Automóvel
fabricado pela italiana FIAT, foi apresentado pela primeira
vez no Cabo Canaveral, Flórida, palco escolhido para
apresentar à imprensa em 20 de janeiro de 1983 seu
primeiro carro mundial, idealizado para substituir o 127.
Necessário
diante o envelhecimento de seu antecessor, lançado
em 1971, o Uno chegava para combater a invasão japonesa
em seu segmento de carros pequenos. O projeto começou
no final dos anos 70 com dois estudos, o 143 desenhado pela
equipe de Pier Giorgio Tronville, do Centro Stile Fiat e
o 144 pela Italdesign de Giorgio Giugiaro.
Era um carrinho de conceito simples e moderno, com motor
transversal, tração dianteira e suspensão
McPherson com mola helicoidal à frente. Na traseira
era usado eixo de torção, também com
mola helicoidal. Eleito Carro do Ano na Europa no mesmo
ano, logo ganhou novas versões. Já em maio
vinha o motor a diesel de 1,3 litro e 45 cv; em outubro
era apresentada a versão conceitual Uno-matic 70,
com transmissão de variação contínua
(CVT), que se tornaria disponível apenas em 1987
no Uno Selecta.
Em
abril de 1985 nascia o Uno Turbo i.e., em que o motor de
1.299 cm3 (mais tarde 1.301 cm3) recebia turbocompressor
e injeção eletrônica, gerando 105 cv.
Foi oferecido com painel digital e freios a disco nas quatro
rodas. Em junho aparecia o motor Fire, de produção
totalmente automatizada, com 999 cm3 e 45 cv -- um parente
do que agora temos aqui. No ano seguinte era lançado
o Uno 70 Turbodiesel, com motor de 1.367 cm3 e acabamento
externo similar ao do Turbo i.e. O diesel de aspiração
natural era oferecido com 1.697 cm3 e 58 cv.
Em
1987 o Turbo i.e. ganhava catalisador e, um ano depois,
freios com sistema antitravamento (ABS). Surgiu também
um 75 i.e., com 1.498 cm3, injeção e 75 cv.
Em setembro de 1989 o Uno recebia ampla reestilização,
com um capô em cunha acentuada, faróis de perfil
mais baixo, tampa traseira mais saliente e arredondada e
novas lanternas. O Cx baixava para 0,30 e o interior trazia
painel mais moderno e ganhos em acabamento e qualidade de
construção.
Os
motores agora eram o antigo 903, os Fires de 999 e 1.108
cm3 (este de 56 cv), um 1.372 de 71 cv e o conhecido 1.498.
O Turbo i.e. passava a 1.372 cm3 e 118 cv e os diesels permaneciam,
com a adição de um de aspiração
natural de 1.929 cm3 e 60 cv no ano seguinte. Esse Uno teve
numerosas versões e séries especiais, como
Suite (com bancos de couro e ar-condicionado), Hobby, Rap,
Rap Up, Formula, Estivale, Cosy, Seaside, Targa e Brio.
O mais rápido era o Turbo i.e. Racing, de 1992, com
teto solar, bancos ajustáveis em altura, pneus 175/60
e aceleração de 0 a 100 km/h em 8,4 s.
A
produção italiana do Uno foi encerrada em
1995, dois anos após o lançamento do Punto,
com um total de 6.032.911 unidades fabricadas. Mas permanecia
na Polônia, com motores de 999 cm3 (45 cv), 1.372
cm3 (69 cv) e diesel de 1.697 cm3, que se somaram em 2000
ao de 899 cm3 e apenas 39 cv. Também continuavam
em produção o três-volumes Duna (Prêmio)
na Argentina, com motor 1.297 de 72 cv, e o Uno no Brasil.
No
Brasil
A
produção no Brasil inicia em agosto de 1984,
na fábrica de Betim em Minas Gerais, 8 anos após
o 147. De início apenas com três portas, mantinha
as linhas do modelo italiano, mas com uma importante diferença:
o capô envolvia parte dos pára-lamas, o que
permitia a acomodação do estepe no compartimento
do motor como no 147, de maneira a ampliar o porta-malas
e evitar o incômodo de ter de descarregá-lo.
Por
conta da localização do estepe, a entrada
de ar para a cabine precisou ser deslocada do centro, como
no original italiano, para a direita, em zona de menor pressão
aerodinâmica. Assim, aeração interna
acabou não sendo o forte da versão brasileira,
devido à menor captação de ar.
Mesmo
assim o Uno representava enorme evolução sobre
o retilíneo 147, a começar pela redução
do Cx de 0,50 para apenas 0,36 -- pior que na Europa, pois
o nosso era 15 mm mais alto --, passando pelo conforto de
rodagem, segurança ativa e passiva, visibilidade
e posição de dirigir, em que o volante assumia
posição mais "normal", menos horizontal.
No entanto foi, de início, rejeitado por muitos,
que lhe atribuíram o apelido de "botinha ortopédica"
em função do formato da carroceria bem diferente
do que existia até então.
Outras
alterações do projeto original, de ordem mecânica,
previam melhor adaptação do carro às
condições nacionais de rodagem, além
do aproveitamento de componentes do 147. Deste vinham os
motores de 1.048 cm3 a gasolina (52 cv, 7,8 m.kgf), para
a versão S, e de 1.297 cm3 a gasolina (58,2 cv, 10
m.kgf) e a álcool (59,7 cv, 10 m.kgf), para as versões
S e CS. Com desempenho razoável (velocidade máxima
entre 140 e 150 km/h), tinham na economia de combustível
seu destaque.
Nosso
Uno também herdava de seu antecessor a suspensão
traseira independente McPherson, com feixe de molas transversal
atendendo os dois lados da suspensão. A Fiat dizia
ter constatado em testes que os amortecedores do italiano
não duravam mais que 5.000 km sob uso intensivo,
optando por trocar toda a suspensão. E foi ela a
responsável pela mudança no capô que
permitiu o estepe no compartimento do motor: não
havia espaço para a roda-reserva e sua caixa sob
o porta-malas, como entre os braços do eixo de torção
do italiano.
Se
com a nova suspensão o Uno ganhava em robustez, por
outro lado perdia em conforto de marcha e continuava, como
no 147, a exigir alinhamento periódico das rodas
traseiras, sob pena de desgaste prematuro dos pneus e prejuízo
à estabilidade. Outra característica desta
suspensão era a tendência de tornar a cambagem
mais negativa (rodas mais afastadas no ponto de contato
com o solo) à medida em que o feixe de molas cedia,
por acréscimo de carga ou tempo de uso. Tudo isso
seria abandonado no Palio, que passaria ao eixo de torção
como no Uno italiano.
A
produção do Uno trazia um avanço em
relação à do 147. Em vez de 470 operações
de prensa para construir a carroceria monobloco, agora eram
apenas 270, redução expressiva que significava
também menos soldas, aumentando a resistência
do conjunto. |