Já
foi dito que, se o termo "Jornalismo" é
relativamente moderno, a sua história é
muito antiga e se confunde, inevitavelmente, com a da
imprensa, desde quando Johannes Guttenberg aperfeiçoou
a técnica de reprodução de textos
por meio do uso dos tipos móveis.
Desde milênios antes, publicações
tinham sido criadas e distribuídas regularmente
pelos governos. O primeiro jornal regular de que se tem
notícia foi a Acta Diurna, que o imperador Augusto
mandava colocar no Fórum Romano no século
I de nossa era. A publicação, gravada em
tábuas de pedra, havia sido fundada em 59 a.C.
por ordem de Júlio César, trazendo a listagem
de eventos ordenados pelo ditador. Na Roma Antiga e no
Império Romano, a Acta Diurna era afixada nos espaços
públicos, e trazia fatos diversos, notícias
militares, obituários, crônicas esportivas,
entre outros assuntos.
O
primeiro jornal em papel, Notícias Diversas, foi
publicado como um panfleto manuscrito a partir de 713
d.C., em Kaiyuan, em Pequim, na China. Kaiyuan era o nome
dado ao ano em que o jornal foi publicado. Em 1041, também
na China, foi inventado o tipo móvel. O alfabeto
chinês, entretanto, por ser ideográfico e
não fonético, utiliza um número de
caracteres muito maior que o alfabeto latino europeu.
Em
1440, Gutenberg desenvolve a tecnologia da prensa móvel,
utilizando os tipos móveis: caracteres avulsos
gravados em blocos de madeira ou chumbo, que eram rearrumados
numa tábua para formar palavras e frases do texto.
Na
Baixa Idade Média, as folhas escritas com notícias
comerciais e econômicas eram muito comuns nas ruidosas
ruas das cidades burguesas. Em Veneza, as folhas eram
vendidas pelo preço de uma gazeta, moeda local,
de onde surgiu o nome de muitos jornais publicados na
Idade Moderna e na Idade Contemporânea.
A
Imprensa Burguesa Pré-Industrial
A
primeira publicação impressa periódica
regular (semanal), o Nieuwe Tijdinghen, aparece em 1605,
na Antuérpia. Os primeiros periódicos em
alemão são fundados em 1609: o Relation
aller fürnemmen und gedenckwürdigen Historien
(Relação de todas as notícias notáveis
e rejubilantes), em Estrasburgo, e o Avisa Relation oder
Zeitung. Em 1615, surge o Frankfurter Journal, primeiro
periódico jornalístico, também semanal
e em alemão.
Em
1621, surgiu em Londres o primeiro jornal particular de
língua inglesa, The Corante. No ano seguinte, um
pacto entre 12 oficinas de impressão inglesas,
holandesas e alemãs determinou intercâmbio
sistemático de notícias entre elas. No mesmo
ano, Nathaniel Butler fundou também em Londres
o primeiro hebdomadário: o Weekly News, que, a
partir de 1638, seria o primeiro jornal a publicar noticiário
internacional. Foi seguido na França por La Gazette,
de Théophraste Renaudot cujo primeiro número
foi publicado em 30 de maio de 1631, e na Holanda pelo
Courante uyt Italien ende Duytschlandt, em 1632.
O
primeiro jornal em português foi fundado em 1641,
em Portugal: era A Gazeta, de Lisboa.
O
jornal mais antigo do mundo ainda em circulação
foi o sueco Post-och Inrikes Tidningar, que teve início
em 1645. Até então, estas publicações
tinham periodicidade semanal, quinzenal, mensal ou irregular.
Foi só a partir de 1650 que surgiu o primeiro jornal
impresso diário do mundo, o Einkommende Zeitungen
(Notícias Recebidas) fundado na cidade alemã
de Leipzig.
A
primeira revista, em estilo almanaque, foi o Journal des
Savants (Diário dos Sábios), fundado na
França em 1665.
