Seja
um pequeno Cessna 140 ou um gigantesco Airbus A380, qualquer
avião possui algumas características em comum:
Partes
fixas
* A presença de asa(s): o que parece ser um par de
asas é, na verdade, uma estrutura única rigidamente
conectada com a fuselagem da aeronave. Os aviões
podem ser monoplanos (uma asa), biplanos (duas asas) ou
triplanos (três asas). A maioria dos aviões
são monoplanos. A asa é também onde
geralmente se armazena o combustível necessário
para o empuxo da aeronave. Não se deve confundir
a asa com o aerofólio.
* A presença de uma fuselagem (ou corpo principal):
em aeronaves menores, o combustível necessário
para o empuxo da aeronave é estocado na parte traseira
do seu corpo principal.
* Um motor (propulsor) que serve para o empuxo da aeronave
tanto no solo quanto no ar. Pode ser uma turbina ou um turbo-hélice.
Os propulsores podem estar localizados sob ou sobre as asas
e/ou na parte traseira ou frontal da fuselagem.
Partes móveis
* Os ailerons estão localizados na asa da aeronave.
Atuam sempre ao mesmo tempo,mas em direcção
inversa, para inclinar o avião em seu eixo longitudional,
para que assim, o avião possa se girar em seu eixo
longitudional.
* Leme: que se situa, na maioria dos aviões, na parte
traseira da aeronave, também conhecida como cauda,
é uma parte móvel da aeronave que serve, juntamente
com os ailerons, para controlar a direção
da aeronave.
* Os elevadores, também conhecido como estabilizador
horinzontal, estão localizados em uma estrutura que
parece um par de asas traseiras, mas que, na verdade, possui
a função oposta à das asas. Esta estrutura,
o aerofólio, serve como um contra-balanço
da aeronave, dando equilíbrio à aeronave em
vôo.
* Os profundores, localizados no aerofólio, permitem
que o avião gire em seu eixo lateral, e assim, possa
subir ou descer.
* Um trem de pouso ou trem de aterrissagem (trem de aterragem,
em Portugal) que permite que o avião transite em
solo.
* Os flaps, que mudam o perfil da asa do avião, ajudando
na sustentabilidade e no controle da velocidade da aeronave
no ar, ambas em operações de baixa velocidade
- especialmente importantes nas operações
de pouso e decolagem.
Sustentação
Um avião alça vôo devido a reações
aerodinâmicas que acontecem quando ar passa em alta
velocidade pela asa. Quando o ar passa pela asa, é
forçado a passar ou por baixo ou por cima desta.
O comprimento da asa é maior na parte superior e,
segundo as leis da aerodinâmica, o fluxo de ar torna-se
mais rápido, para compensar a maior distância
a ser tomada. Isto diminui sensivelmente a pressão
do ar sobre a asa; a diferença de pressão
sob e sobre as asas cria a sustentação necessária
para o vôo.
Também
atuam na sustentação, em muito menor escala,
as leis da inércia, formuladas por Isaac Newton:
uma força atuando em uma dada direção
e em um dado corpo tende a ser balanceado por outra força
com mesma intensidade, e de direção oposta.
Como as asas dos aviões tendem a fazer curva para
baixo, é criado um fluxo de ar nesse sentido e, como
conseqüência, o avião recebe um empuxo
de mesma força no sentido oposto: para cima.
Os
aviões necessitam de uma velocidade elevada para
que a diferença entre a pressão do ar sob
e sobre a asa seja suficiente para a sustentação
da aeronave. Devido a essas altas velocidades, um avião
precisa percorrer uma certa distância em solo, antes
de alcançar a velocidade suficiente para a decolagem,
o que justifica a necessidade de um terreno longo e plano
para a atingir. Para aeronaves maiores e mais pesadas, maior
terá de ser o comprimento da pista e a velocidade
necessária para a decolagem, dado o maior esforço
necessário.
Tipos de aviões
Aviões turbo-hélices
Os
aviões turbo-hélices fazem uso de motores
de combustão, que por sua vez, fazem girar uma hélice,
que cria o empuxo necessário para a movimentação
da aeronave para frente. São relativamente silenciosos,
mas possuem velocidades, capacidade de carga e alcance menores
do que os similares a jato. Porém, são sensivelmente
mais baratos e econômicos do que os aviões
a jato, o que os torna a melhor opção para
pessoas que desejem possuir um avião próprio
ou para pequenas companhias de transporte de passageiros
e/ou carga.
