Ábaris
aeróbata ou Ábaris hiperbóreo foi um
poeta cita semi-lendário. Segundo a lenda, o deus
Apolo consagrou-o como seu sumo-sacerdote, concedendo-lhe
o dom da adivinhação. Presenteou-o também
com uma flecha de ouro que tinha o poder de transportá-lo
pelos ares - motivo pelo qual passou a ser designado como
aeróbata. Ainda segundo a lenda, que mistura realidade
com ficção, Pitágoras, que teria sido
seu aluno, roubou-lhe a flecha. Teria, ainda, vendido o
paládio (um atributo da deusa Palas que lhe servia
de talismã) aos Troianos.
Heródoto
(4.36) diz que este tinha viajado por todo o mundo sobre
uma flecha, sem necessitar de ingerir qualquer alimento.
Platão (no Cármides) descreve-o como um "médico
trácio" que curava tanto a alma quanto o corpo
através de "encantamentos" (epodai). Pausânias
refere um templo de Persófone, em Esparta, a que
teria presidido.
Jâmblico
também se refere a este poeta na sua Vita Pythagorica
(VP), onde diz que ele terá purificado Esparta e
Cnossos, entre outras cidades, de diversas pragas. Ábaris
também aparece numa cena, deste mesmo livro, ao lado
de Pitágoras, tentando convencer o tirano Siciliano
Fálaris a converter-se a uma vida de virtude, não
obstante a sua obstinação perante uma discussão
onde abordam temas divinos (ibid. 215-221). Jâmblico
ainda refere, ao mesmo tempo que desaprova,, a perícia
de Ábaris no sacrifício de animais (ibid.
93).
O
Suda atribui vários livros a Ábaris, incluindo
um volume de Oráculos Citas em hexâmetro dactílico,
uma teogonia em prosa, uma súmula sobre rituais de
purificação, e um relato da visita de Apolo
aos Hiperbóreos. |