O
Tratado dos Pirinéus foi assinado
em 1659 entre a França e a Espanha no âmbito
da guerra
dos trinta anos.
Quando
após a morte de Luís XIII de França,
o cardeal Júlio Mazarino foi chamado pela rainha
viúva às funções de ministro,
para o lugar de Richelieu, a Guerra da Restauração
em Portugal limitava-se a pequenas escaramuças
de fronteira, a que a batalha do Montijo, ganha por Matias
de Albuquerque, veio dar novo movimento. Com a subida
de Maraino este queria acabar com a guerra entre a Espanha
e a França, e aquela impunha como condição
o abandono do auxílio que Portugal recebia indirectamente
de França, em voluntários. De resto, não
tendo havido qualquer batalha decisiva, logo que as tropas
espanholas se voltassem contra Portugal, o assunto ficaria
resolvido.
A
vitória portuguesa em Linhas de Elvas animou D.
Luísa de Gusmão a enviar o conde de Soure
a França para pedir auxílio, embora à
custa da coroa portuguesa, e, ao mesmo tempo, solicitar
a formação da Liga Formal, porque tanto
se empenhara D. João IV. Quando o embaixador chegou
teve conhecimento das conversações com a
Espanha e procurou mesmo assim avistar-se com o cardeal,
mostrando-lhe como Portugal não deveria ser excluído
do tratado de paz, apoiado pelo marechal Turenne. De nada
valeram as promessas de D. Luísa de conceder-lhe
o arcebispado de Évora e seus rendimentos e ainda
a oferta de um milhão de cruzados.
Na
ilha dos Faisões, no rio Bidassoa, começaram
os preliminares do tratado de paz, representado o rei
de Espanha por D. Luís de Haro, o vencido das Linhas
de Elvas, sendo o tratado assinado e ficando Portugal
excluído por se considerar que teria de voltaqr
à opbediência de Filipe IV de Espanha.
Pelo
artigo LX, o rei de Espanha declara consentir a reposição
das relações com a França, com a
finalidade de evitar a continuação da guerra.
Luís XIV concordaria que se lhe fossem concedidos
3 meses para poder mandar a Portugal um emissário
que iria acertar as relações com o monarca
e, no caso das suas diligências não darem
resultado, comprometia-se o rei de França a não
dar auxílio a Portugal directa ou indirectamente,
não permitindo o recrutamento de voluntários
nos seus estados, nem a consentir a passagem dos que pudessem
vir de outros países em socorro de Portugal.
Mazarino,
em cumprimento do tratado, enviou a Lisboa o marquês
de Chouppes, a fim de obter que Portugal se reduzisse
ao estado do ano 40, não tendo conseguido absolutamente
nada, apesar dos seus esforços em convencer a rainha
regente a aceitar as propostas da Espanha com o engodo
de os duques de Bragança passarem a desempenhar
as funções de Governadores e vice-reis perpétuos
de Portugal, sob a fiança de Luís XIV.