado do poder executivo, e o Comitê
de Segurança Geral ou Nacional, encarregado de descobrir
os suspeitos de traição;
* Criação do Tribunal Revolucionário,
que julgava os opositores da Revolução;
* Elaboração da Constituição
do Ano I (1793), que estabelece o sufrágio universal
masculino;
* Criação do ensino público gratuito;
* Fundação do Museu do Louvre, da Escola Politécnica
e do Instituto da França;
* Instituição de um novo calendário,
para romper com o passado, com características marcadamente
anticlericais e que passou a basear-se nos fenômenos
da natureza.
Declarando
a "pátria em perigo", os jacobinos começaram
também a executar seus partidários e políticos
mais radicais, como a ala esquerda, dos partidários
de Herbert, e a ala direita, que tinha como líder
Danton. A facção de centro, liderada por Robespierre
e Saint-Just, triunfou, porém, ficou isolada. Esse
é o mal de quase todas as revoluções
ocorridas até hoje: começam executando os
inimigos e acabam executando os revolucionários,
sina da qual os incorruptíveis e bem-intencionados
jacobinos não conseguiram escapar.
Reação
Termidoriana
Muitos
girondinos que haviam sobrevivido ao terror, aliados aos
deputados da planície, articularam um golpe. Em 27
de Julho, 9 Termidor (de acordo com o calendário
revolucionário francês), a Convenção,
numa rápida manobra,derrubou Robespierre e seus partidários.
Robespierre apelou para que as massas populare saissem em
sua defesa. Mas os que podiam mobilizá-las - como
os raivosos - estavam mortos, os sans-culottes não
atenderam ao chamado. Robespierre e os líderes jacobinos
foram guilhotinados sumariamente. A Comuna de Paris e o
partido jacobino deixaram de existir. Era o golpe de 9 Termidor,
que marcou a queda da pequena burguesia jacobina e a volta
da grande burguesia girondina ao poder. O movimento popular
entrou em franca decadência.
A
Convenção Termidoriana (1794-1795) foi curta,
mas permitiu a reativação do projeto político
burguês, com a anulação de várias
decisões montanhesas, como a Lei do Preço
Máximo e o encerramento da supremacia do Comitê
de Salvação Pública.
Em
1795, a Convenção elaborou uma nova constituição
- a Constituição do Ano III -, que restabelecia
o voto censitário para as eleições
legislativas, marginalizando, assim, grande parcela da população.
A carta reservava o poder a burguesia. No final de 1795,
de acordo com a nova Constituição, a Convenção
cedeu lugar ao Diretório, formado por cinco membros
eleitos pelos deputados. Iniciou-se, assim, a República
do Diretório. |
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O
Diretório (1794-99) representa uma fase conservadora,
marcada pelo retorno da Alta Burguesia ao poder e pelo aumento
do prestígio do Exército apoiado nas vitórias
obtidas nas Campanhas externas.
Uma
nova constituição entregou o Poder Executivo
ao Diretório, constituído por cinco membros
eleitos por cinco anos. Esta carta prevê o direito
de voto masculino aos alfabetizados.
Registra-se
uma oposição interna ao governo, devido à
crise econômica e à anulação
das conquistas sociais jacobinas. A figura que sobressai
ao final do período é a de Napoleão
Bonaparte, que conduzido ao poder com o Golpe de 18 de Brumário
(1799), provocou a dissolução do Diretório
e assumiu pessoalmente o governo. |
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*
1787: Revolta dos Notáveis
* 1789: Revolta do Terceiro Estado; 14 de Julho: Tomada
da Bastilha; 26 de Agosto: Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão.
* 1790: Confisco dos bens do Clero.
* 1791: Constituição que estabeleceu a Monarquia
Constitucional.
* 1791: Tentativa de fuga e prisão do rei Luís
XVI.
* 1792: Invasão da França pela Áustria
e Prússia.
* 1793: Oficialização da República
e morte do Rei Luís XVI; 2ª Constituição.
* 1793: Terror contra os inimigos da revolução.
* 1794: Deposição de Robespierre.
* 1795: Regime do Diretório — 3ª Constituição.
* 1799: Golpe do 18 Brumário (9 de Novembro) de
Napoleão.
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REAÇÕES
E COMENTÁRIOS NO ESTRANGEIRO |
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Reino
Unido
Entre
os britânicos que acolheram (inicialmente) a Revolução
Francesa como um acontecimento positivo conta-se Dugald
Stewart. Stewart seguiu os acontecimentos em Paris nesse
verão dramático de 1789. Ele acreditava nos
princípios pelos quais a revolução
se batia. Sentiu-se repelido quando leu os comentários
de Edmund Burke no seu "Reflections on the Revolution
in France". Burke previa que a Revolução
Francesa acabaria na perdição, terror, morte
e ditadura. Um aluno de Stewart, James Mackintosh, escreveu
em resposta uma apaixonada defesa da causa francesa. Nos
anos seguintes, Stewart defendeu ainda a Revolução,
apesar de o terror e o caos serem evidentes. Em Novembro
de 1791, Dugald Stewart escreve a um amigo: "As pequenas
desordens que podem ocorrer num país onde as coisas
em geral correm tão bem são de menor importância".
Já
no ano seguinte ver-se-ia que Burke tinha razão.
Edmund Burke faleceu em 1797, convicto de que a Revolução
Francesa acabaria por terminar na ditadura. Napoleão
veio dar-lhe razão. Burke ganhou na sociedade britânica
uma reputação de um homem clarividente e perspicaz.
Em
forte contraste, Dugald Stewart perdeu o respeito do seus
concidadãos e foi ostracizado em Edimburgo, onde
vivia. James Mackintosh pediu desculpas publicamente por
criticar Burke e tornou-se um forte crítico do regime
francês e das revoluções em geral. |
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| O CASTELO
ANIMADO é tão maravilhoso quanto A VIAGEM DE CHIHIRO. |
Mais um grande
sucesso em animação da parceria Disney/Pixar. |
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