| Um
dirigível é uma aeronave
mais leve do que o ar, que pode ser controlada. Ao contrário
de aeronaves mais pesadas do que o ar, os dirigíveis
sustentam-se através do uso de uma grande cavidade
que é preenchida com um gás menos denso do
que o ar (geralmente, hélio).
Tipos
1. Dirigível rígido (por
exemplo, Zeppelins) possuem a armações rígidas
que contêm múltiplo , cavidades ou balões
de gás não pressurizado para prover a elevação.
Dirigíveis rígidos não dependem de
pressão interna para manter a sua forma.
2. Dirigível não rígido
usam o a quantidade de pressão em excesso ao seu
redor para manter sua forma.
3. Dirigível semi-rígido,
utilizam-se da pressão interna para manter a forma,
mas possuem extendidos, geralmente, mas algumas armações
articuladas em torno do fundo do balçao para distribuir
a suspensão da carga e manter a baixa pressão
do balão.
4. Dirígiveis Metal-clad possuem
características dos dirigíveis rígidos
e não rígidos, utilizando um balão
de metal muito fino e hermético, em vez do balão
de borracha fechado conforme o habitual. Só há
dois tipos de dirigíveis deste tipo, o balão
de alumínio de Schwarz de 1987, e o ZMC-2, construído
na mesma época.
5. Dirigíveis híbridos híbrido
é um termo geral para uma aeronave que combina características
de ser mais pesada que o ar (avião ou helicóptero)
e mais leve que a técnologia aérea. Exemplos
incluem helicópteros/dirigíveis híbridos
pretendidos para aplicações de elevações
de pesadas cargas e dirigíveis dinâmicos pretendidos
para viajar a longas distâncias. Nenhum dirigível
híbrido prático que pudesse transportar pessoas
foi construído até então. Porém,
foram propostos muitos modelos e alguns protótipos
foram construídos.
A evolução da “conquista dos
céus”
A história dos dirigíveis se confunde com
a da aviação. As primeiras experiências
para tentar a conquista dos céus foram com balões
de ar quente.
Um
dos pioneiros foi o padre brasileiro Bartolomeu de Gusmão
que, em 1709, conseguiu fazer um balão de ar quente,
o Passarola, subir aos céus, diante de uma corte
portuguesa abismada.Alguns autores revelam que 5 de agosto
de 1709, o Padre jesuíta Gusmão realizou,
perante a corte portuguesa, no pátio da Casa da Índia,
em Lisboa, a primeira demonstração da Passarola.
O balão pegou fogo sem sair do solo, mas, numa segunda
demonstração, elevou-se a 4 metros de altura.
Tratava-se de um pequeno balão de papel pardo grosso,
cheio de ar quente, produzido pelo "fogo de material
contido numa tijela de barro incrustada na base de um tabuleiro
de madeira encerada". O evento teve como testemunha
inclusive o então cardeal de Lisboa (futuro papa
Inocêncio XIII).
Os
irmãos franceses Jacques e Joseph Montgolfier seriam,
74 anos depois, os primeiros a desbravarem os céus.
Construíram seu balão utilizando o mesmo princípio
de Bartolomeu de Gusmão, sendo o primeiro balão
tripulado de sucesso no ano de 1783. O balão que
possuía 32 m de circunferência e era feito
de linho foi cheio com fumaça de uma fogueira de
palha seca, elevou-se do chão cerca de 300 m, durante
cerca de 10 minutos voando uma distância de aproximadamente
3 quilômetros.
Porém,
tais engenhos satisfaziam apenas parcialmente o desejo de
voar, pois não permitiam o vôo controlado.
As experiências continuaram ao longo do século
19. Alguns pioneiros da aviação procuraram
adaptar motores a vapor (Giffard, 1855) e motores elétricos
movidos a baterias (Renard e Krebs, 1884) para resolver
o problema da dirigibilidade. Tais tentativas mostraram-se
infrutíferas, pois o peso excessivo de tais motores
tornavam os engenhos impraticáveis. Somente o desenvolvimento
dos motores a combustão interna ao final do século
XIX permitiu resolver este problema a contento.
Em
1898, o brasileiro Alberto Santos Dumont mudou-se para a
capital francesa com o propósito de se tornar aeronauta.
Logo que chegou, mandou fazer um pequeno balão esférico,
de seda japonesa - o Brasil, com o qual voou com sucesso.