Aviões
a jato
Aviões
a jato fazem uso de turbinas para a criação
da força necessária para a movimentação
da aeronave para frente. Aviões a jato possuem muito
mais força e criam um empuxo muito maior do que aviões
que fazem uso de turbo-hélices. Como conseqüência,
podem carregar muito mais peso e possuem maior velocidade
do que turbo-hélices. Um porém é a
grande quantidade de som criada por uma turbina; isto torna
aviões a jato uma fonte de poluição
sonora.
Grandes
widebodies ("corpos largos"), como o Airbus A340
e o Boeing 777, podem carregar centenas de passageiros e
várias toneladas de carga, podendo pecorrer uma distância
de até 13 mil quilómetros - pouco mais que
um quarto da circunferência terrestre.
Aviões
a jato possuem altas velocidades de cruzeiro (700 a 900
km/h) e velocidades de decolagem e pouso (150 a 250 km/h).
Numa
operação de aterrisagem, devido à alta
velocidade, o avião a jato faz grande uso dos flaps
para permitir uma aproximação em velocidade
mais baixa (pois estes aumentam a superfície das
asas e consequentemente a sustentação), e
do reverso (a turbina gera um fluxo de ar para frente, e
não para trás), com o intuito de diminuir
a velocidade da aeronave após tocar o solo
Aviões super-sónicos
Aviões super-sónicos, como o Concorde e caças
militares, fazem uso de turbinas especiais, que geram a
maior potência necessária para o vôo
mais rápido que a velocidade do som. Além
disso, o desenho do avião super-sônico apresenta
certas diferenças com o desenho em aviões
sub-sônicos, tudo de modo a superar do modo mais fácil
possível a barreira do som.
O
vôo em velocidade super-sônica cria muito mais
poluição sonora do que o vôo em velocidades
sub-sónicas. Isto limita os vôos super-sónicos
a áreas de baixíssima ou nenhuma densidade
populacional. Quando passam em uma área de maior
densidade populacional, os aviões super-sónicos
são obrigados a voar em velocidade sub-sónica.
História
O sonho de voar remonta, para o Homem, desde a pré-história.
Muitas lendas, crenças e mitos da antiguidade envolvem
ou possuem fatos relacionados com o vôo, como a lenda
grega de Ícaro. Leonardo da Vinci, entre outros inventores
visionários, desenhou um avião, no século
XV. Com o primeiro vôo feito pelo homem (François
Pilatre de Rozier e François d'Arlandes) numa aeronave
mais leve que o ar, um balão, o maior desafio tornou-se
a criação de uma máquina mais pesada
do que o ar, capaz de alçar vôo por meios próprios.
Anos
de pesquisas por muitas pessoas ávidas do tão
sonhado vôo produziram resultados fracos e lentos,
mas contínuos. Em 28 de agosto de 1883, John J. Montgomery
tornou-se a primeira pessoa a fazer um vôo controlado
em uma máquinam mais pesada do que o ar, em um planador.
Outros aviadores que fizeram vôos semelhantes naquela
época foram Otto Lilienthal, Percy Pilcher e Octave
Chanute.
No
começo do século XX, o primeiro vôo
numa máquina mais pesada do que o ar, capaz de gerar
a potência e sustentação necessária
por si mesmo, foi realizada. Porém, isto é
um fato polêmico, em que um de dois aviadores são
creditados: o brasileiro Alberto Santos Dumont ou os irmãos
americanos Wilbur e Orville Wright
Os irmãos Wright são creditados como os responsáveis
pelo primeiro vôo num avião, na maior parte
do mundo, incluindo os Estados Unidos. O primeiro vôo
dos irmãos foi realizado em 17 de dezembro de 1903,
em Kitty Hawk. Críticos dos irmãos afirmam
que este vôo não teve testemunhas credíveis
(4 salva vidas e um garoto), dado o isolamento com que haviam
sido feitos os testes. Outro fato mencionado é o
uso de uma catapulta, para a decolagem da aeronave criada
pelos irmãos, o Flyer. Porém, outros especialistas
alegam que o importante em um avião é a capacidade
de vôo, e que o uso da catapulta não é
importante - alegando que caças militares em porta-aviões
também fazem uso de catapultas, e mesmo assim, não
deixam de ser aviões por causa disso. O que se ignora
é o fato de que estes últimos se mantêm
voando após catapultados, enquanto que o aparelho
dos irmão Wright caiu após poucos segundos.
