Era
filha do deus-rio Ínaco, que por sua vez era filho
de Oceano e Tétis. Foi sacerdotisa da Hera argiva
e pertenceu a raça real de Argos. Outras versões
a tratam como uma ninfa, mas Io não é associada
a nenhum elemento natural como as ninfas costumam ser.
Sua
beleza despertou a paixão de Zeus, que, para cortejá-la,
cobriu o mundo com um manto de nuvens escuras, escondendo
seus atos da visão de Hera. A estratégia
falhou e a deusa, desconfiada, desceu do monte Olimpo
para averiguar o que estava acontecendo. Numa vã
tentativa de iludir sua esposa ciumenta, o deus transformou
sua amante em uma belíssima novilha branca. Intrigada
pelo interesse do marido no animal e maravilhada com a
beleza do mesmo, Hera exigiu a novilha para si e a pôs
sob a guarda do gigante Argos Panoptes. Argos quando dormia
mantinha abertos cinqüenta de seus cem olhos.
Zeus
encarregou Hermes de libertar sua amada. Para tanto, o
mensageiro dos deuses, usando a flauta de Pã, pôs
para dormir os olhos despertos de Argos, enquanto os outros
cinqüenta dormiam um sono natural, e cortou sua cabeça.
Hera recolheu os olhos de seu servo e os pôs na
cauda do pavão, animal consagrado a ela.
Io
estava livre do cativeiro, mas não dos tormentos
de Hera. O fantasma de Argos continuava a persegui-la.
Para piorar sua situação, a deusa enviou
um moscardo para picar a novilha constantemente durante
sua fuga.
Io
perambulou de Micenas para Eubéia. Atravessou a
Ilíria e subiu o monte Hemos, na Trácia.
O mar cujas praias percorreu recebeu o nome de Mar Iônio.
O Estreito de Bósforo, que liga o Mar de Mármara
ao Mar Negro, cujo significado é Passagem da Vaca,
foi batizado assim após Io tê-lo cruzado
a nado. Atravessou a Cítia e ao chegar ao monte
Cáucaso, encontrou Prometeu acorrentado em uma
rocha. O titã disse que, ao alcançar o Egito,
ela seria restaurada a sua forma humana por Zeus e teria
um filho. A criança seria a primeira de uma linhagem
que culminaria com Hércules, que acabaria por libertar
o próprio Prometeu.
Io
fatalmente chegou às margens do Nilo. Cansada de
tanto sofrimento, implorou a Zeus por um fim. O deus comovido
foi falar com Hera e ambos restauram Io a sua forma humana.
Ela teve um filho, Épafo, que foi roubado pelos
Curetes sob ordens de Hera. Io recuperou o menino e reinou
sobre o Egito, sob nome de Ísis e casada com Telégono.
Sua coroa tinha dois pequenos chifres de ouro, lembranças
de sua transformação.
O
mito de Io pode ser interpretado como uma alegoria lunar,
na qual a fuga da novilha representaria o movimento da
Lua e os olhos de Argos, o céu estrelado.
Por
vezes o mito de Io se confunde com os da deusa Ísis,
Hator e mesmo Ishtar.
Uma
pequena lenda paralela diz que as lágrimas da novilha
Io caíram sobre as asas de um inseto, marcando-as
eternamente e dando origem à bela borboleta Inachis
io.
Io
é também uma das luas do planeta Júpiter,
nomeado assim a partir da contraparte romana de Zeus.