Depois dessa experiência, resolveu encarar o maior
desafio daquele momento: conferir dirigibilidade ao engenho,
para que não voasse apenas ao sabor do vento. Assim,
em setembro daquele ano, Santos Dumont construiu seu primeiro
dirigível, que chamou de Nº 1. Ele tinha um
motor a explosão (foi o pioneiro ao desenvolver dirigíveis
usando motor à gasolina, mais leve que os motores
a vapor ou eletricidade empregados na época, contrariando
as opiniões da época de que um balão
de hidrogênio não poderia usar um motor assim.)
e possuía um balonete de ar para manter a pressão
interna e o formato de charuto do balão. Com a força
do motor, o novo veículo podia se movimentar contra
o vento. E, através de um sistema de pesos e contrapesos,
mudava de direção. Para evitar que as fagulhas
do motor entrassem em combustão com o hidrogênio,
o Dumont virou o cano de escape para baixo e pendurou-o
bem distante do balão. O seu balão nº
2, de 25 metros de comprimento, era provido de um motor
de 1,5 CV de potência, pesando 30 Kg, o qual girava
uma hélice a 1200 rotações por minuto.
O nº 2 deslocava-se de forma lenta mas controlada na
direção em que o brasileiro lhe apontava!No
dia 19 de outubro de 1901, o cobiçado prêmio
Deutsch, no valor de 50.000 francos, foi conquistado por
Santos Dumont. Instituído pelo magnata do petróleo
Henri Deutsch de La Meurthe, o prêmio Deutsch seria
concedido àquele que, entre 1º de maio de 1900
e 1º de outubro de 1903, circundasse a torre Eiffel
em um tempo máximo de 30 minutos, partindo e retornando
do campo de Saint-Cloud, por seus próprios meios
e sem tocar o solo ao longo do percurso.
O
deputado brasileiro Augusto Severo de Albuquerque Maranhão
em 1902 projetou o balão dirigível PAX, tendo
infelizmente falecido quando aquele explodiu em vôo,
em Paris. O Pax representava uma nova concepção
de dirigível. Até então, os aparelhos
eram compostos de duas partes distintas, unidas por cordas
ou fios de arame: o invólucro contendo o gás
e a barca contendo o motor, local em que viajava o aeronauta.
A separação entre os dois corpos causava um
movimento oscilatório durante o vôo e provocava
considerável perda de velocidade, energia e capacidade
de manobra, além de representar um fator permanente
de acidentes. Severo concebeu seu aparelho como um todo
rígido, fazendo coincidir o eixo de resistência
ao avanço com o eixo de propulsão, instalando
a hélice propulsora na extremidade posterior do eixo
longitudinal que atravessava o envelope contendo o gás,
fazendo com que a barca e o invólucro constituíssem
um mesmo corpo. Dessa maneira, a oscilação
era reduzida, diminuindo as perdas de velocidade, capacidade
de manobra e superando uma das causas de freqüentes
acidentes.
O
conde alemão Ferdinand von Zeppelin gastou sua fortuna
na criação de dirigíveis com estrutura
rígida para transporte de passageiros. Em 2 de julho
de 1900, fez o vôo inaugural do LZ-1, às margens
do lago Constança, no sudoeste da Alemanha. Já
estava na bancarrota quando, em 1908, ganhou fama com o
LZ-4, ao cruzar os Alpes, numa viagem de 12 horas, sem escalas.
Daí por diante, Zeppelin pôde contar com o
dinheiro do governo alemão em suas façanhas
e seus dirigíveis se transformaram em orgulho nacional.
Zeppelin instituiu a primeira companhia aérea, a
alemã Companhia Zeppelin (Delag), em 1909, com uma
frota de cinco dirigíveis. Até 1914, quando
iniciou a Primeira Grande Guerra, foram mais de 150 mil
quilômetros voados, 1.600 vôos e 37,3 mil passageiros
transportados. Durante o conflito mundial, ao lado dos nascentes
aviões, os dirigíveis alemães foram
utilizados para bombardear Paris. Ao longo de sua vida,
Zepellin construiu mais de 100 dirigíveis.
Os Grandes Dirigíveis (Zeppelins)
Um dos ícones da história da aviação
surgiria quatro anos depois, o dirigível Graf Zeppelin.
O Graf Zeppelin possuia 213 m de comprimento, 5 motores,
transportava 35 passageiros e 45 tripulantes. O primeiro
vôo aconteceria em 1928, ligando Frankfurt a Nova
York, e que durou 112 horas. Caberia ao Graf Zeppelin a
primazia de ser o primeiro objeto voador a dar a volta ao
mundo. A epopéia, em sete etapas, seria feita em
1929, percorrendo 33 mil quilômetros. O Graf Zeppelin
foi construído pela Deutsche Zeppelin-Reederei, empresa
de Ferdinand Von Zeppelin, em 1928, e percorreu mais de
500 mil quilômetros, transportando pelo menos 17 mil
pessoas.
O
Hindenburg LZ 129 era o orgulho da engenharia alemã,
era considerado o modelo mais espetacular da Zeppelin. O
Hindenburg possuia 245 m de comprimento, 41,5 m de diâmetro,
voava a 135 km/h com autonomia de 14 mil quilômetros
e tinha capacidade para conduzir 50 passageiros e 45 tripulantes.