Vários
especialistas dão a Alberto Santos Dumont o crédito
de ter sido a primeira pessoa a realizar um vôo numa
aeronave mais pesada do que o ar por meios próprios,
dado que o Kitty Hawk dos irmãos Wright só
deixou de necessitar definitivamente do uso da catapulta
em 1908. O vôo de Santos Dumont foi realizado no 14-Bis,
em Paris, França. O vôo não somente
foi bem testemunhado por locais e pela imprensa, como foi
verificado por vários aviadores e autoridades. Porém,
Santos Dumont é creditado como a primeira pessoa
a realizar um vôo em um avião apenas no Brasil,
e, em menor escala, na França e em Portugal, sendo
isto matéria de debate até hoje.
Guerras na Europa, em especial, a Primeira Guerra Mundial,
serviram como palco de testes para o uso do avião
como armamento. Primeiramente visto por generais e comandantes
como um "brinquedo", o avião provou ser
uma máquina de guerra capaz de causar sérios
estragos nas linhas inimigas. Na primeira guerra, grandes
ases surgiram, dos quais o maior foi o alemão Barão
Vermelho. Do lado aliado, o ás com a maior quantidade
de aeronaves abatidas foi René Fonck, da França.
Após
a primeira guerra mundial, os aviões passaram por
inúmeros avanços tecnológicos. Charles
Lindbergh tornou-se a primeira pessoa a cruzar o Oceano
Atlântico num vôo solo sem escalas, em 20 de
maio de 1927. Os primeiros vôos comerciais foram realizados
entre os Estados Unidos e o Canadá, em 1919. A turbina
a jato estava em desenvolvimento na década de 1930,
sendo que aviões a jato militares já estavam
operando nos anos 40.
Os
aviões desempenharam um papel fundamental na Segunda
Guerra Mundial, tendo presença, seja majoritária
ou minoritária, em todas as batalhas mais importantes
e conhecidas da guerra, especialmente no Ataque a Pearl
Harbor, nas batalhas do Pacífico e no Dia D. Também
constituíam parte essencial de várias das
novas estratégias militares da época, como
a Blitzkrieg alemã ou os porta-aviões americanos
e japoneses.
Em outubro de 1947, o americano Chuck Yeager, no seu Bell
X-1, foi a primeira pessoa a ultrapassar a barreira do som.
O recorde mundial de velocidade para um avião de
asa fixa tripulada é de 7 297 km/h, Mach 6,1, da
aeronave X-15.
Aviões,
tanto militares quanto civis, continuaram a alimentar Berlim
Ocidental com suprimentos, em 1948, quando o acesso a suprimentos
via ferrovias e estradas à cidade, completamente
cercada pela Alemanha Oriental, foi bloqueado, por ordem
da União Soviética.
O
primeiro jato comercial, o De Havilland Comet, foi introduzido
em 1952, e o primeiro jato comercial de sucesso, o Boeing
707, ainda nos anos 50. O Boeing 707 iria desenvolver-se
depois no Boeing 737, a linha de aviões de passageiros
mais usada do mundo, no Boeing 727, outro avião de
passageiros bastante usado, e no Boeing 747, o maior avião
comercial do mundo até 2005, quando foi superado
pelo Airbus A380. |
Pequenos
aviões, para um ou no máximo dois passageiros,
podem ser construídos em casa, por aviadores que
possuem muito conhecimento técnico na área
de física e aerodinâmica. Outros aviadores
com menos conhecimentos fazem seus aviões usando
kits de pequenas aeronaves, com peças pré-fabricadas,
e montando a aeronave em casa.
Aviões
produzidos desta maneira, porém, são uma minoria.
Dada a sua delicadeza, aviões que são construídos
por companhias construtoras de aviões com o objectivo
de os comercializar em quantidade para outros clientes precisam
passar por um processo minucioso e demorado de planejamento,
por motivos de segurança impostos pelo órgão
de aviação ou de transportes do país
à companhia construtora. Isto pode durar até
4 anos, em pequenos turbo-hélices, a 12 anos, em
aviões com o porte do A380. A Federal Aviation Administration,
por exemplo, exige que a asa fixada à fuselagem consiga
gerar 6 vezes mais força de sustentação
em relação ao seu peso (força exercida
pela força de gravidade na aeronave).
