Enquanto
termos como "divindade da terra" têm implicações
mais amplas, os termos khthonie e khthonios têm
um significado mais técnico e preciso em grego,
referindo-se antes de mais à forma como se ofereciam
sacrifícios ao deus em questão.
No
culto ctónico típico, o animal vítima
era massacrado num bothros .
No culto aos deuses olímpicos, pelo contrário,
a vítima era sacrificada sobre um bomos elevado.
As divindades ctónicas também tendiam a
preferir as vítimas negras sobre as brancas, e
as oferendas eram normalmente queimadas inteiras ou enterradas
em vez de ser cozinhadas e repartidas entre os devotos.
Tipo
de culto em relação à função
Ainda
que os deuses e deusas ctónicos tivessem uma relação
genérica com a fertilidade, não tinham um
monopólio sobre esta, nem eram os deuses olímpicos
totalmente indiferentes à prosperidade da terra.
Assim, ainda que tanto Deméter como Perséfone
cuidassem de vários aspectos da fertilidade da
terra, Deméter tinha um culto tipicamente olímpico
enquanto que o de Perséfone era ctónico.
Para
tornar tudo ainda mais confuso, Deméter era adorada
ao lado de Perséfone com ritos idênticos,
e mesmo assim era ocasionalmente classificada como uma
olímpica na poesia e nos mitos.
Entre
ambos
As
categorias olímpica e ctónica não
eram, no entanto, totalmente estritas. Alguns deuses olímpicos,
como Hermes e Zeus, também recebiam sacrifícios
e dízimos em alguns locais. Os heróis deificados
Herácles e Esculápio podiam ser adorados
como deuses ou como heróis ctónicos, dependendo
da região.
Além
disso, algumas divindades não são facilmente
classificáveis sob estes termos. A Hécate,
por exemplo, era costume oferecer cachorros nas encruzilhadas,
o que seguramente não era um sacrifício
olímpico, nem tampouco uma oferenda típica
a Perséfone ou aos heróis. Mas, devido às
suas funções no mundo subterrâneo,
Hécate é geralmente classificada como ctónica.