O modelo explodiu em New Jersey, nos Estados Unidos em 1937,
antes de pousar em Lakkehurst, matando 36 dos 131 passageiros
e tripulantes. O desastre marcou o fim da era dos dirigíveis.
Depois
de 1937, a Goodyear continuou a fabricá-los nos Estados
Unidos. Ao contrário dos alemães, esses outros
modelos tinham um balão maleável, feito de
derivados de borracha e inflado com hélio. Durante
a Segunda Guerra Mundial, a Marinha americana utilizou-os
para acompanhar navios e detectar submarinos inimigos. Esses
"blimps", como passaram a ser chamados, misturavam
conceitos dos dirigíveis de Santos Dumont e do conde
Zeppelin e foram os que resistiram ao tempo e ressurgiram
na década de 1980 como instrumento publicitário.
Novos
projetos
A
era dos grandes dirigíveis encerrou-se abruptamente
em 1937, quando o luxuoso Hindenburg, caiu em chamas durante
o pouso em New Jersey, nos EUA, matando boa parte da tripulação.
Mas,
passadas algumas décadas, eles podem estar prestes
a alçar vôo novamente. Os novos projetos, tocados
em várias partes do mundo, também herdaram
características dos modelos originais. Mas são,
de longe, máquinas muito mais avançadas.
A
primeira providência que todas as empresas tomam é
usar hélio no lugar do explosivo gás hidrogênio.
A outra é incorporar os avanços tecnológicos
dos aviões, como os modernos instrumentos computadorizados
de orientação de vôo.
A
própria Zeppelin também resolveu investir
numa nova linha de dirigíveis no início dos
anos 90. Em setembro do ano de 1999, realizou o vôo
de seu primeiro protótipo, o LZ N07. Seguindo a tradição
da fábrica, o corpo do balão tem estrutura
rígida, que combina tubos de alumínio com
fibra de carbono, mas é bem menor que os do passado,
com 68 metros de comprimento. A cobertura foi concebida
com a ajuda de um computador e a gôndola de passageiros
lembra a cabine de um jatinho, mas com muito mais espaço
entre as 12 poltronas de passageiros. Os mecânicos
trabalharam intensamente nos motores, projetados para se
voltar para frente e, também, para baixo, de modo
a estabilizar o dirigível enquanto ele é amarrado
em seu mastro no solo. A importância desse detalhe
está no fato de que os antigos zepelins requeriam
200 soldados para segurá-los nos pousos e nas decolagens.
Também
a Hamilton Airship, da África do Sul, está
investindo no projeto de um dirigível transoceânico,
o Nelson. Ele não tem gôndola: as cabines de
comando e de passageiros ficam dentro do próprio
balão. A idéia é levar 90 pessoas na
rota Johannesburgo-Nova York.
Transporte
de cargas pesadas
Duas
empresas, a britânica ATG e a alemã CargoLifter,
apostam na ressurreição dos gigantes mais
leves do que o ar como forma de se inserir no crescente
mercado de transporte intercontinental de cargas pesadas.
O
Cargolifter CL 160, com 242 metros de comprimento, poderá
carregar 160 toneladas e peças de até 50 metros
de comprimento, numa imensa gôndola de carga. Com
isso, resolverá problemas como o transporte de uma
turbina de hidroelétrica, sem paralisar o tráfego
nas rodovias. Impulsionado por cinco motores diesel, consome
a quarta parte do combustível de um jato de carga.
É claro que os jatos superam em muito sua velocidade
de cruzeiro, que varia de 80 a 135 km/h. Mas nenhum transporte
termina no aeroporto. Então, computando-se o tempo
de retirada da carga para embarcar num caminhão ou
trem, o CL 160 ganha a corrida. Este projecto terminou por
falência financeira. Acredita-se que a sua morte súbita
teve que ver com lutas internas na Alemanha Federal, cujo
Governo é um dos maiores accionistas da Airbus.
Outro
megaprojeto de dirigível voltado para transporte
de cargas é o SkyCat 1000, da ATG, que mede 307 metros,
mais que quatro Jumbos 747 alinhados. Foi pensado para carregar
até mil toneladas de carga. Diferente dos dirigíveis
tradicionais, seu envelope parece um pão achatado,
com 136 metros de largura e 77 metros de altura. Suas seis
turbinas de 15 mil hp o impulsionarão a máximos
110 nós (203 km/h) numa altitude de cruzeiro de 2.700
metros. Com carga total, o SkyCat 1000 terá autonomia
de 10 mil km, podendo cruzar o Atlântico Norte duas
vezes sem reabastecimento. |