No
Novo Mundo, o primeiro jornal apareceu nas colônias
britânicas da América do Norte (futuros Estados
Unidos), publicado em Boston: o Publick Occurrences, Both
Forreign and Domestick, que no entanto só teve
uma edição. De 1702 a 1735 circulou o primeiro
jornal diário em inglês, o Daily Courant,
de Samuel Buckley, também nas colônias britânicas.
Em 1729, nasceu o Pennsylvania Gazette, de Benjamin Franklin,
primeiro jornal a se manter com renda publicitária.
No mesmo ano eram fundados a Gaceta de Guatemala e Las
Primicias de la Cultura de Quito, primeiros jornais latino-americanos.
O primeiro jornal diário da América foi
a Gaceta de Lima, circulando diariamente a partir de 1743.
Em
1728, é criado o St. Peterburgo Vedomosti, o jornal
mais antigo da Rússia, ainda em circulação.
A
Imprensa Capitalista e a Industrialização
Nos
séculos XVIII e XIX, os líderes políticos
tomaram consciência do grande poder que os jornais
poderiam ter para influenciar a população
e proliferaram os jornais de facções e partidos
políticos. O The Times, de Londres, começa
a circular em 1785, com o nome de The Daily Universal
Register. Seria rebatizado para The Times três anos
depois.
No
século XIX, os empresários descobriram o
potencial comercial do jornalismo como negócio
lucrativo e surgiram as primeiras publicações
parecidas com os diários atuais. Nos Estados Unidos,
Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst criaram grandes
jornais destinados à venda em massa. Em 1833, foi
fundado o New York Sun, primeiro jornal “popular”,
vendido a um centavo de dólar. Já The Guardian,
um dos jornais mais vendidos do Reino Unido até
hoje, surge em 1821.
O
Brasil demora a conhecer a imprensa, por causa da censura
e da proibição de tipografias na colônia,
impostas pela Coroa Portuguesa. Somente em 1808 é
que surgem, quase simultaneamente, os dois primeiros jornais
brasileiros: o Correio Braziliense, editado e impresso
em Londres pelo exilado Hipólito da Costa; e a
Gazeta do Rio de Janeiro, publicação oficial
editada pela Imprensa Régia instalada no Rio de
Janeiro com a transferência da Corte portuguesa.
Acompanhando
a industrialização ocidental, o Japão
ganha seu primeiro jornal em 1871, com o Yokohama Mainichi
Shimbun (Notícias Diárias de Yokohama).
Atualmente, o Japão é o país com
maior índice de circulação per-capita
no mundo.
Surgiram,
ainda no século XIX, empresas dedicadas à
coleta de informações sobre a atualidade
que eram vendidas aos jornais. Estas empresas foram conhecidas
como agências de notícias ou agências
de imprensa. A primeira delas foi fundada em 22 de outobro
de 1835 pelo francês Charles-Louis Havas: a Agence
des Feuilles Politiques, Correspondance Générale,
que viria a se tornar a atual Agence France-Presse.
Em
1848, jornais de Nova York se juntam para formar a agência
Associated Press, durante a guerra dos EUA contra o México.
O principal motivo da associação, na época,
era contenção de custos entre os periódicos.
Em
1851, o alemão Julius Reuter funda a agência
Reuters. No mesmo ano, é fundado The New York Times,
o principal jornal de Nova York e até hoje um dos
mais importantes nos EUA e no mundo.
A
United Press International é criada em 1892. A
agência alemã Transocean é fundada
em 1915 para cobrir a I Guerra Mundial na Europa, com
a visão da Tríplice Aliança. Em 1949,
três agências alemãs se unem para formar
a Deutsche Presse-Agentur (DPA).
Novas
Tecnologias de Comunicação
O
início da Guerra Civil Americana dos EUA, em 1861,
é um marco para a imprensa, pelas inovações
técnicas e novas condições de trabalho.
Repórteres e fotógrafos recebem credenciais
para cobrir o conflito. De lá, desenvolvem o lead
para assegurar que a parte principal da notícia
chegará à redação pelo telégrafo.
Os jornais inventam as manchetes, títulos em letras
grandes na primeira página, para destacar as novidades
da guerra.