Neste
processo, estabelecem-se em primeiro lugar os objetivos
da aeronave. Uma vez completos, a empresa construtora usa
um grande número de desenhos e equações,
tudo calculado em teoria, estimando o comportamento da aeronave.
Os computadores são atualmente muito utilizados por
companhias construtoras de aviões como um meio de
desenho e planejamento do avião. Pequenos protótipos,
ou certas partes do avião são, então,
testados em túneis de vento, para verificar a aerodinâmica
da aeronave.
Quando
o avião é aprovado neste processo, constrói-se
um número limitado destes aviões, para a sua
testagem como um todo no solo. Atenção especial
é dada aos motores (ou turbinas) e às asas.
Depois
de aprovado, pelo processo acima indicado, a companhia construtora
é autorizada por um órgão competente
de aviação ou transportes em geral a fazer
um primeiro vôo. Quando o comportamento da aeronave
não apresenta suspeitas de falhas, os vôos-teste
continuam até que o avião tenha cumprido todos
os requisitos necessários. Então, o órgão
público competente de aviação ou transportes
do país autoriza a companhia a produção
em massa da aeronave.
Nos
Estados Unidos, este órgão é a Federal
Aviation Administration (FAA), e na União Européia,
a Joint Aviation Authorities (JAA). Estes dois são
as companhias de regulamentação de aeronaves
mais importantes do mundo. No Canadá, o órgão
público encarregado de regulamentar e autorizar a
produção em massa de aeronaves é o
Departamento de Transportes do Canadá.
No
caso do comércio internacional de aviões,
uma licença do órgão público
de aviação ou transportes do país onde
a aeronave está a ser comercializada também
é necessária. Por exemplo, aeronaves da Airbus
precisam ser certificadas pela FAA para serem vendidas nos
Estados Unidos e vice-versa, aeronaves da Boeing precisam
ser aprovadas pela JAA para serem comercializadas na União
Européia.
Produção
industrializada
São
relativamente poucas as companhias que produzem aviões
em larga escala. Porém, a produção
de um avião por uma dada companhia é um processo
que envolve outras dezenas, ou talvez centenas, de outras
empresas e fábricas, que produzem partes determinadas
aeronave. Por exemplo, uma empresa pode ser responsável
pela produção do trem de pouso, enquanto outra
é responsável pelo radar. A produção
de tais peças não se limita a apenas algumas
cidades de um dado país; no caso de grandes companhias
de manufaturação de aeronaves, tais peças
podem vir de diversas partes do mundo.
Uma
vez fabricadas, as peças são enviadas para
a fábrica principal da companhia aérea, onde
está localizada a linha de produção.
As diferentes peças juntam-se umas às outras,
no final, produzindo a aeronave. No caso de grandes aviões,
podem existir linhas de produção dedicadas
especialmente à montagem de certas partes de grande
porte da aeronave, como as asas e a fuselagem.
Quando
pronto, um avião passa por uma rigorosa inspecção,
em busca de falhas e defeitos, e sendo aprovada nesta inspecção,
o avião é testado por um piloto, em um vôo-teste,
de forma a assegurar que os controles da aeronave estão
em ordem. Com este teste final, o avião está
pronto para receber os "retoques finais" (configuração
interna, pintura, etc), e pronto a ser enviado aos seus
clientes.
Segurança
Estatísticas
mostram que o risco de um acidente aéreo é
muito pequeno. É mais provável sofrer um acidente
indo até ao aeroporto de carro do que durante o vôo.
Por que, entretando, tantas pessoas demonstram medo só
de entrar num avião? Talvez isso se deva ao fato
de, no caso de um acidente, o risco de mortalidade em acidentes
aéreos ser extremamente alto, no caso deste dado
acidente ocorrer em pleno vôo. Erros mínimos
ou tempo adverso podem causar sérios acidentes, especialmente
nos dois momentos críticos de um vôo, as operações
de pouso e decolagem, dada a delicadeza de tais operações.
A
maioria dos acidentes em aviões ocorre devido a falha
humana, isto é, devido ao erro dos pilotos ou torre
de controle. Em seguida, a falha mecânica é
a maior causa de acidentes aéreos, que também
pode envolver um componente humano (exemplo: negligência
da companhia aérea em realizar a manutenção).
Tempo adverso é a terceira maior causa de acidentes. |