O
Reino de Judá limitava-se ao norte
com o Reino de Israel, a oeste com a inquieta região
da Filístia, ao sul com o deserto de Negueve, e
a leste com o Mar Morto e o reino de Moabe. Era uma região
montanhosa, fértil, relativamente protegida de
invasões estrangeiras (o território de Judá
manteve-se basicamente o mesmo durante os mais de 300
anos de sua existência). Sua capital era Jerusalém,
onde encontrava-se o Grande Templo construído por
Salomão para abrigar a Arca da Aliança.
No
princípio, Judá gozava de bons relacionamentos
com os fenícios de Sídom e os egípcios.
Mas logo no início de sua existência, o Reino
de Judá viu cair seu domínio sobre Moabe,
Amom e Filístia, e ao longo dos anos a expansão
egípcia sobre toda a Palestina transformou Judá
em um Estado tributário, fato pouco evidenciado
ao longo do relato bíblico, mas comprovado por
inscrições egípcias. Judá,
por sua posição estratégica às
portas da Península do Sinai, foi utilizada pelo
Egito como um Estado "tampão", um bastião
que defenderia suas próprias terras até
o fim em caso de invasão, o que pouparia o Egito
de usar seus próprios exércitos para defender
esta fronteira.
Entretanto,
o principal adversário político e militar
de Judá foi o próprio Israel, ao norte.
Inúmeras vezes travaram-se batalhas entre as duas
nações, com vitórias pouco significativas
alternando-se em cada lado. O cisma entre Israel e Judá,
ao longo do tempo, tornou-se de cunho religioso. Israel
se tornou fortemente influenciado pela cultura cananéia
e pela religião fenícia, enquanto Judá
permaneceu, de maneira geral, fiel à sua fé
em Yahueh, ou Jeová. O culto a Yahueh foi, de acordo
com o Velho Testamento, a justificativa para a misericórdia
de Deus sobre Judá, ao passo que o politeísmo
de Israel teria sido responsável por sua ira sobre
seus governantes (enquanto Judá permaneceu sob
o comando dos descendentes de Davi, Israel passou por
várias dinastias e golpes de Estado).
Judá
viu o perigo das potências estrangeiras emergentes
quando a capital de Israel, Samaria foi tomada pelo Imperador
assírio Senaqueribe, em 722 a.C.. Em seguida, Senaqueribe
invadiu o norte de Judá, mas seu exército
foi repelido, segundo a Bíblia por obra de Deus,
mas é provável que rebeldes entre os próprios
assírios tenham se levantado após uma campanha
tão longa contra as nações da Palestina.
De qualquer forma, Judá se viu pela primeira vez
ameaçado por forças estrangeiras.
A queda de Judá
Segundo
o Velho Testamento, Manassés, rei de Judá,
teria feito o que é mau aos olhos de Deus, e por
causa de suas obras, todo Judá estava condenado
ao exílio e à escravidão. Em verdade,
ocorreu após o reinado de Ezequias um declínio
na força política, econômica e militar
de Judá, talvez acelerada pelo vácuo deixado
pela queda de Israel (apesar das desavenças, ainda
um importante parceiro comercial) ao norte e sua ocupação
pelos assírios. O declínio do Egito, da
Fenícia e das nações vizinhas também
contribuiu para o isolamento de Judá.
O
Egito, no entanto, empreendeu uma guerra contra Carquemis,
durante o reinado de Josias. O rei de Judá entrou
em batalha contra os egípcios, e foi morto. Seu
filho Joacaz foi levado prisioneiro após 3 meses
de reinado, e Judá foi obrigado a pagar um tributo
anual ao Egito. Além disso, o rei Neco do Egito
impôs a coroação do irmão de
Joacaz, Eliaquim, e mudou-lhe o nome para Jeoaquim.
A
leste, a Assíria sofreu um rápido declínio,
e em poucos anos seu território foi absorvido pela
Babilônia. Nabucodonosor II, rei da Babilônia,
empreendeu uma campanha militar contra Judá. Enfrentando
pouca resistência, conseguiu entrar em Jerusalém,
em 598 a.C., e levou consigo utensílios do Templo
e o próprio rei Jeoaquim como prisioneiro. Em seu
lugar, estabeleceu o filho de Jeoaquim, Joaquim, como
rei de Judá. Joaquim, com 8 anos de idade, teve
o mesmo destino de seu pai 3 meses e 10 dias depois de
sua coroação. Nabucodonosor então
colocou sobre o trono o irmão de Joaquim, Zedequias.
Governando
como um títere da Babilônia, Zedequias manteve-se
no poder por 11 anos, quando então rebelou-se contra
Nabucodonosor, provavelmente ao recusar-se pagar tributo.
Foi o suficiente para que o rei babilônico declarasse
guerra a Judá, invadisse Jerusalém, matasse
seus habitantes, despojasse o Templo de todos os seus
bens de valor e ateasse fogo a ele. O Reino de Judá
já não existia mais.
O
destino de Judá
No
território de Judá permaneceram apenas os
mais pobres. Todo o restante do povo que sobreviveu ao
ataque de Nabucodonosor foi levado às cidades do
reino da Babilônia. O período de cativeiro
na Babilônia fez crescer entre o povo de Judá
um sentimento de identidade racial e religiosa indissolúvel.
O relato bíblico deste período de apenas
70 anos entre a queda de Jerusalém e a conquista
da Babilônia por Ciro II da Pérsia é
onde primeiramente se utiliza de forma consistente o termo
"judeu" para identificar o povo de Judá,
ou aqueles da mesma raça e seguidores da mesma
religião daquele povo. A nação judaica
sobreviveu para retornar à Palestina e repovoar
a província persa de Yehud, mais tarde denominada
pelos romanos como Judéia.
A
história de Judá após exílio
na Babilônia passou a ser a mesma do próprio
povo Judeu, até os dias de hoje.