O
Saci, ou Saci-pererê,
é um personagem bastante conhecido da mitologia
brasileira, que teve sua origem entre os indígenas
da região de Missões. Inicialmente retratado
como um curumim meio endiabrado, não se diferenciava
muito das crianças indígenas, com duas pernas
e de cor morena, mas possuía um rabo.
No
norte do Brasil, a Mitologia Africana o transformou em
um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem
que prevalece nos dias de hoje. Herdou também da
Cultura Africana o pito, uma espécie de cachimbo,
e da Mitologia Européia, herdou o pileo, um gorrinho
vermelho.
Imortalizado
nas histórias contadas à beira das fogueiras
nas cidades do interior do Brasil, o Saci ganhou um novo
e importante aspecto cultural nos livros de Monteiro Lobato
e nas histórias em quadrinhos de Ziraldo, alcançando
desta forma, também as crianças da cidade
grande. Com a contribuição destes dois escritores
o mito do Saci sobrevive à invasão das culturas
estrangeiras amplamente divulgadas pela mídia.
É
considerado uma figura brincalhona, que diverte-se com
os animais e pessoas, criando dificuldades domésticas,
ou assustando viajantes noturnos com seus assobios. O
mito existe pelo menos desde o fim do século XVIII.
A
função desta divindade era o controle, sabedoria,
e manuseios de tudo que estava relacionado ás plantas
medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas
de preparo e uso de chá, concentrado e outros medicamentos
feitos a partir de plantas. Como suas qualidades eram
as da farmacopéia, também era atribuída
a ele o domínio das matas onde guardava estas ervas
sagradas, e costumava confundir as pessoas que não
pediam a ele a autorização para a coleta
destas ervas.
A
lenda diz que o Saci está nos redemoinhos de vento,
e que pode ser capturado jogando-se uma peneira sobre
estes. Deve-se então retirar o capuz da criatura
para garantir sua obediência, guardando o Saci em
uma garrafa.