Hércules
ou Héracles, para os gregos -
filho de Alcmena (uma mortal) e de Zeus (Júpiter)
- este houvera se disfarçado como seu legítimo
esposo, Anfitrião, que se achava ausente na guerra
de Tebas. Ao nascer, Zeus, para torná-lo imortal,
pediu a Hermes que o levasse para junto do seio de Hera,
quando esta dormia, e fê-lo mamar. A criança
sugou com tal violência que, mesmo após Hércules
já ter terminado, o leite da deusa continuou a
correr e as gotas caídas formaram, no céu,
a Via-Láctea e na terra, a Flor-de-lis. Foi Hércules
o mais célebre dos heróis da Mitologia greco-romana,
símbolo do homem em luta com forças da natureza.
Desde que nasceu teve de vencer as perseguições
da ciumenta Hera. Tanto é que, apenas com oito
meses de existência, estrangulou, com as mãos,
duas serpentes que a deusa mandara ao seu berço
para o devorarem. Quando homem, sobressaiu-se por sua
musculatura de aço e enorme força. A sua
primeira façanha deu-se quando se dirigiu a Beócia,
cidade próxima de Tebas, e perseguiu e matou, apenas
com as mãos, um enorme leão, que devorava
os rebanhos de Anfitrião e de Téspio. A
caçada durou cinquenta dias consecutivos, durante
os quais Hércules foi hóspede de Téspio,
que aproveitou para unir cada uma das suas cinquenta filhas
com ele, de maneira a criar uma aguerrida descendência,
conhecidos pelos Tespíadas, que se espalharam por
diversos lugares, chegando até a Sardenha. Por
livrar a cidade de Tebas de um tributo que tinha de pagar
à de Orcómeno, o rei da primeira, Creonte
(filho de Meneceu), casou a sua filha mais velha, Mégara.
Num
acesso de loucura provocado por Hera, assassinou sua mulher
Mégara, e os filhos com ela tidos. Após
recuperar a sanidade, Hércules foi a Delfos consultar
o oráculo de Apolo sobre o meio de se redimir desse
crime e poder continuar com uma vida normal. O oráculo
ordenou-lhe que servisse, durante doze anos, o seu primo
Euristeu, rei lendário de Micenas e de Tirinte.
Apresentando-se ao serviço, o rei, simpático
a Juno, que não cessava de perseguir os filhos
adulterinos de Júpiter, impôs-lhe, com a
oculta intenção de eliminá-lo, doze
perigosíssimos trabalhos, das quais o herói
saiu vitorioso.
Os
Doze Trabalhos
1. No Peloponeso, estrangulou o Leão
de Neméia - filho dos monstros Ortro e Equidna
- que devastava a região e cujos habitantes nao
conseguiam matar. Na segunda tentativa de o matar, sendo
a primeira infrutífera, estrangula-o depois de
com ele lutar. Acabada a luta arranca a pele do animal
com as suas próprias garras e ao cobrir os ombros
com ela, passou a utilizá-la como vestuário.
Diz-se que esta criatura se converteu na costelação
de Leão.
2. Matou o monstro filho de Equidna e
do avô do Leão de Neméia: A Hidra
de Lerna. Esta era uma serpente, com corpo de cachorro,
com nove cabeças (uma das quais era parcialmente
de ouro e imortal), que se reproduziam mal eram cortadas
e exalavam um vapor que eliminava quem se encontrasse
nas redondezas. Segundo a tradição, o monstro
fora criado por Juno para que acabasse com Hércules
e este acabou com a hidra cortando-lhe as cabeças
enquanto o seu sobrinho Iolau impedia a sua reproduçao
queimando as feridas do animal com tições
em brasa. Hera enviou ajuda à serpente, um enorme
caranguejo, mas Hércules pisou-o e o animal converteu-se
na constelação de Caranguejo (ou Câncer).
Por fim, o herói banhou as suas flechas com o sangue
da serpente de maneira a que ficassem envenenadas.
3. Alcançou correndo a corça
de Cerínia, um animal lendário, com chifres
de ouro e pés de bronze. Essa corça corria
com assombrosa rapidez e nunca se cansava.
4. Capturou vivo o javali de Eurimanto,
que devastava os arredores, ao fatigá-lo depois
de o perseguir durante horas. Euristeu, ao ver o animal
no ombro do herói, teve tamanho medo, que foi se
esconder dentro de um caldeirão de bronze. As presas
do animal foram mostradas no templo de Apolo em Cumas.
