Na
mitologia grega, Cérbero, ou Cerberus,
era um monstruoso cão de múltiplas cabeças
e cobras ao redor do pescoço que guardava a entrada
do Hades, o reino subterrâneo dos mortos, deixando
as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando
os mortais que por lá se aventurassem.
Pode-se
encontrar personagens inspirados em Cérbero em
muitos lugares, por exemplo no famoso livro Harry Potter
e a Pedra Filosofal, como o "meigo" Fofo, ou
na Saga de Hades do anime e mangá Cavaleiros do
Zodíaco. Ele aparece também na quarta temporada
do anime Digimon, intitulada Digimon Frontier. Também
encontramos personagens que remetem diretamente Cérbero,
por exemplo o Touro Bandido que foi mostrado na novela
América, como guardião do Inferno e tendo
três cabeças.
Morfologia
A
descrição da morfologia de Cérbero
nem sempre é a mesma, havendo variações.
Mas uma coisa que em todas as fontes está presente
é que Cérbero é um cão que
guarda as portas do Inferno, mas não impedindo
a entrada e sim a saída. Quando alguém chegava,
Cérbero fazia festa, era uma criatura adorável.
Mas quando a pessoa queria ir embora, ele a impedia; tornando-se
uma cão feroz e temido por todos. Os únicos
que conseguiram passar por Cérbero, saindo vivos
do Inferno, foram Hércules, Orfeu, Enéias
e Psiquê.
Cérbero
era um cão com várias cabeças, não
se têm um número certo, mas na maioria das
vezes é descrito como tricéfalo. Sua cauda
também não é sempre descrita da mesma
forma, às vezes como de dragão, como de
cobra ou mesmo de cão. Às vezes, junto com
sua cabeça são encontradas serpentes saindo
de seu pescoço, e até mesmo de seu tronco.
Quanto
à vida depois da morte, os gregos acreditavam que
a morada dos mortos era o Hades, que levava o nome do
deus que o regia. Hades era irmão de Zeus. Localizava-se
nos subterrâneos, rodeado de rios, que só
poderiam ser atravessados pelos mortos. Os mortos conservavam
a forma humana, mas não tinham corpo, não
se podia tocá-los. Os mortos vagavam pelo Hades,
mas também apareciam no local do sepultamento.
Havia rituais cuidadosos nos enterros, e os mortos eram
cultuados, principalmente pelas famílias em suas
casas. Quando os homens morriam eram transportados, na
barca de Caronte para a outra margem do Rio Aqueronte,
onde se situava a entrada do reino de Hades. O acesso
se dava por uma porta de diamantes junto a qual Cérbero
montava guarda.
Para
acalmar sua fúria, os mortos que no Inferno residiam
jogavam-lhe um bolo de farinha e mel que os seus entes
querido haviam deixado no túmulo.
Seu
nome, Cérbero, vem da palavra Kroboros, que significa
comedor de carne. Cérbero comia as pessoas, um
exemplo disso na mitologia, é Piritoo, que por
tentar seduzir Perséfone, mulher de Hades e filha
de Deméter, deusa da fertilidade da terra, foi
entregue ao cão. Como castigo Cérbero comia
o corpo dos condenados.
Cérbero
era filho de Tífon (ou Tifão) e Equídina.
Cérbero era irmão de Ortros e da Hidra de
Lerna. Da sua união com Quimera, nasceram o Leão
de Neméia e a Esfinge
Aparições
Na Divina Comédia, Cérbero aparece no Inferno
dos Gulosos, onde estes ficam solitários na lama.
Sem poder comer e beber livremente. E ficavam sob uma
chuva gelada e a presença de Cérbero que
os come eternamente com seu apetite insaciável.
Cérbero é a imagem do apetite descontrolado.
Euristeu,
sabendo que Héracles só ficaria mais um
ano sob suas ordens, estava desesperado de medo e, para
seu décimo segundo trabalho, ordenou-lhe que descesse
ao reino de Hades e trouxesse de volta o cão tricéfalo,
Cérbero, que guardava as portas do inferno. Isto,
tinha certeza, estava acima de suas forças; e o
próprio Héracles duvidava que jamais conseguisse
realizar essa temerária e perigosa façanha.
Ofertou grandes sacrifícios aos deuses, pedindo
sua proteção; suas preces foram ouvidas.
A deusa Atena, e Hermes, mensageiro dos deuses, apresentaram-se
a ele, acompanhando-o até à sombria caverna,
pelo túnel longo e escuro que levava às
portas do Mundo Subterrâneo. Ao percebê-los,
as três cabeças de Cérbero puseram-se
a uivar de maneira horrível, o que chamou a atenção
de Hades; mas ao ver um deus e uma deusa em companhia
de Héracles, perguntou~lhes o que procuravam.
-
Meu senhor Euristeu ordenou-me de levar à terra
o cão tricéfalo Cérbero que guarda
esta porta, disse Héracles, e é pela vontade
de Zeus, senhor da terra e do céu, que eu lhe obedeço.
Deixe-me levar seu cão de guarda para poder cumprir
as ordens recebidas. Prometo-lhe que Cérbero nada
sofrerá e lhe será restituído, são
e salvo.
Hades
fechou a carranca e respondeu:
-
Se você for capaz de carregar Cérbero nos
ombros, sem feri-lo, então poderá levá-lo
ao seu senhor Euristeu; mas, prometa trazê-lo de
volta, ileso.
Então
Héracles aproximou-se de Cérbero e, apesar
de suas três enormes bocarras guarnecidas de dentes
afiados e cruéis, ergueu o animal aos ombros e
subiu pelo caminho que levava da caverna tenebrosa à
luz do dia. O caminho era longo, áspero e íngreme,
e pesada a sua carga; as três cabeças rosnavam
e mordiam, durante todo o trajeto, porém Héracles,
concentrando-se no pensamento de próxima libertação,
não lhes dava atenção. Afinal chegou
a Micenas. Euristeu ficou tão apavorado quando
soube que Héracles trazia nos ombros o terrível
cão tricéfalo, que se escondeu debaixo da
cuba de bronze, mandando-lhe uma mensagem na qual lhe
ordenava que se afastasse de Micenas para todo o sempre.
Então, de coração leve, dirigiu-se
Héracles para a caverna. Desceu pelo longo túnel
e depositou Cérbero às portas do Inferno.