A
Ordem dos Hospitalários (ou Ordem
de São João de Jerusalém) é
uma tradição que começou como uma
Ordem Beneditina fundada no século XI na Terra
Santa, mas que rapidamente se tornaria uma Ordem militar
cristã uma congregação de regra própria,
encarregada de assistir e proteger os peregrinos àquela
terra. Face às derrotas e consequente perda desse
território, a Ordem passou a operar a partir da
ilha de Rodes, onde era soberana, e mais tarde desde Malta,
como estado vassalo do Reino da Sicília. Poder-se-á
afirmar que a extinção desta ordem se deu
com a sua expulsão de Malta por Napoleão.
Cerca de 1099, alguns mercadores de Amalfi fundaram
em Jerusalém, sob a regra de S. Bento e com a indicação
de Santa Maria Latina, uma casa religiosa para recolha
de peregrinos. Anos mais tarde construíram junto
dela um hospital que recebeu, de Godofredo de Bulhão,
doações que lhe asseguraram a existência,
desligou-se da igreja de Santa Maria e passou-se a formar
congregação especial, sob o nome de S. João
Baptista.
Em
1113 nomeou-a o Papa congregação, sob o
título de S. João, e deu-lhe regra própria.
Em 1120 o francês Raimundo de Puy, nomeado grão-mestre,
acrescentou ao cuidado com os doentes o serviço
militar.
Assim
é a origem da Ordem dos Hospitalários ou
de S. João de Jerusalém, designada por Ordem
de Malta a partir de 1530, quando se estabeleceram na
ilha do mesmo nome.
Queda
de Malta
A
possessão mediterrânica de Malta foi capturada
por Napoleão em 1798 durante a sua expedição
para o Egipto. Este teria pedido aos cavaleiros um porto-salvo
para reabastecer os seus navios e, uma vez em segurança
em Valetta, virou-se contra os anfitriões. O Grão-Metre
Ferdinand von Hompesch, apanhado de surpresa, não
soube antecipar ou precaver-se deste ataque, rapidamente
capitulando para Napoleão. Este sucedido foi representou
uma afronta para os restantes cavaleiros que se predispunham
a defender a sua possessão e soberania.
A
Ordem continuou a existir, compactuando com os governos
por uma retoma de poder. O Imperador da Rússia
doou-lhes o maior abrigo de Cavaleiros Hospitalários
em São Petersburgo, o que marcou o início
da Tradição russa dos Cavaleiros do Hospital
e posterior reconhecimento pelas Ordens Imperiais Russas.
Em agradecimento, os Cavaleiros deposeram Ferdinand von
Hompesch e elegeram o Imperador Paulo I como Grão-Mestre
que, após o seu assassinato em 1801, seria sucedido
por Giovanni Battista Tommasi em Roma, restaurando o Catolicismo
Romano na Ordem.
No
início da década de 1800, a Ordem encontrava-se
severamente enfraquecida pela perda de Priores em toda
a Europa. Apenas 10% dos lucros chegavam das fontes tradicionais
na Europa, sendo os restantes 90% provindos do Priorado
Russo até 1810, facto cuja responsabilidade é
parcialmente atribuída pelo governo da Ordem, que
era composta por Tenentes, e não por Grão-Mestres
entre 1805 e 1879, até o Papa Leão XIII
restaurar um Grão-Mestre na Ordem (Giovanni a Santa
Croce. Esta medida representou uma reviravolta no destino
da Ordem, que se tornaria uma organização
humanitária e cerimonial. Em 1834, a Ordem, reactivada,
estabeleceu nova sede em Roma e foi, a partir daí,
designada como Ordem Militar Soberana de Malta.
Presença
em Portugal
Vários
autores remontam a sua existência em terra portuguesa
ao período final do governo de D. Teresa. Segundo
o Dr. Rui de Azevedo, entre 1122 e 1128 a rainha D. Teresa
teria concedido aos freires desta Ordem o mosteiro de
Leça do Balio, sua primeira casa capitular. A carta
de couto e privilégios outorgados à Ordem
do Hospital em 1140 por Dom Afonso Henriques atesta a
importância que já então teria. Em
1194 D. Sancho I doou aos cavaleiros de S. João
do Hospital a terra de Guidintesta, junto ao Tejo, para
aí constuirem um castelo, ao qual o monarca, no
acto de doação pôs o nome de Castelo
de Belver.
D.
Sancho II em 1232 doou-lhe os largos domínios da
terra que, por essa altura, recebeu o nome de Crato, onde
os freires fundaram uma casa que se tornou célebre.
O superior português da Ordem dos Hospitalários
era designado pelo nome de prior do Hospital, e a partir
de D. Afonso IV por prior do Crato.
Não
consta que por esse tempo tivessem os Cavaleiros do Hospital
mosteiro de freiras, embora tivessem fratisas que usavam
hábito e viviam em suas casas. O primeiro mosteiro
de freiras hospitalário foi fundado em Évora,
em 1519, por Isabel Fernandes, e mais tarde transferido
para Estremoz pelo infante D. Luís, quando este
filho de D. Manuel I foi prior do Crato.
Por
alvará de 1778, foram-lhes confirmadas todas as
aquisições de bens de raiz feitas no Reino
e permitiu-se que os cavaleiros sucedessem a seus parentes
por testamento, no usufruto de quaisquer bens que não
fossem da coroa ou vinculados em morgado, revertendo por
morte destes para as casas de onde tinham sido saído.
A ordem foi extinta pelo diploma de 1834 que extinguiu
todos os conventos de religiosos.