Murcia,
Murtea ou Murtia era um
epíteto de Vénus em Roma, onde esta tinha
um templo com uma estátua - como é referido
por Sexto Pompeio Festo, Apuleio (nas "Metamorfoses")
e Marco Terêncio Varrão. Este sobrenome, que
se acredita advir de Myrtea (murta), parece indicar o gosto
que a deusa tinha por esta planta. Diz-se, de facto, que
existia um bosque de murta frente ao seu templo, no sopé
do monte Aventino, como nos conta Plínio, o Velho.
Outros autores cristãos, de forma claramente propagandística
contra o culto pagão, como Agostinho de Hipona, na
sua De Civitate Dei fazem advir o nome da palavra murcus,
que significa estúpido ou palerma (note-se que no
norte de Portugal existe o termo "morcão"
ou "murcão" - ainda que esta última
variante não seja referida em dicionários
- para designar as larvas de alguns insectos e que é
também utilizado para designar, ofensivamente, alguém
que se despreza. Mas não existe nenhum autor que
faça daí derivar a palavra, mas sim do termo
castelhano murcón, ou "morcela", como aparece
registado no Dicionário da Porto Editora). Outros,
ainda, fazem derivar a palavra do termo usado em Siracusa,
µ?????, ou seja, terno. |