5. Limpou, em um dia, os currais do rei
Aúgias, que continham três mil bois e que,
havia trinta anos, não eram limpos. Estavam tão
fedorentos, que exalavam um gás mortal. Para isso,
desviou dois rios.
6. Matou, no lago Estínfalo, com
suas flechas envenenadas, monstros cujas asas, cabeça
e bico eram de ferro, e que, pelo seu gigantesco tamanho,
interceptavam, no vôo, os raios do sol. Com seu
arco, consegue matar alguns e os outros, ele os expulsa
para outros países.
7. Venceu o touro de Creta, que havia
sido mandado por Netuno contra Minos;
8. Castigou o sanguinário Diómedes,
filho de Marte, possuidor de cavalos que vomitavam fumo
e fogo, e aos quais ele dava a comer os estrangeiros que
a tempestade arrolava à costa do seu país.
O herói dominou-o e o entregou à voracidade
de seus próprios animais furiosos;
9. Lutou e venceu as guerreiras Amazonas,
tirou-lhes a rainha Hipólita, apossando-se do cinturão
mágico que esta levava na cintura;
10. Matou o gigante Gerion, monstro de
três corpos, seis braços e seis asas, e tomou-lhe
os bois que se achavam guardados por um cão de
duas cabeças, e um dragão de sete;
11. Colheu os pomos de ouro do Jardim
das Hespérides, depois de matar o dragão
de cem cabeças que os guardava. Segundo alguns,
o dragão foi morto por Atlas, a seu pedido, e durante
o trabalho, ele sustentou o mundo nos ombros;
12. Desceu aos infernos, foi ao palácio
de Hades e de lá trouxe, vivo, Cérbero -
célebre cão de três cabeças.
Após
esses trabalhos, Hércules entregou-se, espontaneamente,
a muitos outros, na defesa dos oprimidos:
* Matou, no Egito, o tirano Busíris que cruelmente
sacrificava todos os estrangeiros que aportavam aos seus
Estados
* Tendo encontrado Prometeu acorrentado, por ordem de
Júpiter, no cume do Cáucaso, entregue à
voracidade de um abutre que lhe devorava o fígado,
libertou-o
* Estrangulou o gigante Anteu que, em luta, recuperava
a força sempre que conseguia tocar, com os pés,
o solo.
* Entre as façanhas de Hércules, conta-se
ainda haver ele separado os montes Calpe (da Espanha)
e Ábilia (da África), abrindo assim o estreito
de Gibraltar. Depois disso, ele disputou com o terrível
Aquelos a posse de Dejanira, filha de Eneu, rei da Etólia.
Como a princesa a Hércules preferia, Aquelos, furioso,
tranformou-se em serpente, e investiu contra ele; repelido,
tranformou-se em touro, e de novo arremeteu; mas o herói
enfrentou-o, pela segunda vez, quebrando-lhe os chifres,
e desposou Dejanira. Em seguida, tendo de atravessar o
rio Eveno, pediu ao Centauro Nesso (mitologia) que conduzisse
Dejanira ao ombro, enquanto ele faria a travessia a nado.
No meio do caminho, tendo Nesso se recordado de uma injúria
que outrora Hércules lhe dirigira, resolveu, por
vingança, raptar-lhe a esposa, passando, com esse
intuito, a galopar rio acima. O herói, tendo percebido
as suas intenções, aguardou que ele alcançasse
terra firme, e então atravessou-lhe o coração
com uma das flechas envenenadas. Nesso tombou, e, ao expirar,
deu a Dejanira a sua túnica manchada do sangue
envenenado, convencendo-a de que seria, para ela, um precioso
talismã, com a virtude de restituir-lhe o esposo,
se este viesse, em qualquer tempo, a abandoná-la.
* Mais tarde, Hércules apaixonou-se pela sedutora
Iole, e se dispunha a desposá-la, quando recebeu
de Dejanira, como presente de núpcias, a túnica
ensangüentada, e, ao vestí-la, o veneno infiltrou-se-lhe
no corpo; louco de dores, ele quis arrancá-la,
mas o tecido achava-se de tal forma aderido às
suas carnes que estas lhe saíam aos pedaços.
Vendo-se perdido, o herói ateou uma fogueira e
lançou-se às chamas. Logo que as línguas
de fogo começaram a serpentear no espaço,
ouviu-se o rebumbar do trovão. Era Júpiter
que arrebatava seu filho para o Olimpo, onde ganhou a
imortalidade e, na doce tranqüilidade, recebeu Hebe
em casamento.