A
Ford do Brasil na época detinha o controle acionário
da Willys-Overland do Brasil e desde o final da década
de 60 mantinha a fabricação dos modelos Aero-Willys
2600 e do famoso Itamaraty. Porém no início
da década de 70 esses modelos já se apresentavam
bastante defasados, e a montadora precisava de uma solução
que viesse de encontro a substituição desses
modelos e ao mesmo tempo enfrentasse em condições
de igualdade o concorrente da Chevrolet, o Opala que já
era produzido desde 1968, inspirado no modelo europeu Rekord.
O
Ford Galaxie que já vinha sendo fabricado pela Ford
desde 1967 era demasiadamente luxuoso e caro para preencher
essa lacuna de mercado (na época, o Galaxie já
podia sair de fábrica com direção hidráulica,
ar condicionado e câmbio automático). Era necessário
um carro mais estiloso e de médio para grande porte.
Para
encontrar uma solução, a Ford convocou uma
consulta clínica. Um seleto grupo de 1300 indivíduos
indicaria a próxima tendência de mercado para
a Ford do Brasil. Assim foram oferecidos a esse público
três propostas: o Maverick (que naquele ano já
tinha vendido muitas unidades nos Estados Unidos), o Cortina
(de procedência inglesa) e o Taunus (carro alemão
que era o concorrente direto do Opel Rekord na Europa).
Essa pesquisa indicou o Taunus como carro ideal para o mercado
brasileiro naquele momento.
Diante
do resultado a Ford fez um levantamento de custos necessários
para a fabricação do Taunus no Brasil. A montadora
deveria agir rápido, pois todos os concorrentes preparavam
novos lançamentos para a época, a serem apresentados
no Salão do Automóvel de São Paulo
de 1972 e 1973. A Ford não poderia ficar atrás.
Entretanto os custos para a produção do motor
que atendesse o modelo Taunus e o tempo que levaria para
adequar a fábrica no município de Taubaté
(previsão para 1975) acabaram por descartar o projeto
Taunus. Além disso a suspensão traseira independente
exigiria alto investimento em ferramental.
A
Ford optou por uma solução mais barata, rápida
e fácil... mas que mais tarde traria muita dor de
cabeça! Apesar do Maverick não ter sido o
predileto na consulta de 1971 ele atendia todas as necessidades
da fábrica naquele momento: nesse carro poderia ser
aproveitada integralmente a mesma mecânica dos Itamaraty/Willys,
a suspensão que seria utilizada (molas semi-elípticas)
já estava disponível.
Apesar
do motor Willys ter sido concebido originalmente na década
de 30, esse foi o meio que a Ford encontrou para economizar
em torno de US$ 70 milhões em investimentos para
a produção do Taunus. Esse procedimento (que
chegou mais tarde ao conhecimento público) acabou
manchando a imagem do Ford Maverick antes mesmo do seu lançamento.
Para
adaptar o velho motor 6 cilindros faltava espaço
sob o capô, o que resultou em um redesenho do coletor
de exaustão, o que deixou a junta do cabeçote
em torno do cilindro queimando constantemente. A primeira
modificação no motor 184 (3 litros), como
era conhecido na Engenharia do Produto da Ford, foi o abaixamento
da taxa de compressão para 7,7:1. O Itamaraty era
o topo de linha da Willys, logo necessitava de um motor
mais potente. No Maverick a situação era inversa:
a versão de 6 cilindros seria a "básica"
pois, o carro também seria lançado com o motor
V8 302 importado, como opcional.
As
críticas na imprensa continuaram, o que levou a Ford
a organizar uma pré-apresentação do
Maverick com o motor 184 a cerca de 40 jornalistas. Esse
encontro deu-se no dia 14 de maio de 1973 no prédio
do Centro de Pesquisas da Ford.
No
dia seguinte a tal apresentação o Jornal da
Tarde de São Paulo publicava uma reportagem "O
Primeiro Passeio no Maverick - repórter Luis Carlos
Secco dirigiu o Maverick na pista de teste da Ford, em São
Bernardo do Campo". Os comentários foram que
o carro era silencioso, confortável e ágil.
Dados coletados pelos jornalistas informavam que a Ford
gastou 18 meses, e investiu 3 milhões de cruzeiros
em parte de engenharia, e mais 12 milhões de cruzeiros
em manufatura para modernizar o motor 184 do antigo Itamaraty.
A Ford havia conseguido seu objetivo: ganhar a confiança
da imprensa.
O
Lançamento
O primeiro Maverick nacional normal de produção
deixou a linha de montagem em 4 de junho de 1973. O público
já começava a interessar-se pelo modelo desde
o Salão do Automóvel de São Paulo de
1972, quando o carro foi apresentado. O que seguiu foi uma
das maiores campanhas de marketing da indústria automobilística
nacional, contando inclusive com filmagens nos Andes e na
Bolívia.
A
apresentação oficial a imprensa ocorreu no
dia 20 de junho de 1973, no Rio de Janeiro. Como parte da
campanha de publicidade do novo carro, o primeiro exemplar
foi sorteado. No Autódromo Internacional do Rio de
Janeiro, em Jacarepaguá, foi realizado um test drive,
onde os jornalistas convidados puderam dirigir nove Mavericks,
seis deles com motor de 6 cilindros e três com o V8
302.
O
carro apresentava inicialmente três versões:
Super (modelo standard), Super Luxo (SL) e o GT . Os Super
e Super Luxo apresentavam-se tanto na opção
sedã (quatro portas) como coupê (duas portas),
sendo sua motorização seis cilindros em linha.
Já o Maverick GT era o top de linha, com produção
limitada, e equipado com motor de 8 cilindros em V, potência
de 195 HP, e 4.950 cm3 de cilindrada . |