O
primeiro jornal a enviar correspondentes para dois lados
de uma guerra foi o The Guardian, de Manchester, na Guerra
Franco-Prussiana, em 1871.
Em
1844, a invenção do telégrafo por
Samuel Morse revoluciona a transmissão de informações,
e permite o envio de notícias a longas distâncias.
Mas o telégrafo só ganharia um aumento exponencial
da sua capacidade a partir da instalação
dos cabos submarinos, na segunda metade do século
XIX, que unem os continentes. O primeiro despacho transatlântico
por telégrafo, por exemplo, foi enviado pela AP
em 1858. A comunicação por telégrafo
liga o Brasil à Europa a partir de 1874; começam
a chegar ao país despachos de agências internacionais.
Também
aparecem novidades nas técnicas de impressão.
A primeira rotativa começa a funcionar em 1847,
nos EUA. No ano seguinte, o Times de Londres cria rotativa
que imprime 10 mil exemplares por hora. O linótipo
foi inventado em 1889, por Otto Merganthaler, revolucionando
as técnicas de composição de página
com o uso de tipos de chumbo fundidos para gerar linhas
inteiras de texto.
A
fotografia começou a ser usada na imprensa diária
em 1880. A Alemanha foi o primeiro país a produzir
revistas ilustradas graficamente com fotografias.
Em
1919, surge o New York Daily News, primeiro jornal em
formato tablóide.
A
primeira transmissão de rádio transatlântica
foi feita em 1903, por Marconi. As primeiras emissoras
de rádio, sugidas na década de 1920, tomaram
grande parte do protagonismo dos jornais no acompanhamento
passo-a-passo dos fatos da atualidade. Ao mesmo tempo,
apareceram os cinejormais, filmetes de atualidades cinematográficas.
O primeiro deles, o Fox Movietone News, surgiu em 1927,
com o uso do som no cinema.
As
primeiras transmissões de televisão foram
feitas nos Estados Unidos nos anos 1930, e já nos
anos 1950 a televisão competia com o rádio
pela possibilidade de transmitir informação
instantaneamente, com o adicional sedutor da imagem. O
videotape foi inventado em 1951, mas só começou
a ser usado em larga escala a partir dos anos 1970.
Jornalismo
na Mídia de Alcance Global
O
final do século XX assistiu a uma revolução
nas tecnologias de comunicação e informação,
levando à formação de uma mídia
como instituição (privada) de alcance global,
tanto para o jornalismo quanto para o entretenimento (cultura
e diversões).
Em
1962, o jornal estadunidense Los Angeles Times utiliza
fitas perfuradas para agilizar a composição
em linotipos. Naquele mesmo ano, entrou no ar o Telsat
I, primeiro satélite de telecomunicações
específico para a mídia. Sete anos depois,
realizou-se a transmissão da chegada da missão
Apolo II, dos EUA, à Lua.
Desde
a segunda metade do século XX, várias empresas
editorais publicam jornais semanais que se assemelham
a revistas, tratando de conteúdo generalista ou
temático. Muitas revistas, então, deixam
de existir. A revista Life deixou de ser publicada em
1972. No Brasil, desaparecem O Cruzeiro e Realidade.
Em
1973, apareceram os primeiros terminais computadorizados
para edição jornalística. A fotocomposição
começava a substituir a linotipia. No jornal Minneapolis
Star, começou a ser testado um sistema que possibilitava
a diagramação eletrônica e o envio
das páginas direto para a impressão, eliminando
o processo de composição manual.
Em
1980, começam as transmissões da rede CNN,
que em pouco mais de 10 anos tornar-se-ia a referência
em jornalismo televisivo internacional. Ela ganha notoriedade
mundial com a cobertura da Guerra do Golfo em 1991.
Os
canais internacionais de TV por assinatura, TV a cabo
e a Internet comercial só chegaram ao Brasil em
1992. Em 11 de setembro de 2001, isso possibilita a transmissão
ao vivo do maior atentado terrorista da História.